Química

Condições são favoráveis para o desenvolvimento – Indústria Química

Marcelo Fairbanks
4 de março de 2019
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    Química e Derivados, Condições são favoráveis para o desenvolvimento setorial, mas urge fazer reformas - Indústria Química

    Os eleitores brasileiros escolheram mudar os rumos do país, a partir de janeiro de 2019, ao eleger candidatos com discurso de corte liberal para o Executivo e Legislativo, sepultando (por ora, ao menos) a linha “socialista tropical” dominante nos 13 anos anteriores. O governo Bolsonaro, nesse momento, encarna uma perspectiva mais abrangente que a sua biografia e filiação partidária, amalgamando diversas correntes sedentas por mudanças econômicas e ideológicas para as quais a vitória nas urnas representou uma injeção de ânimo, refletida na aceleração dos negócios na bolsa de valores B3.

    Cabe ressaltar que o desempenho nacional não depende apenas da boa vontade de seus governantes de plantão. As circunstâncias internacionais merecem atenção. Estados Unidos e China travam uma queda de braço sobre temas comerciais, cujos efeitos podem nos ser favoráveis em algumas situações, mas prejudiciais em outras. A venda de produtos primários para a China pode aumentar, mas a entrada de itens manufaturados chineses também. Ainda há muita volatilidade nos mercados. No momento, o governo americano briga por verbas no orçamento anual com as casas legislativas de lá. Funcionários públicos americanos estão em temporariamente casa, ou trabalhando em jornadas curtas, com menor remuneração, atrasando procedimentos burocráticos até no comércio exterior.

    O panorama internacional do petróleo segue tranquilo, na faixa dos US$ 60 por barril do tipo Brent. A taxa cambial contida perto de R$ 3,70 por dólar também colabora para reduzir a pressão dos custos no setor e, aparentemente, deve ser mantida até o fim do ano. O cenário parece favorável à recuperação econômica local, mas pode mudar.

    É necessário lembrar que Bolsonaro recebe o país das mãos de Michel Temer, responsável impedir a aniquilação das contas públicas nacionais e restaurar um pouco da previsibilidade das decisões econômicas em apenas dois anos e meio de mandato. Mais não pode fazer, pois foi esmagado por denúncias de corrupção, como no caso JBS, e pela greve dos caminhoneiros. As dificuldades de negociação com as casas legislativas, sempre ávidas por benesses, merecem um lugar de destaque na avaliação crítica desse período. Espera-se que a nova legislatura (a ser instalada em fevereiro) tenha menos pendores fisiológicos.

    De 2014 a 2016, sob comando petista, o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu quase 8%, atestando a ineficácia de programas de favorecimento limitados às chamadas “campeãs nacionais” e aos desembolsos polpudos de verbas para custeio diverso, misturados a casos de corrupção desnudados pela Operação Lava-Jato e similares. Depois do tombo, o PIB recuperou um pouco do terreno perdido, porém em ritmo muito lento que o novo governo pretende acelerar.

    Imediatamente após a posse de Bolsonaro, no primeiro dia do ano, a bolsa de valores entrou em ebulição, batendo o recorde de negociação de 93 mil pontos e dando sinais de ter fôlego para ir além. O real se fortaleceu em relação ao dólar, fato interpretado por alguns analistas (e contestado por outros) como aumento do interesse de investidores internacionais pelos ativos brasileiros.

    O primeiro grande desafio do novo governo será aprovar em poucos meses uma reforma previdenciária capaz de reverter a formação atual de déficits. Em 2018, estima-se que a diferença entre arrecadação e desembolsos previdenciários no país deixe um saldo negativo de R$ 185 bilhões, valor que subirá para R$ 218 bilhões neste ano, caso nada seja modificado. Como há um teto obrigatório de gastos da União, aprovado no início do mandato de Temer, esses déficits estrangulam a execução orçamentária, obrigando a retirar verbas de outras pastas, a exemplo de educação e saúde. Caso o governo logre êxito em aprovar essa reforma, espera-se um crescimento acelerado da economia nacional, podendo superar a atual previsão de 3% a 3,5% do PIB. Os mais otimistas sonham com 6% de crescimento a partir de 2020.

    Química e Derivados, Condições são favoráveis para o desenvolvimento setorial, mas urge fazer reformas - Indústria Química

    De Marchi: Abiquim apresentou 73 propostas ao novo governo

    O pacote completo de medidas econômicas de Bolsonaro, elaborado pela equipe de Paulo Guedes (agora superministro da economia), prevê também simplificação tributária (desoneração, apenas a longo prazo), privatizações, aumento geral de eficiência econômica pela redução do tamanho do Estado e de suas complexas burocracias. Grande parte dessas medidas dependerá da boa vontade do Poder Legislativo.

    A indústria química e petroquímica fez a lição de casa e, antes mesmo de o novo governo tomar posse, já apresentou à equipe econômica 73 propostas de interesse setorial, com reflexos positivos em todas as atividades produtivas. “Fizemos um estudo amplo com a consultoria Deloitte para identificar gargalos que impedem o avanço dos investimentos no setor químico e tivemos boa receptividade por parte da nova equipe governamental”, informou Marcos De Marchi, presidente do conselho diretor da Abiquim e também presidente da Elekeiroz.



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