Economia

Comércio químico amplia relevância na cadeia produtiva – Distribuição

Marcelo Fairbanks
26 de março de 2019
    -(reset)+

    Setor se adaptou – A distribuição química possui grande capacidade de adaptação aos movimentos de mercado, com ampla flexibilidade para alterar seu mix de produtos e de segmentos atendidos. Essas características permitiram ao setor atravessar o recente período de crise sem registrar falências. Pelo contrário, houve fusões e aquisições importantes nos últimos anos envolvendo empresas brasileiras, casos de quantiQ, Coremal, Arinos, Makeni, D’Altomare, entre outros. Isso permitiu a entrada de players globais no mercado local, como Univar, IMCD, GTM e Pochteca, por exemplo.

    Atenta às necessidades dos clientes, a distribuição buscou novas fontes de suprimento no exterior, em particular das especialidades químicas, cuja produção local é escassa. Isso se refletiu no aumento da participação de itens importados no mix de vendas do comércio químico. “Há dez anos, o mix era composto de 80% de produtos nacionais e 20% de importados, atualmente, a participação nacional ainda é preponderante, mas a relação caiu para 60% e 40%, a venda maior de especialidades explica essa mudança”, comentou. Para Medrano, a indústria química brasileira precisa ficar atenta a esse movimento e investir para suprir a demanda. “Do ponto de vista do distribuidor, é vantajoso ter um fornecedor local.”

    Dados preliminares da Associquim apontam um crescimento de 10% no faturamento dolarizado da distribuição nacional em 2018. Considerando que a entidade registrou faturamento de US$ 6 bilhões em 2017, o número de 2018 deve chegar a US$ 6,6 bilhões. “Poderia ter sido melhor, começamos o ano passado com boas perspectivas, pois o governo Temer estava tomando as medidas certas e o ambiente era favorável aos negócios”, disse. “Porém, em maio, veio a greve dos caminhoneiros que atrapalhou muito toda a atividade produtiva e, na sequência, as atenções se voltaram para o mundial de futebol, depois veio o período de campanha eleitoral, mesmo assim, conseguimos crescer.”

    Além de ter atrasado e até inibido negócios, a greve dos caminhoneiros desencadeou um efeito não previsto pelos grevistas: muitas empresas resolveram investir em frotas próprias de carga. “Foi uma pena, já tínhamos superado essa fase e agora voltamos atrás”, lamentou o dirigente, frisando que sempre foi contrário a investimentos da distribuição em frota própria, pelo seu alto custo e baixa eficiência. “Também precisamos olhar para soluções logísticas mais adequadas, transportar por caminhão custa muito caro.” Com isso, as vendas da distribuição ficaram concentradas no primeiro e no terceiro quadrimestres do ano passado.

    Medrano também recomenda levar em consideração o fato de os anos anteriores – 2015, 2016 e 2017 – terem apresentado resultados muito ruins. O faturamento de 2014, por exemplo, chegou a US$ 6,8 bilhões, tendo recuado para US$ 5,5 bilhões em 2015. Só em 2017 o setor voltou aos US$ 6 bilhões.

    Ainda como benefícios do governo Temer, o dirigente setorial citou mudanças no setor de produtos controlados da Polícia Federal, que reduziu a lista de itens controlados e facilitou procedimentos internos. “Agora, a fiscalização não engessa mais a atividade comercial, mas o controle continua efetivo”, avaliou.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *