Química

Condições são favoráveis para o desenvolvimento – Indústria Química

Marcelo Fairbanks
4 de março de 2019
    -(reset)+

    O estudo, denominado “Um outro futuro é possível”, foi apresentado ao público durante o Encontro Nacional da Indústria Química, em dezembro de 2018. As 73 propostas contemplam medidas de curto, médio e longo prazo, agrupadas sob as rubricas de matérias-primas, energia, logística, comércio exterior, indústria 4.0 e regulação. Caso venham a ser implementadas, elas permitiriam aumentar o PIB da indústria química nacional em 20% até 2022, e em 100% até 2030. “Isso geraria aumentos de US$ 64 bilhões em arrecadação de tributos e 220 mil empregos, sem conceder nenhum tipo de subsídio, isenção tributária ou aumento de gastos públicos”, salientou De Marchi.

    O dirigente setorial comentou que a indústria química brasileira arca com o preço mais alto do mundo para a nafta petroquímica e que o gás utilizado pelo setor custa três vezes mais caro que o oferecido aos produtores químicos dos Estados Unidos. A eletricidade para grandes consumidores chega a ser 40% mais onerosa por aqui, inviabilizando novos investimentos. Também a matriz logística atual, dependente do modal rodoviário, é cara e pouco eficiente. “Também carecemos de uma abertura comercial responsável, por exemplo, propomos a redução a zero da tarifa comum de importação no Mercosul para 64 produtos químicos que não são produzidos na região, mas têm consumo importante para o setor”, afirmou.

    Química e Derivados, Condições são favoráveis para o desenvolvimento setorial, mas urge fazer reformas - Indústria Química

    Sem condições adequadas para competir, o Brasil perde projetos de investimento em capacidades adicionais para o setor químico, fundamentais para o desenvolvimento nacional, sendo conhecida a participação de insumos químicos em todas as atividades produtivas. Segundo a Abiquim, os investimentos no setor somarão US$ 5 bilhões nos próximos cinco anos, enquanto esse valor sobe para US$ 200 bilhões nos Estados Unidos, no mesmo período.

    “Nosso mercado é aberto para a concorrência global, a proteção tarifária atual varia entre zero e 14%, com média de 7% de imposto de importação, enquanto outros setores de atividade contam com barreira de 35% contra importações”, apontou De Marchi. Ele ressalvou a diferença entre proteção tarifária e aplicação de mecanismos antidumping, estes entendidos como proteção contra a concorrência desleal oriunda de algumas origens.

    Não é de espantar, portanto, que o setor químico tenha registrado déficit comercial de US$ 29.1 bilhões (US$ 21,8 bilhões apenas nos produtos químicos de uso industrial) em 2018. Nem que a produção física dos itens de uso industrial permaneça estagnada no mesmo patamar desde 2007/2008. Aliás, esse indicador registrou queda de 1,3% em relação a 2017, embora o faturamento líquido tenha crescido 26,6% em reais (ou 10,5% em dólares). A importação está suprindo o aumento da demanda local.

    Química e Derivados, Condições são favoráveis para o desenvolvimento setorial, mas urge fazer reformas - Indústria Química

    Musa: aumento das importações significa exportar empregos

    O agregado da indústria química brasileira (inclusos os segmentos de produtos químicos finais) registrou aumento de faturamento de 5,4% em 2018, sobre 2017 – US$ 127,9 bilhões contra US$ 121,4 bilhões. O vice-presidente da Abiquim e presidente da Braskem, Fernando Musa, considerou que esse incremento deve ser recebido sem festa. “Esse valor significa um retorno ao período de 2008-2010, ou seja, tivemos uma década perdida para o setor químico”, criticou. “O déficit comercial próximo de US$ 30 bilhões, quase um quarto do faturamento setorial, significa que estamos gerando empregos e renda no exterior.”

    Em faturamento, a indústria química brasileira ocupa a sexta posição no ranking mundial do setor (sem contar produtos farmacêuticos), superada pela Coreia do Sul, Alemanha, Japão, Estados Unidos e China. A posição não reflete o potencial econômico setorial, determinado pela ampla disponibilidade de petróleo e gás natural na área do Pré-Sal, presença de pessoal qualificado, tecnologia própria e mercado local relevante. Segundo Musa, a indústria precisa de matérias-primas e eletricidade a custos competitivos internacionalmente, desburocratização de procedimentos administrativos e de regulamentos ambientais, bem como uma abertura comercial responsável. “Temos vocação química e sem uma indústria química pujante, nenhum país se desenvolveu até hoje”, considerou.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *