Perspectivas 2012 – Comércio – Vendas crescem com apoio dos fabricantes e aumento nas importações químicas

Revista Química e Derivados, Rubens Medrano, Associquim, distribuição
Medrano: distribuição ajuda produtor a desenvolver mercado

Dadas as condições atuais, a distribuição avança com cautela e alguma preocupação. Os mesmos fatores que estimulam a importação de insumos químicos também atuam para incrementar a entrada de produtos acabados, como têxteis e calçados. “Aquela visão tradicional de proteger a indústria apenas com câmbio e tarifa de ingresso não funciona mais, toda a cadeia de produção precisa ser altamente competitiva”, disse Medrano.

Dessa forma, a indústria química nacional precisa contar com suprimento adequado de matérias-primas com preços razoáveis. Além disso, as vantagens naturais do país precisam ser aproveitadas, em especial no campo dos produtos naturais renováveis. “O mercado caminha nessa direção e a distribuição está atenta a isso na seleção de fornecedores, exigindo abrir novas fontes de suprimento”, considerou.

Em linhas gerais, segundo o presidente da Associquim, o desempenho dos setores industriais clientes da distribuição ficou muito próximo do esperado em 2011. Têxteis e calçados tiveram desempenho sofrível, mas isso já vem acontecendo há alguns anos e não representa uma novidade.

Os riscos inerentes às operações de importação são conhecidos e bem administrados pela distribuição química. O mais evidente deles, a variação da taxa cambial, sempre traz surpresas, nem sempre agradáveis. “Tivemos flutuações cambiais importantes no último trimestre e, como não houve tempo hábil para diluir esse impacto no balanço, alguns resultados poderão ser prejudicados”, comentou.

Expectativas favoráveis – A distribuição química começa 2012 com boas perspectivas de negócios. Segundo Medrano, a proximidade da Copa do Mundo de futebol e da Olimpíada do Rio obrigará o governo federal a intensificar as obras de infraestrutura, aumentando a demanda de insumos químicos. O quadro também se favorece com a intenção oficial declarada de reduzir a taxa básica de juros e de adotar uma política fiscal mais austera. No entanto, o dirigente lamenta que os conhecidos e funestos problemas estruturais permaneçam sem resolução. Nessa categoria estão a alta carga tributária, os custos logísticos e os associados ao trabalho, por exemplo.

O ânimo do setor é confirmado pelo reiterado interesse de players internacionais em atuar no mercado brasileiro. Em 2011, a poderosa Univar comprou a Arinos, abrindo caminho para novas movimentações. “Como o nosso mercado ainda está crescendo e há crise nos mercados desenvolvidos, esses players querem comprar ativos bons e baratos”, disse Medrano. “Só que não tem nada barato por aqui.”

Ao mesmo tempo, mais produtores químicos têm buscado parceiros comerciais para colocar seus produtos no país. “Isso amplia a qualidade da atividade. Essas distribuídas são mais seletivas para escolher seus distribuidores, exigindo qualificação e retorno financeiro”, afirmou. Ele também salienta que essas empresas geralmente querem ter relacionamentos de longo prazo e não apenas desovar produtos no país, embora ainda existam algumas interessadas em negócios de curto fôlego. “O distribuidor precisa saber das intenções de cada distribuída antes de assinar contratos e assumir responsabilidades que podem ser mais ou menos amplas”, comentou.

Pleitos setoriais – O combate à sonegação fiscal avançou muito nos últimos anos e praticamente deixou de incomodar o setor. “A adoção da nota fiscal eletrônica moralizou o mercado e quem se aproveitava dessa fragilidade acabou perdendo participação”, confirmou Medrano. Ele também atesta que os agentes fiscais foram muito qualificados e contam com poderosas ferramentas informatizadas para acompanhar cada empresa.

Por isso mesmo, a Associquim pleiteia uma simplificação nos procedimentos de fiscalização. Atualmente, cada ente federativo e suas repartições especializadas pedem conjuntos completos de dados, muitos dos quais não são pertinentes ao tributo fiscalizado. “Gostaríamos que cada repartição solicitasse apenas os dados úteis para ela, pois hoje preenchemos uma quantidade absurda de relatórios, com muitos dados redundantes”, criticou. Como essa prestação de informações é classificada como obrigação acessória ao tributo, o não atendimento à solicitação pode resultar em multas pesadas ao estabelecimento comercial.

“A máquina estatal precisa ganhar eficiência, os entes federativos podem compartilhar informações sem que os comerciantes tenham de perder tempo preenchendo relatórios”, ponderou. Para ele, isso se reflete diretamente na hipertrofia das áreas administrativas das empresas.

Um campo ainda em negociação com as secretarias da fazenda estaduais é o dos solventes. Alguns deles recolhem o ICMS mediante substituição tributária na origem. Ou seja, os produtores recolhem antecipadamente o imposto, considerando presumíveis margens de lucro agregadas em cada elo da cadeia até o consumidor final. “Como vendemos esses produtos para outras indústrias de transformação, não cabe a substituição”, disse.

Em março, a Associquim promoverá o encontro anual da distribuição química brasileira, o EBDQuim, na Praia do Forte, na Bahia. Os temas incluem visões do mercado comercial no país e no exterior, mas principalmente enfocarão o impacto dos produtos oriundos de fontes alternativas em todos os ramos da química.

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