Química

Código da vida: cientistas dividem Prêmio Nobel de Química 2020 – CFQ

Quimica e Derivados
7 de outubro de 2020
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    Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna

    Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna

    As pesquisadoras Emmanuelle Charpentier e Jennifer A. Doudna são as ganhadoras do Prêmio Nobel 2020 de Química, anunciado nesta quarta-feira (7), pelo desenvolvimento do método de edição do genoma chamado CRISPR (da sigla, em inglês, Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats, ou seja, Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas).

    Quando descobriram a tecnologia em 2012, não poderiam imaginar que entrariam para a história pelo fato de serem as primeiras mulheres a ganhar o prêmio juntas. Charpentier e Doudna se encontraram pela primeira vez em 2011 em um café em Porto Rico. Foi Charpentier que propôs uma colaboração entre as duas pesquisadoras.

    Na manhã de hoje, após o anúncio, transmitido pela internet, Charpentier respondeu a uma pergunta de um jornalista sobre a conquista e enfatizou a importância das mulheres nas ciências.

    “Espero que essa premiação ofereça um exemplo positivo, especialmente para as jovens que queiram seguir o caminho das ciências, mostrando que as mulheres também podem ganhar prêmios mais importantes e ter um impacto positivo nas pesquisas”, frisou.

    De acordo com a Academia, Emmanuelle Charpentier nasceu em 1968, na França, é bioquímica e microbiologista especializada em vírus. Ela é diretora do Instituto Max Planck, de Biologia de Infecções em Berlim, na Alemanha.

    Já a cientista Jennifer A. Doudna nasceu em 1964, nos Estados Unidos, é Ph.D. em Química Biológica e Farmacologia Molecular em Harvard, além de ser professora da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e pesquisadora do Howard Hughes Medical Institute. Elas dividirão 10 milhões de coroas suecas, o que corresponde a cerca de R$ 6,3 milhões.

    Antes delas, cinco mulheres já haviam ganhado o Nobel em Química: Marie Curie (1911), Irène Joliot-Curie (1935), Dorothy Crowfoot Hodgkin (1964), Ada E. Yonath (2009) e Frances H. Arnold (2018).

    CRISPR/Cas9, uma das ferramentas mais afiadas da tecnologia genética

    As cientistas descobriram as chamadas “tesouras genéticas” CRISPR/Cas9 em 2012, mas foi a partir de 2015 que a tecnologia ganhou mais destaque. Segundo a Academia Real de Ciências da Suécia, usando esse método de edição do genoma, as pesquisadoras podem alterar o DNA de animais, plantas e microrganismos com extrema precisão.

    “Essa tecnologia teve um impacto revolucionário nas ciências da vida, está contribuindo para novos tratamentos para o câncer e pode tornar realidade o sonho de curar doenças hereditárias. Essas tesouras genéticas levaram as ciências da vida para uma nova época e, de muitas maneiras, estão trazendo grandes benefícios para a humanidade”, informa a Academia.

    Nesta quarta-feira, ao anunciar o Prêmio Nobel de Química, direto de Estocolmo (Suécia), o secretário-geral da Academia Real de Ciências da Suécia, Göran Hansson, resumiu as descobertas como a “reescrita do código da vida”.

    Já Claes Gustafsson, responsável pelo Comitê do Nobel de Química, afirmou que há um “enorme poder nessa ferramenta genética, que afeta a todos nós”. “Não apenas revolucionou a ciência básica, mas também resultou em cortes inovadores que nos levarão a tratamentos médicos inovadores”.

    Quem são as laureadas

     Emmanuelle Charpentier (França)

    Algumas pessoas a chamam Emmanuelle Charpentier de motivada, atenciosa e meticulosa. Outros dizem que a pesquisadora sempre busca o inesperado. Ela mesma cita Louis Pasteur: “O acaso favorece a mente preparada”.

    O desejo de fazer novas descobertas e o desejo de ser livre e independente têm governado seu caminho. Incluindo seus estudos de doutorado no Instituto Pasteur, em Paris. Já morou em cinco países diferentes, sete cidades diferentes e trabalhou em dez instituições diferentes, segundo a Academia Real de Ciências da Suécia.

    A maioria de suas pesquisas tem um denominador comum: bactérias patogênicas. Por que eles são tão agressivos? Como eles desenvolvem sua resistência aos antibióticos? E é possível encontrar novos tratamentos que possam interromper seu progresso?

    Em 2002, quando Emmanuelle Charpentier iniciou seu próprio grupo de pesquisa na Universidade de Viena, ela se concentrou em uma das bactérias que causam os maiores danos à humanidade: Streptococcus pyogenes. Todos os anos, ele infecta milhões de pessoas, muitas vezes, causando infecções facilmente tratáveis, como amigdalite e impetigo. No entanto, também pode causar septicemia com risco de vida e “quebrar” os tecidos moles do corpo, dando-lhe a reputação de “comedor de carne”.

    Para entender melhor o Streptococcus pyogenes, Charpentier começou investigando exaustivamente como os genes dessa bactéria são regulados. Essa decisão foi o primeiro passo no caminho para a descoberta da “tesoura genética”.

    Na coletiva após o anúncio do Prêmio Nobel, ela disse: “Fiquei muito emocionada, muito surpresa, parece que não é real”.



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