Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Cloro Soda: Chegou a hora de ampliar a produção nacional

Marcelo Furtado
5 de novembro de 2004
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    Química e Derivados: Cloro: Butze - unidade de Maceió já opera a 100%. ©QD

    Butze – unidade de Maceió já opera a 100%.

    Com uma ampliação em curso de 50 mil t/ano de PVC em Maceió, a Braskem reduziu o mesmo volume de exportação de DCE, de um total excedente que costuma oscilar entre 130 mil e 150 mil t, para atender suas necessidades internas e para elevar a produção total de PVC (incluindo Camaçari) para 520 mil t/ano. Ocorre que esse investimento de R$ 90 milhões, segundo explicou o vice-presidente da unidade de vinílicos, Roberto Simões, é apenas uma primeira parte de um plano maior do grupo de ampliar a capacidade total de PVC para 630 mil t nos póximos anos.

    “Quando for tomada a decisão pela continuidade dos investimentos, que aumentarão a capacidade de PVC em mais 50 mil t em Maceió e outras 50 mil em Camaçari, poderemos rever nossos estudos”, afirma Simões. Por “rever os estudos” pode-se entender a necessidade de ampliar a unidade de cloro-soda. Quem explica essa possibilidade é o próprio vice-presidente: “Ao ampliar em mais 100 mil t a produção do PVC, o que deve ser decidido até o fim de 2005, precisaremos de mesmo volume de DCE, o que vai zerar o excedente hoje exportado”, completa. Como um grupo do porte da Braskem vive de resultados e explicações aos acionistas, fica difícil imaginar que a empresa vai se abdicar totalmente da exportação e de crescer em um mercado como o do PVC.

    A unidade de cloro-soda da Braskem em Maceió-AL, aliás, não tem como sofrer mais desgargalamento para ampliar um pouco sua produção. De tecnologia de diafragma de amianto, passou por recentes investimentos para otimizar seu consumo de energia (R$ 50 milhões em 2003 e R$ 43 milhões em 2004) e hoje opera a 100%, segundo seu diretor comercial, Fernando Butze.

    “Com a modernização, conseguimos ocupar totalmente as células sem comprometê-las e sem ser afetadas com oscilações de energia”, ressalta Butze. Já a unidade em Camaçari, na Bahia, de 60 mil t de cloro e 73 mil de soda e com tecnologia de mercúrio, é praticamente toda dedicada a nova fábrica de defensivos agrícolas Round-up da Monsanto.

    PU também – No outro grande filão do cloro, o poliuretano, também há espaço para pensar em necessidade de expansões. Basta analisar o desempenho da principal empresa do ramo, a Dow Química, que tem a segunda maior unidade de cloro-soda do Brasil, em Aratu-BA, com capacidade de 415 mil t/ano, integrada a sua produção de óxido de propeno-poliol e TDI, empregados na síntese do poliuretano.

    Química e Derivados: Cloro: soda_cloro23. ©QDOperando a 90% da capacidade, a planta, de acordo com o gerente de marketing, Luiz Pimentel, não tem mais como tentar promover desgargalamentos para conseguir ganhos de produção. A última dessas obras ocorreu em 1998, quando foram investidos US$ 42 milhões em modernização das células de diafragma e na construção de tubulação para interligar a fábrica com a produção de TDI da Dow, em Camaçari. “Não temos mais o que fazer na fábrica, se for preciso aumentar a produção, será por meio de novas obras”, alerta Pimentel.

    Como cerca de 80% do cloro da unidade volta-se para os intermediários do poliuretano, a probabilidade de investimentos não é das menores. Isso porque o mercado de PU deve fechar 2004 com crescimento de até 4,5%, mantendo essa média pelos próximos anos (depois de só ter crescido à média de 2,5% nos anos anteriores) e registrando o melhor consumo aparente da história (285 mil t). “Estamos reavaliando o mercado e podemos concluir pela expansão”, diz. Como a construção de nova unidade de cloro-soda demora no mínimo dois anos, a saída para suprir aumentos de demanda dentro desse período seria diminuir a exportação de alguns derivados clorados, como glicóis e solventes.

    A fábrica da Dow, assim como todo mercado nacional, para Pimentel suporta o atual ritmo de consumo até o final de 2007. A partir daí, caso não haja investimentos, o Brasil poderá passar a importar mais PVC e PU. O momento, portanto, é de decisão para o parque de cloro-soda nacional. Principalmente ao se levar em conta que os investimentos na China e no Oriente Médio com certeza sairão e, na perda de competitividade brasileira, não só o déficit da soda caústica deve aumentar como as duas resinas plásticas poderão seguir o mesmo caminho.



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