Construção Civil (cimento e contreto)

Concreto & Argamassa: Aditivos químicos melhoram propriedades

Renata Pachione
1 de janeiro de 2020
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    Soluções – Os fabricantes de aditivos têm abastecido o setor com inovações. Por causa da mudança da legislação, que determinou a venda da areia natural por tonelada e não mais por volume, o preço do frete subiu – por volta de 40%, estima-se –, o que tornou o metro cúbico do concreto mais caro. Em resposta a essa situação, a MC Bauchemie desenvolveu dois produtos para a utilização da areia artificial (originada da britagem das pedras) em maior quantidade e diminuindo assim a dependência da areia natural. São eles o aditivo polifuncional Muraplast FK 430 e o MC Techniflow 501, um aditivo mid range (intermediário) à base de PCE.

    Química e Derivados - Danila: aditivos permitem usar materiais mais econômicos

    Danila: aditivos permitem usar materiais mais econômicos

    Atenta a esse cenário, a GCP Applied Technologies tem investido em desenvolvimentos capazes de melhorar a qualidade dos agregados (materiais granulares inertes, como areia, cascalho ou brita) que compõem o concreto. Segundo Danila Ferraz, especialista de pesquisa e desenvolvimento para a América Latina e química responsável da GCP Applied Technologies, o mercado da construção civil não apresenta índices muito positivos há cerca de quatro anos, por isso, a companhia buscou alternativas para contribuir com o setor. “Temos focado em aditivos que possam ser utilizados em materiais de menor custo e qualidade inferior, para que esses materiais sejam usados em maior escala no concreto”, disse.

    A linha Clarena, novidade patenteada pela empresa, tem a proposta de oferecer robustez aos concretos que contêm agregados com alto teor de argila. “É um aditivo dispersante e mitigador de argila que pode entrar tanto no aditivo plastificante como no superplastificante”, afirmou. Em linhas gerais, o produto age no sentido de encapsular a argila, que é um contaminante na areia. Vale lembrar que a presença de argila em agregados artificiais ou naturais diminui a eficiência dos aditivos à base de policarboxilatos. Mas ensaios demonstraram que areias tratadas com aditivos mitigadores de argila proporcionam uma solução robusta, reduzindo de forma significativa o custo do concreto, sem comprometer o seu desempenho, seja no estado fresco ou endurecido.

    Para atender à demanda de substituição da areia natural, a companhia apresentou o Clarena MR, produto que permite o aumento do uso do agregado angular para substituir a areia natural. Trata-se de um redutor de água polifuncional para mitigação de argila. “Esse aditivo age como se fosse um lubrificante, atuando na superfície da areia artificial”, explicou Danila.

    O mercado de aditivos para concreto e argamassa possui uma gama variada de fabricantes tanto locais quanto globais. Grandes companhias multinacionais têm forte presença no fornecimento dos químicos há décadas. Tradicionalmente é assim. No entanto, nos últimos anos, empresas menores, com atuação regional, passaram a atuar neste mercado de forma mais expressiva. “O movimento que percebo é a regionalização de alguns formuladores de aditivos, os quais por questões logísticas acabam tendo vantagem frente aos grandes formuladores multinacionais. Porém esse fenômeno ainda é bem tímido no Brasil, com domínio de grandes grupos multinacionais”, disse o engenheiro Elton Inacio de Oliveira, diretor da Chemiq Especialidades Químicas.

    Na última década, a indústria de aditivos avançou em muitos sentidos. São vários os exemplos de novos métodos construtivos, estruturas e manutenções de reparo em concreto que só se tornaram possíveis por conta da tecnologia química aplicada. “Com o uso de aditivos em pré-fabricados – grandes placas de concreto que recebem aditivos para garantir sua resistência, menor espessura e facilidade de moldagem –, podemos pensar em construir algumas casas e pequenas estruturas em apenas poucos dias, bem como diminuir consideravelmente o tempo de obras de maior relevância, fato que antigamente era impensável”, Oliveira exemplificou.

    Lançamento da GCP Applied Technologies, o Concera, é apresentado como um novo conceito em aditivação. Hoje as classes de concreto estabelecidas no mercado são o concreto convencional e o autoadensável. O último tipo é de alta fluidez e alto consumo de cimento, portanto, caro. A fim de proporcionar um concreto de fluidez controlável, com um custo inferior ao modelo autoadensável, a companhia desenvolveu a Concera, uma linha de aditivos dispersantes com efeito modificador de propriedades reológicas. “Ela permite a elaboração de um concreto fluido com o uso de um desenho de mistura de um concreto convencional. Fica entre o tipo autoadensável e o convencional”, explicou Danila. Com base no policarboxilato, a linha Concera oferece fluidez, com o diferencial de tornar o material coeso e estável.

    Com sede nos Estados Unidos, a GCP Applied Technologies foi criada após a divisão da WRG Grace em duas empresas (a outra é a Grace). Líder no mercado brasileiro de aditivos para cimento e concreto, a companhia tem plantas em Simões Filho-BA, Duque de Caxias-RJ e Sorocaba-SP.

    Desenvolvido com tecnologia canadense, o Xypex Admix C 500 NF, é uma novidade da MC Bauchemie. O produto responde à demanda por concretos com maior durabilidade e resistência a determinados ambientes agressivos. Este aditivo cristalizante, quando adicionado ao concreto fresco, cicatriza algumas fissuras estáticas e diminui a porosidade do concreto em presença de água, aumentando a durabilidade da estrutura. Pioneira em aditivos à base de éter policarboxilato de manutenção da trabalhabilidade prolongada, a companhia participa da obra do Contorno São Sebastião e na duplicação da Rodovia dos Tamoios, ambas no litoral norte de São Paulo, com o MC Techniflow 570. “O produto tem mantido a trabalhabilidade por três horas em cimentos tipo CPV ARI, atendendo às especificações de resistências mecânicas iniciais do projeto”, comentou Tokudome. Fundada em 1961, a MC-Bauchemie é uma das maiores fabricantes de químicos para a construção.

    Entre as novidades do portfólio da Sika, há o Sikaplast 900 TM para aplicação em concreto de baixa consistência para pavimento rígido. O produto atende à demanda de baixo consumo de água e sobretudo de ampla manutenção de trabalhabilidade e de tempo de pega controlado (adequação à janela de acabamento do pavimento). “Num passado não tão remoto, podendo-se dizer até atualmente, era praticamente impensável a confecção de concretos de baixa relação água/cimento, somente com superplastificantes e com manutenção extraprolongada, sem efeito adverso de retardo de pega do concreto”, comentou Nogueira.



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