Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Produtos Químicos – Instabilidade cambial prejudica o comércio

Marcelo Fairbanks
25 de abril de 2003
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    Novos paradigmas – O comportamento frouxo da demanda por produtos químicos, no Brasil e no mundo, tornou mais acirrada a disputa por negócios. Em algumas linhas de produtos, a situação chegou a um ponto crítico, com guerra aberta de preços entre fornecedores. “Está sobrando produto no mundo, até nas especialidades”, comentou Silvio Mosseri, diretor da Agroquímica Maringá. Nesse panorama, cada distribuidor precisa adequar seu portfólio para manter o atendimento aos clientes e a rentabilidade.

    Química e Derivados: Comércio: Mosseri - portfólio renovado ajuda a competir.

    Mosseri – portfólio renovado ajuda a competir.

    Com faturamento da ordem de US$ 24 milhões, em 2002, a Maringá buscou novos fornecedores e reforçou a atuação nos serviços prestados aos clientes. “Por exemplo, nas máquinas de desengraxe, nossos técnicos inspecionam o equipamento e testam a qualidade dos solventes, antes de pensar na venda dos produtos”, explicou.

    As commodities respondem por 85% das vendas, com margens cada vez mais apertadas. Com política de manter estoques para 45 dias de operação, a empresa enfrenta a valorização do real. “Tenho produtos comprados com o dólar a R$ 3,50, que terão de ser vendidos por preço de mercado, bem abaixo disso”, lamentou.

    As vendas são muito ligadas à Dow, cujos produtos representam 55% (50% Dow e mais 5% da antiga Union Carbide) do faturamento da distribuidora. “Não absorvemos mais produtos da linha Carbide porque já temos contratos muito interessantes com a Oxiteno, que tem produção local”, comentou Mosseri. A venda de produtos Oxiteno representa 25% do faturamento da Maringá, que também distribui Air Products e Basf.

    Como novidades, Mosseri menciona ter conquistado a distribuição nacional exclusiva da Shell para isoparafinas e metil-proxitol (éter glicólico), com preços muito competitivos. Além disso, foram firmados acordos para a distribuição de acetato de etila da Bultilamil, bem como de especialidades da Angus (pertencente à Dow).

    “Também temos acordo com a MK Química, de Porto Alegre, para atuar com produtos acrílicos para a indústria de couros”, afirmou Mosseri. A ampliação de portfólio exigirá adaptações por parte do distribuidor. Segundo o diretor, toda a tancagem está sendo reformada, com os vasos sendo reformados com aço inox ou revestidos com aço resinas, de modo a aumentar a flexibilidade operacional.

    Atualmente, a Maringá atende a clientes nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e no Centro-Oeste, com operações também em Porto Alegre, onde poderá abrir filial.

    Entre os mercado atendidos, ganharam destaque as linhas farmacêuticas e veterinárias (com produtos auxiliares e complementos de formulações), cosméticos e fragrâncias, seguidos pelo de tintas, o maior em volume de negócios, porém com baixa rentabilidade. Em seguida aparecem açúcar e álcool, limpeza de metais, produtos de limpeza, borracha, têxtil e poliuretano. Nestes, as vendas têm sido mais atraentes nas especialidades, como os catalisadores, agentes de cura e silicones.

    “Tem muita gente no mercado de tintas, isso tirou atratividade até das formulações, que cresceram menos que o previsto inicialmente”, comentou Mosseri. Além disso, segundo ele, o custo das vendas está elevado, pois os clientes preferem fracionar os pedidos, ampliando a despesa com entregas.

    Para 2003, a expectativa é otimista, a partir da estabilização cambial e de que se efetivem as reformas prometidas pelo governo federal, principalmente em matéria tributária. “Daqui não sai nem uma amostra sem nota fiscal”, disse.

    A empresa está se certificando na versão 2000 da série ISO 9000, além de ter implantado um sistema informatizado completo, com base em Oracle, com linguagem Delphi. “Interligamos todas as áreas, permitindo grande flexibilidade operacional, principalmente para a equipe de vendas”, disse.

    Química e Derivados: Comércio: Castro - Bahia cresce com carros e calçados.

    Castro – Bahia cresce com carros e calçados.

    Nordeste competitivo – Apesar das turbulências econômicas de 2002, a Morais de Castro conseguiu ampliar em 8% seu faturamento, que chegou a R$ 24 milhões, com 14% de incremento no volume físico movimentado, alcançando resultado operacional positivo. “Os produtos perderam preço durante 2002, principalmente a soda cáustica, que teve preços altos durante 2001 e despencaram depois de superado o apagão”, comentou o diretor Eduardo Castro.

    Este ano começou bem, mas perdeu fôlego em abril. “Se repetirmos 2002, já será muito bom”, avaliou o empresário. Na Bahia, segundo ele, o pólo calçadista apresenta crescimento significativo, obrigando a ampliar o portfólio de produtos. Também a instalação da Ford em Camaçari-BA já se reflete nos negócios da distribuidora, “principalmente com os sistemistas e a área de utilidades”, como informou Castro. Atenta às novas necessidades, a distribuidora cresceu em especialidades químicas e solventes orgânicos diversos.

    Ele comentou que a região está atraindo número considerável de distribuidores atuantes em outras regiões do País. “Não temos linhas conflitantes com eles, mas percebemos que já há guerra de preços em alguns produtos”, avaliou. Na sua opinião, a distribuição química valoriza a atuação regional, sempre reconhecida pelos tradicionais contratos com as distribuídas nacionais. “Temos 40 anos de experiência na região, que não é homogênea e apresenta dificuldades logísticas que redundam em custos elevados”, explicou.



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