Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Produtos Químicos – Instabilidade cambial prejudica o comércio

Marcelo Fairbanks
25 de abril de 2003
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    Do ponto de vista ambiental, o setor deslancha o Programa de Distribuição Responsável (Prodir). Atualmente, estão sendo credenciadas as empresas de auditoria que avaliarão o desempenho das empresas que se candidataram. A idéia da Associquim é contar com duas ou três auditoras, independentes de serviços de consultoria, um casamento que o escândalo Enron (EUA) acabou por sepultar. “Em setembro, os auditores serão definidos, iniciando a verificação de conformidades até o final do ano, de modo que possamos anunciar as primeiras empresas certificadas no Prodir durante o EBDQuim”, programou Medrano.

    A questão da segurança ligada à distribuição química ganhou relevo desde os atentados terroristas realizados nos EUA, em setembro de 2001. Considerados alvos estratégicos, todas as instalações que armazenem produtos químicos e os seus sistemas de transportes ficaram sob severa vigilância das autoridades. “No Brasil o terrorismo não é problema, mas o roubo de cargas e os assaltos às empresas preocupam”, informou Medrano. As entidades setoriais tentam quantificar quanto as empresas comerciais gastam na prevenção dessas ocorrências, de modo a identificar o impacto nos custos. “Quem investe em segurança consegue reduzir o prêmio de seguro, mas fica caro trabalhar só com caminhões rastreados, contar com escolta e vigilância armada”, comentou. O item segurança, nessa acepção, também foi incluído nos quesitos do Prodir.

    Desempenho estável – A Ipiranga Comercial Química (ICQ), maior distribuidora do ramo no País, conseguiu obter resultado líquido de R$ 12 milhões em 2002, o mesmo alcançado em 2001. “Em face das turbulências ocorridas na economia e política nacionais, foi até um bom desempenho”, comemorou Abrantes. Na sua análise, o primeiro semestre do ano passado foi muito fraco em negócios, melhorando no período seguinte, apesar da disputa eleitoral que dominou o noticiário nacional. “Avançamos com uma política de buscar resultados mês a mês, ficando mais atentos às oportunidades de negócios”, explicou. Em 2002, a empresa fincou o pé no mercado de ingredientes para a indústria de cosméticos, encontrando grande receptividade junto aos clientes. Segundo o superintendente, esse negócio está ainda em maturação, possui características e sazonalidades próprias, mas já mostra resultados.

    Também no ano passado, a ICQ concluiu a modelagem de seu sistema integrado de gestão, que permeia todos os níveis operacionais e administrativos, no qual foram investidos US$ 4 milhões. Usando plataforma Oracle, o sistema foi desenvolvido pelo grupo Ipiranga, sendo orientado para a gestão de negócios, permitindo também acesso remoto, o que aumentou a velocidade das decisões do pessoal de campo. “O sistema é tão bom que poderá ser vendido para outras companhias, no futuro”, comentou Abrantes.

    Ao mesmo tempo, a empresa investiu na montagem de duas linhas de aproximação com clientes. A primeira consiste em “levar a ICQ para a casa dos clientes”, ou seja, clientes estratégicos recebem visitas de um grupo de profissionais de todos os departamentos da distribuidora, de modo a estudar e resolver todos os detalhes necessários para agilizar e ampliar os negócios entre elas. Outra forma de relacionamento consiste em convidar vários clientes para conhecer a ICQ simultaneamente, estreitando vínculos. “A experiências com essas duas iniciativas foram enriquecedoras”, comentou.

    A construção do novo centro de distribuição em Guarulhos-SP, junto com a reestruturação das bases (Canoas-RS, Araucária-PR, Duque de Caxias-RJ, Camaçari-BA e Recife-PE), e a abertura de escritórios de vendas em São José do Rio Preto-SP e Goiânia-GO, somadas às reestruturações de gestão interna, fazem parte do plano estratégico desenvolvido por Abrantes com vistas ao próximo decênio da empresa. “Vamos dobrar nosso faturamento até 2006”, afirmou. Em 2002, o faturamento bruto somou R$ 345 milhões.

    A expectativa para 2003, no entanto, é pouco animadora. “Nossos clientes nos informaram que esperam um crescimento do PIB entre 2% e 2,5%, bem melhor que o 1% de 2002, mas ainda tímido”, disse. Essa previsão pode ser conservadora demais, pois Abrantes acredita que, a partir da estabilização da economia e com o bom desempenho dos setores exportadores, os resultados possam ser bem melhores. Janeiro e fevereiro apresentaram vendas muito boas, em comparação com anos anteriores. Março e abril, porém, encurtados pelos feriados e pressionados pela queda do dólar, foram fracos. Além disso, a inadimplência cresceu dos históricos 0,5% para 1%, principalmente no mercado de resinas plásticas, muito pulverizado.

    O amplo portfólio da ICQ sofreu poucas alterações no ano passado, com mudanças concentradas na linha de cosméticos. A companhia atua com 73 fornecedores, vinte dos quais de origem nacional. “O mix é bem definido, com os produtos estrangeiros mais ligados às especialidades químicas sem produção local”, comentou.

    A novidade para 2003 consiste em solventes “ecológicos”, em lançamento a partir de maio. “Trata-se de uma linha de solventes hidrocarbonetos com baixo teor de aromáticos e de enxofre, obtidos a partir de cortes especiais do processo da Refinaria Ipiranga”, explicou o gerente nacional de vendas da ICQ, João Miguel Chamma. Segundo informou, o aguarrás convencional contém entre 8% e 13% de compostos aromáticos em sua composição. O solvente dito ecológico terá apenas 0,1% desses compostos.



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