Química

Comércio se esforça para compensar saltos do dólar

Marcelo Fairbanks
4 de maio de 2001
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    Para o ano 2001, a empresa esperava obter faturamento de US$ 110 milhões, meta agora considerada difícil pelo diretor. Como consolo, resta a consolidação da rede de filiais e centros de armazenagem da Bandeirante em João Pessoa-PB, Joinville-SC, Novo Hamburgo-RS, Feira de Santana-BA, Ribeirão Preto-RS e Campinas-SP. “Quando se tem estoque perto do cliente fica mais fácil fazer negócios, além de prestar outros serviços”, comentou. A partir de julho, todas as filiais e a sede estarão interligadas por um sistema de telecomunicação privativo de alta velocidade (VPN, da Intelig), que permitirá conectar sistemas em tempo real. A Bandeirante possui sistema informatizado de base Unix, com firewall Linux. A interligação ampliará a agilidade do atendimento das filiais, capazes de verificar a disponibilidade de produtos no estoque central, garantindo a satisfação dos pedidos, além de facilitar a troca de informações sobre crédito, pagamentos e política comercial. Até o final do ano será lançado o BandOnline, sistema dedicado de comércio virtual, que tomará por base essa rede de comunicação. “Produtos químicos precisam ser negociados diretamente, sem portais, e apenas com clientes previamente cadastrados”, comentou Abreu.

    Além de suportar a iniciativa de comércio eletrônico, contar com rede de bases no território nacional abre para a empresa novo campo de negócios, ligado à área de logística. “Hoje em dia, todas as empresas mundiais de distribuição estão se transformando em operadores logísticos, aqui no Brasil não vai ser diferente”, comentou Abreu, ressaltando a escassez de prestadores de serviços qualificados nessa área. O diretor enfatizou o fato de a companhia contar com empresa de transportes especializados, atividade complementar.

    Em 2002, a Bandeirante completa 50 anos de atuação. Para comemorar, prepara projeto de expansão, iniciado com a compra de terreno vizinho, de 50 mil m². “Até julho de 2002 estará pronta a primeira fase do projeto, com a construção de armazém de 6 mil m² e de um prédio para abrigar os laboratórios de controle de qualidade de aplicações e suporte aos clientes”, afirmou Abreu. Um desses laboratórios será equipado pela Byk Chemie, com investimento de US$ 150 mil em equipamentos, capazes de reproduzir em pequena escala uma fábrica de tintas.

    O espaço liberado do armazém antigo dará lugar à nova bateria de tanques para 1,5 milhão de litros. “Nossas operações com solventes e sistemas precisa de mais tanques para crescer”, comentou.

    A Makeni Chemicals também empreende expansão geográfica, por meio da abertura de escritórios comerciais. “Atendemos da região Centro-Oeste para baixo”, confirmou Reinaldo Medrano, que registrou crescimento acima da média de 7% a 8% registrada pelo setor no ano passado. Isso foi conseguido pela diversificação do mix de produtos, hoje avaliado em 60% de commodities e 40% nas especiaidades. “Entramos em novos segmentos, como a indústria farmacêutica, por exemplo”, disse o gerente comercial. Na sua opinião, o caminho para o futuro da distribuição é assumir postura similar à dos congêneres europeus, que enfatizam a prestação de serviços. “Os distribuidores podem atuar como operadores logísticos para a indústria química, com rigor ambiental, e ainda oferecer análises de qualidade, manipulação, reembalagem, venda fracionada e outros, conforme as necessidades dos clientes”, comentou.

    Operações logísticas também estão na ordem do dia da Morais de Castro, que já conta com operação bem montada junto à Laporte (comprada recentemente pela Degussa) para os negócios com iniciadores de polimerização. “Temos estrutura completa e estamos oferecendo esses serviços para as nossas distribuídas e para terceiros”, comentou Eduardo Castro.

    Comércio virtual – Entre 1999 e 2000, muito se falou sobre uma iminente avalanche que seria provocada pelo comércio via internet, denominado e-commerce. Depois de vários seminários e iniciativas mais ou menos agressivas, na linha “ou você entra nisso, ou estará fora do mercado”, o furacão virou brisa. “Vários sites para e-commerce abriram e fecharam em pouquíssimo tempo, a infra-estrutura de telecomunicações ainda é ruim e os negócios continuam sendo feitos como de costume”, disse Rubens Medrano. Na sua avaliação, a internet segue como ferramenta muito importante para comunicação entre fabricantes, distribuidores e clientes finais, mas ainda é preciso avaliar melhor a questão das vendas pela rede. “Até porque os produtos químicos exigem licenças especiais de vários órgãos, como Polícia Civil e Federal, Ibama, Defesa Sanitária e outros, conforme o caso, agravadas pelo fato de faltar empresas especializadas para operações logísticas”, comentou. “Alguém precisa entregar o produto.”

    “Entendemos que cada empresa deve contar com site próprio, funcionando mais como prestação de serviços do que como arma de venda”, afirmou o gerente comercial Reinaldo Medrano, da Makeni. Para ele, a venda pessoa a pessoa ainda é mais eficaz, permitindo negociações mais amplas. Ao mesmo tempo, a Makeni se cadastrou no portal Mercado Eletrônico, pelo qual recebe muitas consultas. “Por enquanto as pessoas usam o serviço de forma especulativa, sem gerar negócios”, explicou.



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