Comportamento de ação dos novos e antigos alisantes na fibra capilar

 

Química e Derivados, Comportamento de ação dos novos e antigos alisantes na fibra capilar

Química e Derivados, Comportamento de ação dos novos e antigos alisantes na fibra capilar

Comportamento de ação dos novos e antigos alisantes na fibra capilar: um estudo comparativo entre o tioglicolato de glicerila e o tioglicolato de amônio

AUTORES: Felipe Augusto Romera; Ionice Silva Melo; Devanete da Silva Oliveira Navarro; Nilce Aparecida dos Santos; Celso Martins Junior; Ana Carolina Henriques Ribeiro Machado*

Curso de Pós-Graduação em Tricologia e Terapia Capilar da Universidade Anhembi Morumbi

O ser humano tem uma relação íntima e pessoal com os cabelos. Quando nos pedem para descrevê-los, muitos de nós vamos detalhar aspectos como textura, espessura, condicionamento, maleabilidade, volume entre outras características. Portanto, uma poderosa e popular proposição de marketing, envolvendo o posicionamento de produtos para cuidados com os cabelos, é projetada para atender às necessidades específicas do “tipo” de cabelo de determinados indivíduos. Visto que o interesse pelas modificações das características capilares é permanentemente discutido, o objetivo deste estudo é comparar a ação das bases alisantes alcalinas em relação às bases alisantes ácidas nos cabelos do tipo caucasiano, apresentando uma experimentação química do comportamento de ação entre os novos e antigos alisantes, sendo eles o tioglicolato de amônio e o tioglicolato de glicerila.

INTRODUÇÃO

O cabelo humano é um apêndice contendo queratina que cresce a partir de grandes cavidades ou sacos chamados folículos, que se estendem a partir da superfície da pele através do estrato córneo e da epiderme para a derme (ROBBINS, 2002).

Evans (1994) considera a arquitetura básica dos cabelos cutícula, córtex e medula. O cabelo contém em sua superfície uma cobertura protetora grossa feita de camadas de estruturas escalares planas sobrepostas chamadas cutícula. O córtex consiste em células em forma de fuso que estão alinhadas ao longo do eixo da fibra. As células corticais contêm as proteínas fibrosas do cabelo. Os pêlos mais espessos contêm muitas vezes uma ou mais regiões porosas, denominadas medula, localizadas perto no centro da fibra. Citando ainda a quarta unidade, o complexo da membrana celular que adere ou liga as células queratinosas, e em conjunto com outros componentes de não queratina, forma a principal via de difusão para as fibras (ROBBINS, 2002)

O autor Evans (1994) afirma que os cabelos finos, grossos, crespos ou lisos são feitos dos mesmos materiais, podem ser estrutural e quimicamente semelhantes, mas sofrem formatação diferente durante o crescimento programado pelo folículo piloso, determinando os formatos da fibra. Os crespos originam-se de folículos curvos e os lisos a partir de uma geometria mais vertical e homogênea.

Por muitos anos, os cientistas cosméticos tentaram medir as características físicas do cabelo humano, como a sua forma e cor, pois estes podem ser artificialmente modificados usando produtos cosméticos. No que diz respeito à forma do cabelo, os estudos antropológicos anteriores enfatizaram sua variabilidade dentro e entre os grupos étnicos humanos. Muitos estudos distinguem amplamente três grupos étnicos de cabelos humanos e os classificam como afro-étnicos, asiáticos e caucasianos. Essa classificação ampla não pode dar conta da grande complexidade da diversidade biológica humana, resultante de vários passados ou recentes origens mistas. Assim, Loussouarn e colaboradores (2007) desenvolveram novo método de classificação da fibra capilar, baseado em parâmetros morfológicos, gerando oito classificações de cabelos, conforme a sua curvatura, como mostra figura 1. Este método propôs um sistema objetivo e preciso de classificação, sem se referir à origem geográfica.

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O mesmo grupo de pesquisadores enfatiza que essa nova classificação reflete mais adequadamente a grande diversidade da variação da forma do cabelo ao redor do mundo. No Brasil pode-se observar, conforme o gráfico 1, que o tipo de curvatura predominante compreende entre os tipos II ao IV.

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O Brasil tem recebido imenso destaque no cenário da beleza tamanha a diversidade de raças e misturas que caracterizam a beleza brasileira como exótica e sedutora. A última década foi marcada pela busca de efeitos lisos intensos nos cabelos e com isso o surgimento de novos produtos e propostas técnicas para a realização de alisamentos, relaxamentos e reduções de volume (VARELLA, 2007).

Atualmente existem duas categorias de alisamento, o temporário, no qual o agente primário necessário é a água e o calor, e o alisamento permanente, em que são usados ativos alisantes altamente alcalinos (pH > 9,0) e diferentes mecanismos de ação para modificar a forma do cabelo. Devido à gama de produtos disponíveis no mercado contendo esses ativos alisantes e a velocidade com que outros são lançados pela indústria cosmética, torna-se importante conhecer esses ativos, bem como seus mecanismos de ação. Esse conhecimento contribui para a segurança e eficácia dos produtos, além de evitar o uso indiscriminado de substâncias não autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, visto que alguns ativos alisantes podem oferecer mais riscos à saúde e danos aos fios do que outros (FERREIRA et al, 2016).

O alisamento permanente promove rupturas de ligações químicas que mantêm a estrutura tridimensional da proteína queratina na sua forma rígida original, ou seja, nas ligações dissulfídicas, seguida pelo alisamento e fixação mecânica ou química da nova forma. Altera praticamente todos os aspectos da estrutura da fibra capilar para atingir seu objetivo: conferir aos cabelos uma configuração durável e diferente da sua forma nativa (VILELA et al., 2013).

Os relaxantes de hidróxidos não possuem alto grau de tolerância com os relaxantes de tioglicolatos, porque usam principios e mecanismos químicos totalmente diferentes. A força de todos os relaxantes de hidróxido é determinada pela concentração de ions de hidróxido e pelo pH do relaxante. Em altas concentrações, o íon de hidróxido rompe as ligações de dissulfeto, removendo os átomos de hidrogênio ácido perto dos átomos de enxofre nessas ligações, que são rompidas pelos cremes relaxantes de hidróxido, e esse rompimento é permanente, podem nunca mais ser formadas. Este processo é chamado lantionização (HALAL, 2013).

Os tioglicolatos são agentes redutores usados para alisamento. O ácido tioglicólico é o mais comum deles. Esse ácido fornece os átomos de hidrogênio, responsáveis pela ação redutora que rompe as ligações de dissulfeto. Para ter ação cortical, o ácido tioglicólico necessita da ação de um agente alcalinizante, como o hidróxido de amônio. A associação do ácido tioglicólico com o hidróxido de amônio gera o produto tioglicolato de amônio. A força desse produto é determinada pela concentração do ácido tioglicólico e do pH da solução, que deve ser alcalina.

Após a redução das pontes dissulfídicas com o uso do tioglicolato, se faz necessária a oxidação do processo, o qual comumente utiliza o peróxido de hidrogênio de baixa volumagem nessa etapa. O alisamento utilizando a família dos tioglicolatos geram uma reação química chamada oxiredução (HALAL, 2016).

O efeito colateral comum de todos os alisantes químicos é o dano ao eixo do cabelo. Um deles é a remoção da camada monomolecular de ácidos gordurosos covalentemente ligada à cutícula, incluindo o ácido 18-metil eicosanóico (18-MEA). Esta camada hidrofóbica retarda a água de molhar e penetrar no eixo do cabelo e alterar suas propriedades físicas. A remoção da camada de ácido graxo diminui o brilho do cabelo, tornando-se mais suscetível à eletricidade estática e à frizz induzida pela umidade. O segundo evento prejudicial é o rompimento e rearranjo de ligações dissulfureto, que afetam preferencialmente os aminoácidos contendo enxofre. Nos cabelos danificados que estão relaxados, existe uma redução de 21% de cistina e redução de 50% na metionina da raiz para a ponta do eixo do cabelo (MIRANDA‐VILELA et al., 2014).

Tendo em vista o histórico dos produtos alisantes e a maior preocupação das autoridades sanitárias com a segurança e qualidade desses produtos, a tendência mercadológica para alisantes químicos é o desenvolvimento de formulações cada vez mais seguras e eficazes, que proporcionem ao cliente o efeito desejado: um cabelo liso e condicionado, sem aparência danificada, e que não traga consequências prejudiciais à saúde. Por isso, os produtos incrementados com aminoácidos, vitaminas e outros compostos que proporcionem hidratação e tratamentos aos fios, juntamente ao efeito liso, serão cada vez mais procurados e requisitados pelos consumidores (DELFINI, 2011).

O cabelo é sensível às mudanças no pH e as soluções alcalinas intumescem as fibras e dilatam as cutículas, tornando o cabelo suscetível ao atrito, reduzindo sua resistência e força, uma vez que cerca de 10% da cisteína é transformada em ácido cistéico (DIAS, 2015).

Como alternativa de alisamento para cabelos mais sensibilizados, o mercado cosmético disponibiliza o ativo tioglicolato de glicerila, objeto de estudo deste trabalho.O tioglicolato de glicerila é um éster de alto desempenho com baixa concentração de ácido tioglicólico, para reações químicas de oxirredução de baixa interferência em cabelos já processados por outros componentes de transformação, como alisamentos e/ou colorações, atuando de forma periférica determinada pela associação de polímeros determinados, reunindo atributos importantes que juntos possam influenciar a forma e o controle dos cabelos por meio da ação físico-química dos componentes propostos pela pesquisa. Uma nova opção para o desenvolvimento de sistemas integrados de defrisagem e de redutores de volume e alisantes ácidos (pH entre 2,0 e 4,0), por promover mudanças mais superficiais com baixo potencial oxirredutor, e, portanto, menos danos à fibra capilar (BOCK, 2017).

OBJETIVO – Comparar a ação na fibra capilar do tioglicolato de amônio, alisante alcalino, em relação ao tioglicolato de glicerila, alisante ácido, na redução de volume dos cabelos.

METODOLOGIA

Foram selecionadas 20 mechas, pesadas em balança analítica, obtendo-se o peso médio de 1,590 g ± 0,196. As mechas foram classificadas em relação ao formato como tipo 3, conforme classificação de Loussouarn e colaboradores (2007) e apresentavam coloração permanente, na altura de castanho escuro (Foto 1).

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Após a pesagem, todas as mechas foram lavadas com uma solução de 20% de lauril sulfato de sódio, enxaguadas em água corrente e secas com secador até secagem completa. Finalizado o processo de higienização, as mechas foram divididas em grupos para processamento com tioglicolato de amônio e com tioglicolato de glicerila, sendo nomeadas como Grupo A e B, respectivamente.

Nas mechas do Grupo A previamente numeradas de 01 a 10, foram aplicados 2 g de tioglicolato de amônio, fornecida pela Grandha, com leve enluvamento. Após 40 minutos de pausa, as mechas foram enxaguadas em água corrente e secas com o secador. Para dar o formato liso, submeteu-se à temperatura, com o uso de piastra, sendo realizadas 5 passagens da mesma em cada mecha. Com as mechas já no formato estipulado, aplicou-se 1 g de peróxido de hidrogênio, do mesmo fornecedor, com tempo de pausa de 15 minutos, para a neutralização do processo. Ao final do tempo de espera as mechas foram novamente enxaguadas e secas com secador, sem o uso de escova ou de piastra.

Para as mechas do Grupo B e números 11 a 20, foram aplicados 2 g de tioglicolato de glicerila, fornecida por Bruno Bock, com leve enluvamento e tempo de pausa de 40 minutos. Prosseguiu-se com de enxague em água corrente e secagem com secador. Para a neutralização, utilizou-se peroxido de hidrogênio, do mesmo fornecedor, e com o produto na fibra, finalizou-se a secagem com o secador e depois a mecha foi submetida à piastra, também por cinco vezes.

Com o intuito de determinar às dimensões dos danos que podem ser causados ao fio com os diferentes ativos alisantes, as mechas foram posteriormente pesadas em balança analítica e também submetidas à análise de microscopia eletrônica de varredura (MEV) e análise de brilho.

