Meio Ambiente (água, ar e solo)

CO2 – Captura do gás abate poluição e permite gerar produtos

Maroni J. Silva
16 de janeiro de 2019
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    Com passagem pela Braskem, entre setembro de 2011 a janeiro de 2014, a pesquisadora do RCGI Rita Maria de Brito Alves, professora-doutora do Departamento de Engenharia Química da USP, está empenhada em abrir um leque de oportunidades em novos produtos químicos a partir do gás de síntese. Trata-se, segundo ela, de uma mistura de hidrogênio e CO obtida mediante um complexo ciclo de P&D, tendo por fonte o CO2 capturado do fluxo de gás natural extraído com o óleo do pré-sal.

    Engenheira química, mestre e pós-doutorada pela Poli-USP e Institut National Polytechnique de Toulouse, Rita Alves contou que o projeto já passou por várias etapas, enfatizou a maximização do CO2 e apontou sua conclusão para 2020. Atualmente, busca desenvolver hidrocarbonetos pelo processo Fischer-Tropsch, que permite produzir gasolina, diesel e olefinas.

    “Usando a tri-reforma do metano, é possível maximizar a quantidade de hidrogênio, possibilitando realizar diversas reações de hidrogenação de CO2 para se obter metanol e ácido fórmico, entre outros produtos. Também, a depender do grau de pureza, esse hidrogênio pode alimentar células a combustível”, explicou.

    A viabilidade técnica, econômica e ambiental para a produção específica de ácido fórmico faz parte, inclusive, de um segundo projeto também coordenado por ela, que começou em 2017 e se prolongará por mais três anos. No momento, encontra-se em fase de simulação e modelagem e deve contemplar várias fontes de CO2, tais como de termoelétrica, excedente de óxido de etileno ou de fermentação alcoólica.

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    “Todos os estudos que envolvem captura e conversão do CO2 visando o desenvolvimento de soluções de valor agregado para a indústria química passam pela eficiência energética comparativamente com os processos convencionais. A viabilidade ou não de cada aplicação dependerá da oferta de energia a custos competitivos. Se a geração for sustentável também sob a óptica ambiental, a redução da pegada de carbono será mais interessante”, afirmou Rita Alves.

    O aproveitamento de CO2 gerado pela produção alcooleira já conta com o apoio de uma empresa que se dispôs a sediar uma planta-piloto para capturar e converter o gás em produtos químicos. Nesse caso, há três fontes geradoras: a chaminé da caldeira da usina, a fermentação do melaço e o biogás obtido da vinhaça, conforme relatou a professora Suani Teixeira Coelho, coordenadora do Grupo de Pesquisa em Bioenergia do Instituto de Energia e Ambiente, da USP.

    O projeto coordenado por ela, no âmbito do RCGI, contempla as duas últimas fontes, pois o CO2 emitido pelas caldeiras é de difícil separação, pela grande presença de impurezas. Atualmente, os pesquisadores estão começando a quantificar o volume de gás que uma usina é capaz de disponibilizar e a que custo. Posteriormente, eles analisarão o aproveitamento do gás em produtos e aplicações com potencial de mercado. Dentre elas, destacam-se o uso como insumo para a produção de bebidas refrigerantes e de bicarbonato de sódio, entre outros, como Suani Coelho relatou.

    Dependendo do financiamento da pesquisa, segundo ela, a conclusão do projeto como um todo, incluindo a construção e o start up da planta-piloto, poderá ocorrer em cinco anos. Se a verba cobrir só a parte teórica, os estudos serão finalizados em um período de dois anos, acrescenta Suani Coelho, engenheira química, mestre e doutora em energia.

    Texto: Maroni J. Silva



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