Perspectivas 2012 – Comércio – Vendas crescem com apoio dos fabricantes e aumento nas importações químicas

química e derivados, perspectivas 2012, comércio de produtos químicosA distribuição de produtos químicos conseguiu recuperar em 2011 o faturamento anual obtido antes da crise global de 2008. Segundo estimativas preliminares da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim), as vendas do setor devem ter ficado entre US$ 6,5 bilhões e US$ 7 bilhões, com um crescimento de 15% a 20% sobre os resultados de 2010.

Importante perceber que a evolução do faturamento da distribuição se descolou do desempenho da indústria química nacional, que vem adiando sucessivamente os investimentos necessários para acompanhar o crescimento da demanda. “Isso indica a maturidade e a seriedade do setor comercial químico”, afirmou Rubens Medrano, presidente da Associquim.

Apesar disso, ele ressalta que a parceria entre a indústria e a distribuição nunca foi tão intensa quanto agora. “Não fazemos importações predatórias, mas buscamos produtos complementares e diferenciados dos por aqui produzidos”, explicou, afastando qualquer insinuação de conflito entre as partes. “Para a distribuição, é importante ter uma indústria química local forte.”

Medrano atribui o bom desempenho setorial ao fato de a distribuição ter recebido mais produtos da indústria e também ao crescimento do número de pequenas e médias indústrias consumidoras de insumos químicos, este explicado pelo avanço da economia nacional. “Ao lado da maior quantidade de produtos, a indústria nos transferiu mais responsabilidades”, afirmou.

Acostumada a responder pelo fracionamento e embalagem de produtos, formação de blends e prestação de assistência técnica para seus clientes, entre outros itens, que podem chegar à administração de estoques, a distribuição está sendo solicitada a atuar como peça importante no desenvolvimento de mercado dos fabricantes. Segundo Medrano, isso implica criar um canal de informação de mão dupla, levando aos produtores dados sobre as necessidades de mercado levantadas pelos profissionais de campo das empresas comerciais. Estes, por sua vez, levariam aos clientes mais conhecimentos sobre aplicações e inovações. “Tudo isso tem um custo, mas ainda não está claro quem vai bancá-lo”, disse Medrano. Para ele, o simples repasse aos clientes é difícil, dada a forte concorrência, enquanto o aperto da margem dos distribuidores seria indesejável.

O presidente da Associquim salienta que os volumes negociados realmente cresceram, mas as margens de lucro na distribuição apenas se mantiveram na faixa dos 3%. A elevação dos custos explica esse resultado, que contrariou expectativas iniciais do setor. Para ele, os empresários do comércio químico devem atentar para a remuneração dos seus negócios, sem deixar que a evolução positiva do faturamento os ofusque. “Algumas distribuidoras tiveram sérios problemas durante 2011 por causa disso”, apontou.

A mesma recomendação vale para o desejo de acompanhar a distribuição geográfica da atividade econômica nacional. “Estamos vendo uma desconcentração industrial que aponta para o desenvolvimento maior das regiões Nordeste e Norte do país”, confirmou Medrano. “Mas isso não justifica diretamente a abertura de bases de distribuição nessas regiões.”

Por ser uma atividade altamente regulada, dependendo de licenças, fiscalizações e certificações constantes, a operação de bases representa um alto custo, que precisa encontrar volume de negócios compatível para justificar sua implantação. Medrano prefere contar com uma estrutura de transporte eficiente a montar mais bases. “A distribuição precisa ser leve, se for pesada não vai atender bem o cliente”, explicou.

Importações em alta – Com a demanda aquecida em diversos setores, como a produção de tintas, a distribuição aumentou suas importações. Isso foi preciso, segundo Medrano, porque os clientes passaram a demandar insumos de alta tecnologia, ainda não produzidos no país. Alguns fatores contribuem para incentivar a importação, como o real valorizado em relação ao dólar e ao euro. Sobressai o ambiente recessivo em mercados importantes, como a Europa e os Estados Unidos, este esboçando uma recuperação. “A persistência de crise nessas regiões indica que o consumo mundial de produtos químicos não vai aumentar significativamente”, afirmou Medrano.

Nesse quadro, a tendência predominante não é de um derrame de produtos chineses no mercado brasileiro. “A China está cada vez mais absorvendo internamente a sua produção e segue crescendo, menos do que antes, mas cresce”, considerou. Ele também comentou a situação da produção química europeia, que pretendia lidar apenas com especialidades e itens de química fina. Esse objetivo, porém, foi bloqueado pela atuação da China e da Índia, hoje os maiores fornecedores mundiais de especialidades. Restou para a Europa ficar nas linhas de alta agregação de valor, com aplicação de inovações científicas e tecnológicas.