As pesagens objetivaram avaliar se as mechas perdiam peso após o processamento químico, uma análise simples e fácil para se relacionar a perda de massa (proteínas).

A microscopia eletrônica de varredura (MEV) gera imagens que são criadas por interação de elétrons com os átomos da amostra, deve ser primeiro metalizado. Que consiste na precipitação sob vácuo, em um filme micrométrico de material condutor como o ouro na superfície da amostra, permitindo a condução de corrente elétrica. A escolha deste equipamento para o embasamento deste trabalho é demonstrada pela qualidade e fácil compreensão das suas imagens. Isso pode ser aplicado para acessar certas propriedades de deformação do cabelo, tais como a aparência geral, deposição de partículas sobre a superfície e afiliação aos ingredientes incorporados em produtos para o cuidado do cabelo, alterações estruturais e morfológicas. Esta técnica possibilita a visualização de amostras com aparência opaca, para amplificar imagens e para medir as composições (GAMA et al., 2017).

Os fios de cabelo selecionados foram colados no “porta amostra” de carbono para posterior deposição de ouro através do processo de vaporização (sputtering). Os fios tiveram sua região central cortada para posicionamento no “porta amostra”, obedecendo sempre a mesma orientação raiz-ponta (IPCLIN, 2017 (a))

Para avaliação de brilho foi utilizado o equipamento Micro TRI-Gloss marca BYK-Gardner Inc. com a possibilidade de escolha de ângulos de incidências de 20°, 60° e 85°. A incidência escolhida foi o ângulo fixo de 85° (IPCLIN, 2017(a))

As leituras de calibração obtidas de um medidor de brilho foram relacionadas à intensidade de luz refletida a um ângulo de 85° de um vidro preto padrão, com índice de refração definido, e não a intensidade de luz incidente. O valor de intensidade para este padrão estabelecido é menor que 100 GU (do inglês “Gloss Units” ou simplesmente Unidade de Brilho). A intensidade de luz é registrada através de uma pequena extensão do ângulo de reflexão em relação à normal (IPCLIN, 2017(b))

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As mechas dos Grupos A (processadas com tioglicolato de amônio) e do Grupo B (processadas com tioglicolato de glicerila) foram pesadas em balança analítica, antes e depois da execução do processo de alisamento. Os resultados podem ser observados nas Tabelas 1 e 2, abaixo.

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No grupo A observou-se ganho de peso em relação às mechas antes da execução do alisamento, com ganho médio de 0,116g. Já nas mechas do grupo B, o ganho de peso foi menor, média de 0,014g, entretanto, em 40% das amostras pode-se observar uma pequena perda de peso. Observando os resultados das médias e do desvio padrão amostra, não foi possível constatar uma diferença significante entre os dois grupos.

Esse resultado pode ter sido causado devido aos passos de recondicionamento que existem nos dois procedimentos de aplicação, os quais apresentam substâncias como polímeros, silicones e agentes condicionantes.

Segundo Dias e colaboradores (2008), a incorporação de substâncias condicionantes com ação protetora conhecida nas formulações de produtos de alisamento pode diminuir o dano causado nos fios pelo processo de alisamento. Essas substâncias têm alta afinidade pela queratina, aderindo-se a ela, e dão ao cabelo características favoráveis.

A microscopia eletrônica de varredura, é um tipo de microscópio eletrônico capaz de produzir imagens de alta resolução da superfície de uma amostra. Pelo modo como as imagens de MEV são criadas, elas possuem aparência tridimensional característica e são úteis para avaliar a estrutura superficial de uma dada amostra (IPCLIN, 2017(a)).

Observando-se a Figura 2, obtida pela MEV, pode-se avaliar que também não foi possível identificar diferenças significativas no dano cuticular provocado pelos alisamentos com tioglicolato de amônio e com tioglicolato de glicerila.

