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Comportamento de ação dos novos e antigos alisantes na fibra capilar

Quimica e Derivados
10 de junho de 2019
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    RESULTADOS E DISCUSSÃO

    As mechas dos Grupos A (processadas com tioglicolato de amônio) e do Grupo B (processadas com tioglicolato de glicerila) foram pesadas em balança analítica, antes e depois da execução do processo de alisamento. Os resultados podem ser observados nas Tabelas 1 e 2, abaixo.

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    No grupo A observou-se ganho de peso em relação às mechas antes da execução do alisamento, com ganho médio de 0,116g. Já nas mechas do grupo B, o ganho de peso foi menor, média de 0,014g, entretanto, em 40% das amostras pode-se observar uma pequena perda de peso. Observando os resultados das médias e do desvio padrão amostra, não foi possível constatar uma diferença significante entre os dois grupos.

    Esse resultado pode ter sido causado devido aos passos de recondicionamento que existem nos dois procedimentos de aplicação, os quais apresentam substâncias como polímeros, silicones e agentes condicionantes.

    Segundo Dias e colaboradores (2008), a incorporação de substâncias condicionantes com ação protetora conhecida nas formulações de produtos de alisamento pode diminuir o dano causado nos fios pelo processo de alisamento. Essas substâncias têm alta afinidade pela queratina, aderindo-se a ela, e dão ao cabelo características favoráveis.

    A microscopia eletrônica de varredura, é um tipo de microscópio eletrônico capaz de produzir imagens de alta resolução da superfície de uma amostra. Pelo modo como as imagens de MEV são criadas, elas possuem aparência tridimensional característica e são úteis para avaliar a estrutura superficial de uma dada amostra (IPCLIN, 2017(a)).

    Observando-se a Figura 2, obtida pela MEV, pode-se avaliar que também não foi possível identificar diferenças significativas no dano cuticular provocado pelos alisamentos com tioglicolato de amônio e com tioglicolato de glicerila.

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    Conhecer as características da cutícula é essencial, uma vez que é conhecido que quando a cutícula é removida (danificada), o complexo da membrana celular também é atingido, de porosidade e pontas duplas na fibra capilar. A força do cabelo depende da integridade da cutícula e da quantidade de água nas fibras, condições que estão relacionadas a danos químicos. O dano químico por produtos para texturização da fibra podem enfraquecer o cabelo e aumentar a fricção entre as fibrilas, levando a quebras (DIAS, 2015).

    A leitura de brilho em cabelos tem como princípio a captação da reflexão especular da luz após ser incidida na amostra. Em física, o fenômeno da reflexão consiste na mudança da direção de propagação da energia no retorno da energia incidente em direção à região de onde ela é oriunda, após entrar em contato com uma superfície refletora (IPCLIN, 2017(b)).

    O Gráfico 1 representa a média dos valores de brilho obtidos após os tratamentos. Não houve diferença estatisticamente significativa nos valores de brilho obtidos entre as mechas submetidas ao tratamento com cada alisante (GMT e tioglicolato).

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    Entre os danos causados por consequência dos alisamentos estão: a diminuição da resistência do fio, aumento da porosidade e danos à cutícula, que resulta na perda do brilho, maciez e dificuldade para pentear. Os danos causados por processos químicos são acumulativos e após o processo, o cabelo possui pouca ou nenhuma capacidade de recuperação natural, por isso não se deve combinar uma sequência de processos (GOMES, 1999).

    Os dados apresentados acima corroboram com o encontrado por Dias et al, 2008:

    “O silicone, por suas propriedades de lubrificação, baixa solubilidade e tensão superficial reduzida, se espalha adequadamente sobre a maioria das superfícies, formando um filme uniforme, contínuo e hidrofóbico. O filme de silicone atua na linha do cabelo e, por ser resistente à água, melhora a resistência do cabelo com estilo. Estes produtos substituem o sebo natural, sem proporcionar uma sensação oleosa, e reduzem os danos causados por tratamentos oxidantes como alisamento e tratamentos permanentes.”

    Torna-se evidente que o conhecimento acerca desses ativos e de seus mecanismos de ação contribui para o desempenho, qualidade, segurança e eficácia dos produtos formulados, e que o uso indiscriminado de substâncias não autorizadas pelo órgão sanitário pode trazer vários riscos à saúde, não só ao consumidor, mas também aos profissionais que trabalham diretamente com os alisantes capilares (FERREIRA et al., 2016).



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