Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Comércio de Produtos Químicos – Dólar caro e portos parados prejudicam comércio químico

Marcelo Fairbanks
11 de junho de 2002
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    Química e Derivados: Comércio: Eduardo Castro - conhecer a cultura do cliente é fundamental.

    Eduardo Castro – conhecer a cultura do cliente é fundamental.

    O processo de globalização econômica promoveu a homogeneização das normas em todo o mundo. As companhias internacionais seguem as mesmas diretrizes onde quer que atuem, segundo o presidente da entidade setorial. Há vários sistemas de auditoria ambiental e de qualidade, como a série ISO 14000, o programa Atuação Responsável (liderado pela Abiquim), o Coatings Care (da indústria de tintas), e o Transquality (da Associação Nacional dos Transportadores de Cargas – ANTC). Medrano considera louvável o aparecimento de programas setoriais, pois é impossível imaginar uma norma que contemplasse as particularidades de todas as atividades. “Porém, o ideal seria existir uma norma muito genérica, comum a todos os ramos, de modo a promover os fundamentos ambientais a serem especificados nos programas setoriais”, defendeu. Isso permitiria fácil harmonização entre os sistemas. Medrano salienta que o Prodir apresenta elevada compatibilidade com o Atuação Responsável, de modo a garantir a união da cadeia produtiva.

    Incentivadas pelos fabricantes químicos e pelos órgãos oficiais de controle ambiental, muitas distribuidoras já contam com sistemas eficientes de proteção. “Atendemos a todos os requisitos ambientais e também de segurança ocupacional”, frisa Eduardo Castro, da Morais de Castro.

    A profusão de normas aplicáveis ao comércio de produtos químicos, no entanto, exige algum esforço de compatibilização. “Estamos implementando um sistema integrado de gestão para harmonizar as normas que atendemos ou vamos atender em breve”, afirmou Abrantes.

    A ICQ desenvolve trabalhos com as normas ISO 9000:2000 e 14000, SA 8000, e também é signatária do Prodir. O sistema integrado de gestão evitará a duplicidade de controles e atividades redundantes ou contraditórias, harmonizando as exigências e os investimentos da companhia. Deve estar pronto em março de 2003.

    Um efeito imediato da aplicação das normas ambientais pode ser encontrado no projeto das novas instalações da Ipiranga Comercial Química. “O CD será montado no conceito de geração zero de resíduos”, afirmou o superintendente. Para tanto, a empresa investirá em sistemas automatizados para gerenciar as operações de carga/descarga, manobras de tanques, embalagem e processamento, além de prever detalhes específicos, como coleta independente de águas de lavagem dos pátios e armazéns, bacias de contenção adequadas, além de uma estação própria para tratar efluentes. Até os vapores emanados dos tanques serão oxidados e filtrados antes de lançados ao ambiente. O projeto foi encomendado à área de engenharia da Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga, com apoio técnico da Isatec. “Será uma base de primeiro mundo, que servirá de exemplo para toda a companhia”, comentou.

    A rede caiu – O estouro das empresas da chamada Nova Economia, com ações cotadas na Nasdaq, acabou com a proliferação de portais eletrônicos para venda de produtos químicos pela internet. A quase totalidade dessas operações ou fechou ou foi redirecionada para o e-procurement, meio para comprar itens desejados, consultando vários fornecedores pré-cadastrados.

    “O e-commerce como canal de venda de químicos já foi descartado, aqui e em todo o mundo”, comentou Rubens Medrano. No setor, o contato direto entre fornecedor e cliente é fundamental. “Nós precisamos saber para quem nós estamos vendendo, até porque somos solidariamente responsáveis pelo destino do produto”, disse.

    Houve um ponto estratégico que também emperrou a adoção de portais abertos. Para participar deles, seria preciso transferir grande quantidade de informações, como relação de produtos e de clientes, movimentação de materiais, etc. “No caso da quebra do portal, não estaríamos protegidos contra o arresto do banco de dados para pagar dívidas, e ficaríamos vulneráveis”, comentou Medrano.

    Ele afirmou que as empresas do setor investiram para montar redes internas de computadores e também para melhorar a estrutura de comunicação. Também presidente da Makeni Chemicals, que adotou plataforma Oracle para gerenciar informações, ele considera que as despesas não foram desperdiçadas. “Fazemos muitas operações de compra e acompanhamento de pedidos com nossos fornecedores”, explicou. “Além disso, a internet é excelente ferramenta de comunicação com os clientes, tanto para a apresentação de produtos, como para acompanhamento de pós-venda.”

    Opinião semelhante tem o superintendente da ICQ. “A internet é uma boa feramenta, mas o sistema geral de negócios torna seu uso inviável”, comentou Abrantes. A impossibilidade de conciliar a operação de venda em tempo real, com a lenta aprovação do crédito do cliente e com o prazo de entrega, mais demorado ainda por força da má estrutura viária brasileira, condenaram ao fracasso as iniciativas comerciais na área. Abrantes salientou que os portais operados pelas indústrias químicas funcionam bem, permitindo melhor relacionamento entre distribuidor e fornecedor, tanto para transferência de tecnologia, como para operações comerciais. “Permanece o e-procurement, no qual quem quer comprar pede cotação, mas isso ainda é embrionário, há muita especulação e poucos negócios.”

    Os investimentos em sistemas de dados internos continuam mantidos. “Investimos R$ 1,8 milhão para adotar a versão mais recente do Oracle e depois vamos fazer a integração total dos sistemas, permitindo que nossa página própria tenha funções operativas para clientes cadastrados”, explicou. Operando sistema próprio, talvez a venda por e-mail ganhe relevância, complementando a atuação do telemarketing.



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