Revista Química e Derivados, Rubens Medrano, Associquim, distribuição
Medrano: distribuição ajuda produtor a desenvolver mercado

Dadas as condições atuais, a distribuição avança com cautela e alguma preocupação. Os mesmos fatores que estimulam a importação de insumos químicos também atuam para incrementar a entrada de produtos acabados, como têxteis e calçados. “Aquela visão tradicional de proteger a indústria apenas com câmbio e tarifa de ingresso não funciona mais, toda a cadeia de produção precisa ser altamente competitiva”, disse Medrano.

Dessa forma, a indústria química nacional precisa contar com suprimento adequado de matérias-primas com preços razoáveis. Além disso, as vantagens naturais do país precisam ser aproveitadas, em especial no campo dos produtos naturais renováveis. “O mercado caminha nessa direção e a distribuição está atenta a isso na seleção de fornecedores, exigindo abrir novas fontes de suprimento”, considerou.

Em linhas gerais, segundo o presidente da Associquim, o desempenho dos setores industriais clientes da distribuição ficou muito próximo do esperado em 2011. Têxteis e calçados tiveram desempenho sofrível, mas isso já vem acontecendo há alguns anos e não representa uma novidade.

Os riscos inerentes às operações de importação são conhecidos e bem administrados pela distribuição química. O mais evidente deles, a variação da taxa cambial, sempre traz surpresas, nem sempre agradáveis. “Tivemos flutuações cambiais importantes no último trimestre e, como não houve tempo hábil para diluir esse impacto no balanço, alguns resultados poderão ser prejudicados”, comentou.

Expectativas favoráveis – A distribuição química começa 2012 com boas perspectivas de negócios. Segundo Medrano, a proximidade da Copa do Mundo de futebol e da Olimpíada do Rio obrigará o governo federal a intensificar as obras de infraestrutura, aumentando a demanda de insumos químicos. O quadro também se favorece com a intenção oficial declarada de reduzir a taxa básica de juros e de adotar uma política fiscal mais austera. No entanto, o dirigente lamenta que os conhecidos e funestos problemas estruturais permaneçam sem resolução. Nessa categoria estão a alta carga tributária, os custos logísticos e os associados ao trabalho, por exemplo.

O ânimo do setor é confirmado pelo reiterado interesse de players internacionais em atuar no mercado brasileiro. Em 2011, a poderosa Univar comprou a Arinos, abrindo caminho para novas movimentações. “Como o nosso mercado ainda está crescendo e há crise nos mercados desenvolvidos, esses players querem comprar ativos bons e baratos”, disse Medrano. “Só que não tem nada barato por aqui.”

Ao mesmo tempo, mais produtores químicos têm buscado parceiros comerciais para colocar seus produtos no país. “Isso amplia a qualidade da atividade. Essas distribuídas são mais seletivas para escolher seus distribuidores, exigindo qualificação e retorno financeiro”, afirmou. Ele também salienta que essas empresas geralmente querem ter relacionamentos de longo prazo e não apenas desovar produtos no país, embora ainda existam algumas interessadas em negócios de curto fôlego. “O distribuidor precisa saber das intenções de cada distribuída antes de assinar contratos e assumir responsabilidades que podem ser mais ou menos amplas”, comentou.

Pleitos setoriais – O combate à sonegação fiscal avançou muito nos últimos anos e praticamente deixou de incomodar o setor. “A adoção da nota fiscal eletrônica moralizou o mercado e quem se aproveitava dessa fragilidade acabou perdendo participação”, confirmou Medrano. Ele também atesta que os agentes fiscais foram muito qualificados e contam com poderosas ferramentas informatizadas para acompanhar cada empresa.

Por isso mesmo, a Associquim pleiteia uma simplificação nos procedimentos de fiscalização. Atualmente, cada ente federativo e suas repartições especializadas pedem conjuntos completos de dados, muitos dos quais não são pertinentes ao tributo fiscalizado. “Gostaríamos que cada repartição solicitasse apenas os dados úteis para ela, pois hoje preenchemos uma quantidade absurda de relatórios, com muitos dados redundantes”, criticou. Como essa prestação de informações é classificada como obrigação acessória ao tributo, o não atendimento à solicitação pode resultar em multas pesadas ao estabelecimento comercial.

“A máquina estatal precisa ganhar eficiência, os entes federativos podem compartilhar informações sem que os comerciantes tenham de perder tempo preenchendo relatórios”, ponderou. Para ele, isso se reflete diretamente na hipertrofia das áreas administrativas das empresas.

Um campo ainda em negociação com as secretarias da fazenda estaduais é o dos solventes. Alguns deles recolhem o ICMS mediante substituição tributária na origem. Ou seja, os produtores recolhem antecipadamente o imposto, considerando presumíveis margens de lucro agregadas em cada elo da cadeia até o consumidor final. “Como vendemos esses produtos para outras indústrias de transformação, não cabe a substituição”, disse.

Em março, a Associquim promoverá o encontro anual da distribuição química brasileira, o EBDQuim, na Praia do Forte, na Bahia. Os temas incluem visões do mercado comercial no país e no exterior, mas principalmente enfocarão o impacto dos produtos oriundos de fontes alternativas em todos os ramos da química.

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.