Construção Civil (cimento e contreto)

Concreto & Argamassa: Aditivos químicos melhoram propriedades

Renata Pachione
1 de janeiro de 2020
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    Química e Derivados - Concreto & Argamassa: Aditivos químicos melhoram propriedades

    Aditivos químicos melhoram propriedades e permitem formular produtos sob medida

    A retração do setor de construção civil não inibiu o amadurecimento tecnológico dos fabricantes de aditivos para concreto e argamassa no Brasil. Pelo contrário. A indústria buscou soluções inovadoras para driblar os efeitos deletérios dos escassos investimentos em obras habitacionais e de infraestrutura dos últimos anos.

    Não é por acaso que grande parte dos fabricantes mantém o foco nos químicos à base de éter policarboxilato (PCE), a chamada terceira geração dos plastificantes, gerando, assim, aprimoramentos na própria molécula e a possibilidade de fabricação de materiais específicos para cada demanda. É um caminho sem volta. “Para o futuro próximo, acredito que seguiremos na linha da evolução dos polímeros de PCE, com volumes crescentes, e cada polímero entregando desempenhos próprios para cada necessidade técnica”, disse Shingiro Tokudome, gerente-executivo da área de Indústria do Concreto da MC Bauchemie.

    Em resumo, como explicou o engenheiro químico Humberto Benini, diretor de negócio da Novakem, a tendência é o uso cada vez maior de produtos químicos especiais, bem como aumentar a oferta de concretos com propriedades melhoradas e mais específicas para cada tipo de aplicação. Leia-se aqui outra característica atual do setor: os fabricantes têm buscado desenvolver produtos sob medida aos clientes, o que não é possível com lignossulfonatos e naftalenos sulfonatos (primeira e segunda geração dos plastificantes, respectivamente).

    No entanto, apesar das atenções do setor se voltarem para os polímeros mais modernos, segundo Cláudio Nogueira, gerente Canal e TM Concrete da Sika, os preços relativamente baixos dos aditivos à base de lignossulfonatos os tornam os mais procurados entre os aditivos redutores de água consumidos pela indústria do concreto.

    Química e Derivados - Nogueira: preço baixo mantém a posição dos lignossulfonatos

    Nogueira: preço baixo mantém a posição dos lignossulfonatos

    Estima-se que os policarboxilatos correspondam a 10% das vendas do setor. E a tendência é essa participação de mercado aumentar. “A terceira geração está cada vez mais commoditizada (sic)”, afirmou Tokudome. Sob o ponto de vista de Benini, a redução dos custos ajudou a criar um ciclo auspicioso. Segundo ele, esse movimento, em alguma medida, favoreceu a popularização dos concretos autoadensáveis, principalmente em aplicações de concretos de alto desempenho e pré-moldados, além de paredes de concreto para construção em série. Essa nova classe de concretos, que dispensam o uso de vibração após o seu lançamento, propiciou a construção de formas arquitetônicas inviáveis no passado, como as estruturas altamente armadas ou extremamente esbeltas.

    O mercado, qualitativamente, vai bem. Mas em relação a volumes, a história é outra. O impacto da recessão econômica foi certeiro no setor da construção civil, prejudicando tanto as obras de infraestrutura quanto as residenciais. Segundo os especialistas da área, as vendas dos aditivos para concreto e argamassa estão muito aquém de seu potencial. Para se ter uma ideia desse cenário, vale olhar os números dos fabricantes de cimento. Com capacidade instalada para produzir 100 milhões de m³ por ano, a indústria do cimento tem fabricado pouco mais da metade disso, segundo Tokudome. “As obras de infraestrutura foram paralisadas e houve um impacto direto em nós”, disse.

    Mas ele está otimista e observa sinais de retomada dos investimentos. Até por isso, a companhia lançou os aceleradores de resistências iniciais MC Fastkick 111. A ideia é que o aditivo ajude as empresas a ter mais produtividade quando a economia do Brasil se recuperar, e as construtoras precisarem trabalhar com cronogramas apertados para fabricação e desforma de peças pré-fabricados, por exemplo. “Se a concretagem terminar às 16 horas, com o nosso aditivo é possível colocar em carga a estrutura de concreto no mesmo dia, às 23 horas”, exemplificou.



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