Logística, Transporte e Embalagens

Comércio: Perspectivas 2009 – Cortes apressados podem impedir o aproveitamento de boas oportunidades

Marcelo Fairbanks
17 de janeiro de 2009
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    Do ponto de vista dos atacadistas químicos, não é o momento para sair comprando produtos e aumentar estoques, embora os preços estejam convidativos. “A tendência mundial é de queda nas cotações das matérias-primas. Por que comprar hoje se amanhã pode ficar mais barato?”, questionou. Além disso, a mentalidade da distribuição química está voltada para suprimentos de longo prazo, incompatível com operações meramente oportunísticas. Também as chamadas “queimas” de estoques para geração de caixa não estão sendo observadas. “Isso só pode ser feito quando o estoque é alto e existe demanda, não é o caso atual”, comentou.

    Embora a queda de vendas tenha sido generalizada, o dirigente setorial identifica a construção civil como um segmento promissor para 2009. Especialmente as obras ligadas aos investimentos públicos (infraestrutura) e das estatais. “Também as vendas de materiais de construção no varejo, o mercado ‘formiguinha’, devem ser mantidas no nível de 2008”, avaliou.

    Há muitas incógnitas no panorama global que turvam as previsões para os próximos meses. “Temos a posse de Obama nos Estados Unidos e ainda não sabemos como a China vai se comportar, se vai manter seu ritmo de crescimento ou não”, exemplificou. Também o preço do petróleo, perto de US$ 40 por barril, em janeiro, é considerado baixo demais para ser mantido a longo prazo. Medrano acredita que os membros da Opep reduzirão a oferta e que os estoques em poder de especuladores devem ser desovados logo, forçando a recuperação das cotações a ser determinada pela demanda mundial.

    Para o Brasil, ele informa que as empresas do comércio químico avançaram muito na profissionalização e podem atravessar a turbulência. Por enquanto, a palavra de ordem no setor é cautela para investir, ou mesmo para cortar custos. “Dependemos de mão-de-obra especializada, que não pode ser dispensada sem criar graves prejuízos para as empresas”, disse Medrano. Manter o quadro pessoal qualificado e o fluxo de caixa equilibrado será fundamental para realizar bons negócios quando eles aparecerem. A Makeni Chemicals, distribuidora química do dirigente setorial, por exemplo, adiou a ampliação de sua base operacional para tempos mais animadores, mas preservou a equipe.

    Tempo ruim lá fora – “A recessão nos EUA e na Europa será a mais profunda desde a segunda guerra mundial”, prevê o consultor Marc Fermont, da suíça DistriConsult, em sua newsletter. Os países emergentes BRIC (Brasil, Índia, China e Rússia) devem manter taxas de crescimento positivas, porém reduzidas, enquanto a Europa Central freará bruscamente sua atividade. Países industrializados que sejam inovadores e competitivos, como a Alemanha, conseguirão crescer. Já os que trocaram atividades industriais por serviços financeiros, como a Inglaterra, sofrerão mais.

    A atividade bancária e financeira ganhará nova regulamentação mundial e passará por forte reorganização. “Bancos são fundamentais para movimentar a economia, mas o setor financeiro deve se concentrar no core business em vez de se meter em atividades complexas que não conhece bem”, apontou. Os fundos de investimento mudarão seus modelos de negócios e devem absorver as perdas de valor de seus portfólios, adequando-os ao desempenho esperado das companhias que controlam.

    A indústria química em geral deve entrar em nova fase de corte de custos e demissões. A distribuição química, segundo o consultor, pode aproveitar para contratar esse pessoal altamente qualificado e também assumir posições mais favoráveis na cadeia de suprimentos, oferecendo mais eficiência no atendimento aos clientes. “Os distribuidores bem gerenciados, com bom quadro técnico e condições de atender bem aos compradores, terão grandes vantagens”, avaliou.

    As fusões e aquisições na distribuição química serão feitas em ritmo mais lento e com muito mais cautela, mirando objetivos de longo prazo. Além disso, os mecanismos de defesa da concorrência ficarão mais rígidos, anulando negócios problemáticos. “A distribuição encontrará muitas oportunidades e desafios em 2009”, concluiu Fermont.



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