Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Comercialização – Distribuidores revisam suas estratégias para vencer a crise global

Marcelo Fairbanks
17 de abril de 2009
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    Química e Derivados, João Miguel Thomé Chamma, Gerente da divisão de químicos da quantiQ, Comercialização

    João Miguel Thomé Chamma: participação das especialidades deve crescer

    Marca renovada – Agora sob a nova denominação quantiQ, a antiga Ipiranga Química obteve receita bruta superior a R$ 800 milhões em 2008, mas amarga redução de vendas de 13% em volume e de 7% em reais no primeiro trimestre de 2009, comparado a igual período do ano anterior. E o começo do ano passado foi fraco, como se recorda João Miguel Thomé Chamma, gerente da divisão de químicos. “As vendas de 2008 ficaram muito fortes depois de abril, atingindo o pico em setembro, quando começou a crise mundial”, comentou. Os preços do início de 2009 estão em um patamar próximo aos do início do ano anterior, evidenciando que a alta expressiva do ano passado era insustentável.

    Chamma explica que as vendas dos produtos de consumo de baixo valor pouco foram alteradas, mantendo um volume de negócios razoável nos produtos químicos usados em embalagens, tintas de impressão, domissanitários, cosméticos e alguns plásticos. O setor agroindustrial começou mal o ano, mas já dá sinais de recuperação. “Nossa divisão de alimentação animal sofreu com a queda nas exportações de frangos e suínos”, informou.

    A indústria automobilística aproveitou a redução do IPI para desovar estoques, reativando a produção apenas em março. Esse segmento, direta ou indiretamente, tem forte influência nos resultados da distribuição química, também afetada pela alta do dólar em relação ao real. “De modo geral, o segundo trimestre deve superar o primeiro, mas esperamos melhores resultados no segundo semestre”, disse Chamma. Para ele, se as vendas de 2009 se igualarem às de 2008, o resultado será excelente. O panorama de negócios prevê estabilidade do dólar na faixa de R$ 2,30, com o petróleo Brent entre US$ 30 e US$ 50 por barril.

    A quantiQ olha com atenção a geração de caixa nas linhas de negócios, com 85% do faturamento oriundo da divisão de químicos e 15% das life sciences. “A meta é elevar essa participação para 30%”, confirmou Chamma. Esses produtos, mais ligados às especialidades, apresentam demanda mais estável e rentabilidade maior, porém exigem mais investimentos para ingressar no mercado.

    Ele recomenda especial cuidado para manter estoques adequados ao volume da demanda estimada para o período seguinte. “Estamos terminando agora a fase de adaptação, pois muitos produtos estavam em trânsito e só chegaram ao Brasil em novembro e dezembro, no auge da crise”, informou. Esses produtos foram internados com valores acima dos praticados pelo mercado, gerando algum prejuízo. “Na distribuição, de 80% a 90% dos custos se relacionam com a aquisição dos produtos”, explicou.

    Detentora de um portfólio amplo e com atuação nacional, reforçado por estruturas modernas e certificadas, a quantiQ enfatiza o aumento da produtividade como ferramenta para construir a rentabilidade. A ideia é fazer o mesmo faturamento com menores custos, eliminando excessos. Porém, sem mexer no quadro de pessoal. “Demitir funcionários não aumenta produtividade”, considerou. Ele aponta o combate às devoluções, as perdas de produtos e as falhas de atendimento como os inimigos a aniquilar.

    Com 25 anos de atuação no Nordeste, a distribuidora identifica oportunidades de negócios crescentes na região. A começar pelo anúncio de duas novas e grandes refinarias a ser ali construídas. “A região é menos diversificada que o Sudeste, mas há grandes oportunidades de negócios”, comentou, apontando a existência de mais de vinte fabricantes de tintas nordestinos.
    Porém, as operações interestaduais geram créditos de ICMS que nunca são restituídos, ou seja, devem ser tratados como um componente de custos. “Quem não avalia antes esse problema pode acabar com uma grande dor de cabeça depois”, disse.
    Solventes deprimidos – A avaliação de Abreu sobre o setor de solventes aponta para uma excessiva pulverização de players. “As petroquímicas estão implantando um sistema para melhorar a confiabilidade e a segurança do negócio de solventes e isso tende a selecionar os distribuidores”, comentou. Ele informou que a demanda desses hidrocarbonetos no primeiro trimestre de 2009 caiu 25% em relação a 2008, por conta do fraco consumo nas tintas imobiliárias e industriais e da retração da extração de óleos vegetais. Isso deprimiu os preços e acirrou a concorrência.

    Química e Derivados, Hélio Cury, Diretor da Bestquímica, Comercialização

    Hélio Cury: demanda por envase qualificado continua grande

    “Alguns solventes hidrocarbonetos registraram queda de 37% nos preços em apenas um mês; com isso, o estoque virou prejuízo”, avaliou Hélio Cury, diretor da Bestquímica. Com 45% das vendas destinadas ao setor de tintas e vernizes, a distribuidora tem nos solventes uma boa parcela de faturamento. Segundo Cury, os solventes sintéticos também sofreram forte redução de preços. “Só em fevereiro, a acetona caiu 30%”, afirmou.



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