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Conhecer as características da cutícula é essencial, uma vez que é conhecido que quando a cutícula é removida (danificada), o complexo da membrana celular também é atingido, de porosidade e pontas duplas na fibra capilar. A força do cabelo depende da integridade da cutícula e da quantidade de água nas fibras, condições que estão relacionadas a danos químicos. O dano químico por produtos para texturização da fibra podem enfraquecer o cabelo e aumentar a fricção entre as fibrilas, levando a quebras (DIAS, 2015).

A leitura de brilho em cabelos tem como princípio a captação da reflexão especular da luz após ser incidida na amostra. Em física, o fenômeno da reflexão consiste na mudança da direção de propagação da energia no retorno da energia incidente em direção à região de onde ela é oriunda, após entrar em contato com uma superfície refletora (IPCLIN, 2017(b)).

O Gráfico 1 representa a média dos valores de brilho obtidos após os tratamentos. Não houve diferença estatisticamente significativa nos valores de brilho obtidos entre as mechas submetidas ao tratamento com cada alisante (GMT e tioglicolato).

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Entre os danos causados por consequência dos alisamentos estão: a diminuição da resistência do fio, aumento da porosidade e danos à cutícula, que resulta na perda do brilho, maciez e dificuldade para pentear. Os danos causados por processos químicos são acumulativos e após o processo, o cabelo possui pouca ou nenhuma capacidade de recuperação natural, por isso não se deve combinar uma sequência de processos (GOMES, 1999).

Os dados apresentados acima corroboram com o encontrado por Dias et al, 2008:

“O silicone, por suas propriedades de lubrificação, baixa solubilidade e tensão superficial reduzida, se espalha adequadamente sobre a maioria das superfícies, formando um filme uniforme, contínuo e hidrofóbico. O filme de silicone atua na linha do cabelo e, por ser resistente à água, melhora a resistência do cabelo com estilo. Estes produtos substituem o sebo natural, sem proporcionar uma sensação oleosa, e reduzem os danos causados por tratamentos oxidantes como alisamento e tratamentos permanentes.”

Torna-se evidente que o conhecimento acerca desses ativos e de seus mecanismos de ação contribui para o desempenho, qualidade, segurança e eficácia dos produtos formulados, e que o uso indiscriminado de substâncias não autorizadas pelo órgão sanitário pode trazer vários riscos à saúde, não só ao consumidor, mas também aos profissionais que trabalham diretamente com os alisantes capilares (FERREIRA et al., 2016).Os dados avaliados neste trabalho não conseguiram avaliar diferenças significantes entre os danos causados pelo alisamento pelo tioglicolato de amônio e o tioglicolato de glicerila, provavelmente pela ação dos condicionantes e formadores de filme apresentados na formulação. Dessa maneira, sugere-se que novos estudos sejam realizados, utilizando-se apenas os agentes alisantes, sem a adicionar agentes de tratamento para que se consiga detectar se realmente existe diferença entre os alisantes. Novos ensaios também devem complementar a análise, como por exemplo, a avaliação de ruptura da fibra capilar.

O mercado brasileiro, pela sua grande variedade de tipos de cabelos, é carente de produtos alisantes que atendam a todas as necessidades, desde curvaturas até a compatibilidades com outras químicas, fazendo-se necessário que novos ativos sejam estudados.

CONCLUSÃO

A escolha do produto alisante ideal depende do tipo de cabelo em que vai ser aplicado, pois as interações que ocorrem durante os alisamentos são diferentes. Deve-se analisar previamente o cabelo, verificando-se a resistência, porosidade e densidade e histórico de tratamentos químicos. Além disso, a aplicação desses produtos deve ser feita por profissionais especializados, após seleção alisante ideal e realização de teste em mecha do cabelo, seguindo as recomendações do fabricante quanto ao tempo de pausa, tempo de exposição do produto aos cabelos, proteção da pele e do couro cabeludo (DIAS et al, 2007).

REFERÊNCIAS

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Um Comentário

  1. Olá, já ouviram falar do composto oxalato de dimetil ou ácido oxalico para alisar cabelos? Tem uma progressiva, no mercado, alegadamente natural, à base desse ingrediente. Como não entendo de química, estou querendo saber se esse composto alisa mesmo, se oferece algum perigo, etc…

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