Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Cloro / Soda – Setor pede energia com preço menor

Marcelo Fairbanks
15 de Maio de 2012
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    No entanto, embora os dados apontem haver espaço no mercado para ampliar a produção, o setor resiste aos investimentos. “O problema está na falta de eteno petroquímico para aproveitar o cloro gerado; esse é o gargalo que está travando os investimentos”, explicou Vale. A produção de dicloroetano (o primeiro passo para a produção da resina de policloreto de vinila, o PVC) absorve 37% de todo o cloro gerado no Brasil. O segundo maior cliente, com 22%, é a produção de ácido clorídrico, seguido de perto pelo consumo para a obtenção do óxido de propeno, com 21%.

    Revista Química e Derivados, Cloro Solda, Tabela

    O Desempenho do Cloro no Brasil – Clique para ampliar

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    O fechamento da unidade de di-isocianato de tolueno (TDI) da Dow, em Camaçari, anunciado em março de 2012, embora ela já estivesse parada para manutenção desde outubro passado, representa a perda de um consumidor de apenas 1% do cloro nacional. “Esse percentual seria facilmente absorvido pelas aplicações do cloro gasoso ou do hipoclorito em tratamento de água para abastecimento residencial, ainda muito pouco usado no Brasil”, disse o presidente da Abiclor. “O consumo de cloro para esse fim poderia ser duplicado com facilidade, mesmo admitindo que as empresas de tratamento de água ficaram mais eficientes e reduziram o consumo de cloro por metro cúbico tratado.”

    O maior cliente de soda cáustica é o setor de celulose e papel, que absorve 25% do álcali fabricado no Brasil (sem considerar as importações). Os usos químicos e petroquímicos absorvem 22%, mas a partilha das vendas é mais variada que a do cloro. Alguns segmentos, porém, perderam relevância no Brasil nos últimos anos. É o caso da indústria têxtil, cuja participação no consumo de soda cáustica despencou da média de 14% a 15% para meros 3% em 2011. “As importações de tecidos e roupas prontas estão matando esse setor”, apontou Vale.

    Custos elevados – O faturamento líquido do setor de cloro/álcalis manteve a tendência de recuperação iniciada depois da queda de vendas de 2009, refletindo a crise global. De lá para 2011, o indicador passou de US$ 1.215,6 milhões para US$ 1.556,3 milhões. “Conseguimos voltar ao patamar de 2008, quando obtivemos US$ 1.514,8 milhões”, afirmou Vale.

    No entanto, cabe mencionar que esses valores de faturamento foram obtidos com a moeda local (real) valorizada, condição que deixou de existir, acumulando uma desvalorização cambial próxima a 20% desde o início do ano. Essa variação cambial deverá influenciar diretamente os resultados de 2012, pois não é possível transferi-la imediatamente para o preço de venda aos clientes. “Nós precisamos ser competitivos com o dólar a R$ 1,50 ou a R$ 2,00”, disse.

    Além disso, o setor acompanha ansiosamente as discussões sobre o preço da eletricidade, insumo que representa 45% do seu custo total de produção. O governo federal fala abertamente sobre a necessidade de reduzir o preço da eletricidade, mas as medidas anunciadas nem sempre são as mais adequadas. “O peso dos encargos na conta de eletricidade chega a 50%, é preciso reduzi-los, não adianta mexer no ICMS, que é repassado para as etapas seguintes”, defendeu Vale. O setor espera que a renovação das concessões venha a resultar na redução de preços da energia.

    Revista Química e Derivados, Cloro Solda,

    Importação de Soda cresceu em 2011

    Ao mesmo tempo, o setor se esforça para aumentar a eficiência de conversão. Atualmente, o consumo específico de eletricidade é de 3,19 MWh por tonelada de cloro produzida. “Em 2001, usávamos 3,38 MWh por tonelada, ou seja, ficamos mais eficientes”, avaliou Vale. Cada tonelada de cloro também consome, em média, 1,64 t de sal e 505 kg de água para ser produzida.

    Outro fator importante no custo é o preço do gás natural, hoje seis vezes mais caro no Brasil que nos Estados Unidos. “Fala-se em um novo aumento de 22% no preço do gás natural, mas já tivemos aumento neste ano, isso tira toda a competitividade da indústria nacional”, criticou. Gás caro afeta os custos de quem usa o produto como fonte energética, mas também desestimula outros investimentos produtivos nas cadeias químicas e petroquímicas, nas quais ele entra como insumo.

    Outro item pesado na estrutura de custos do setor está nas operações logísticas. Embora o cloro seja geralmente consumido no local de produção ou nas suas imediações, há a necessidade de transportar seus derivados líquidos e também a soda cáustica. É preciso considerar também a condução do sal (de salgema ou marinho) para as fábricas. “O Brasil tem estradas precárias, portos ineficientes e caros, e ferrovias inexistentes; faltam modais alternativos”, lamentou.

    Apesar disso, o presidente da Abiclor se declara um otimista moderado. “Temos muitas oportunidades de crescimento, pois o Brasil exporta alumínio e celulose, entre outros itens, mas é preciso ver como o mercado internacional vai se comportar”, comentou.

     

     



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