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Comportamento de ação dos novos e antigos alisantes na fibra capilar

Quimica e Derivados
10 de junho de 2019
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    O Brasil tem recebido imenso destaque no cenário da beleza tamanha a diversidade de raças e misturas que caracterizam a beleza brasileira como exótica e sedutora. A última década foi marcada pela busca de efeitos lisos intensos nos cabelos e com isso o surgimento de novos produtos e propostas técnicas para a realização de alisamentos, relaxamentos e reduções de volume (VARELLA, 2007).

    Atualmente existem duas categorias de alisamento, o temporário, no qual o agente primário necessário é a água e o calor, e o alisamento permanente, em que são usados ativos alisantes altamente alcalinos (pH > 9,0) e diferentes mecanismos de ação para modificar a forma do cabelo. Devido à gama de produtos disponíveis no mercado contendo esses ativos alisantes e a velocidade com que outros são lançados pela indústria cosmética, torna-se importante conhecer esses ativos, bem como seus mecanismos de ação. Esse conhecimento contribui para a segurança e eficácia dos produtos, além de evitar o uso indiscriminado de substâncias não autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, visto que alguns ativos alisantes podem oferecer mais riscos à saúde e danos aos fios do que outros (FERREIRA et al, 2016).

    O alisamento permanente promove rupturas de ligações químicas que mantêm a estrutura tridimensional da proteína queratina na sua forma rígida original, ou seja, nas ligações dissulfídicas, seguida pelo alisamento e fixação mecânica ou química da nova forma. Altera praticamente todos os aspectos da estrutura da fibra capilar para atingir seu objetivo: conferir aos cabelos uma configuração durável e diferente da sua forma nativa (VILELA et al., 2013).

    Os relaxantes de hidróxidos não possuem alto grau de tolerância com os relaxantes de tioglicolatos, porque usam principios e mecanismos químicos totalmente diferentes. A força de todos os relaxantes de hidróxido é determinada pela concentração de ions de hidróxido e pelo pH do relaxante. Em altas concentrações, o íon de hidróxido rompe as ligações de dissulfeto, removendo os átomos de hidrogênio ácido perto dos átomos de enxofre nessas ligações, que são rompidas pelos cremes relaxantes de hidróxido, e esse rompimento é permanente, podem nunca mais ser formadas. Este processo é chamado lantionização (HALAL, 2013).

    Os tioglicolatos são agentes redutores usados para alisamento. O ácido tioglicólico é o mais comum deles. Esse ácido fornece os átomos de hidrogênio, responsáveis pela ação redutora que rompe as ligações de dissulfeto. Para ter ação cortical, o ácido tioglicólico necessita da ação de um agente alcalinizante, como o hidróxido de amônio. A associação do ácido tioglicólico com o hidróxido de amônio gera o produto tioglicolato de amônio. A força desse produto é determinada pela concentração do ácido tioglicólico e do pH da solução, que deve ser alcalina.

    Após a redução das pontes dissulfídicas com o uso do tioglicolato, se faz necessária a oxidação do processo, o qual comumente utiliza o peróxido de hidrogênio de baixa volumagem nessa etapa. O alisamento utilizando a família dos tioglicolatos geram uma reação química chamada oxiredução (HALAL, 2016).

    O efeito colateral comum de todos os alisantes químicos é o dano ao eixo do cabelo. Um deles é a remoção da camada monomolecular de ácidos gordurosos covalentemente ligada à cutícula, incluindo o ácido 18-metil eicosanóico (18-MEA). Esta camada hidrofóbica retarda a água de molhar e penetrar no eixo do cabelo e alterar suas propriedades físicas. A remoção da camada de ácido graxo diminui o brilho do cabelo, tornando-se mais suscetível à eletricidade estática e à frizz induzida pela umidade. O segundo evento prejudicial é o rompimento e rearranjo de ligações dissulfureto, que afetam preferencialmente os aminoácidos contendo enxofre. Nos cabelos danificados que estão relaxados, existe uma redução de 21% de cistina e redução de 50% na metionina da raiz para a ponta do eixo do cabelo (MIRANDA‐VILELA et al., 2014).

    Tendo em vista o histórico dos produtos alisantes e a maior preocupação das autoridades sanitárias com a segurança e qualidade desses produtos, a tendência mercadológica para alisantes químicos é o desenvolvimento de formulações cada vez mais seguras e eficazes, que proporcionem ao cliente o efeito desejado: um cabelo liso e condicionado, sem aparência danificada, e que não traga consequências prejudiciais à saúde. Por isso, os produtos incrementados com aminoácidos, vitaminas e outros compostos que proporcionem hidratação e tratamentos aos fios, juntamente ao efeito liso, serão cada vez mais procurados e requisitados pelos consumidores (DELFINI, 2011).

    O cabelo é sensível às mudanças no pH e as soluções alcalinas intumescem as fibras e dilatam as cutículas, tornando o cabelo suscetível ao atrito, reduzindo sua resistência e força, uma vez que cerca de 10% da cisteína é transformada em ácido cistéico (DIAS, 2015).

    Como alternativa de alisamento para cabelos mais sensibilizados, o mercado cosmético disponibiliza o ativo tioglicolato de glicerila, objeto de estudo deste trabalho.



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