Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Cloro Soda: Chegou a hora de ampliar a produção nacional

Marcelo Furtado
5 de novembro de 2004
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    Química e Derivados: Cloro: Vale - investimento de US$ 100 milhões é quase certo. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Vale – investimento de US$ 100 milhões é quase certo.

    Dar uma olhada nos números produtivos da Carbocloro ajuda a compreender o interesse em investir. Com produção atual de 284 mil t/ano de soda cáustica e de 253 mil t de cloro, desde o início do ano a fábrica opera com 99% de nível de utilização. Além de ser complicado técnica e comercialmente trabalhar a plena capacidade, as células de diafragma (60% do total) e de mercúrio rayon (40%) já não têm como passar por desgargalamento (o último feito em 1999 conseguiu aumentar em 18 mil t a produção). “Nenhum outro período justificou tanto a ampliação como agora”, diz o diretor.

    Com a expansão, a Carbocloro também conseguirá aumentar consideravelmente a produção da unidade de dicloroetano. Com capacidade total de 140 mil t/ano, o nível de utilização dobrará dos atuais 45% para 90%. A meta aí será aumentar a exportação do DCE, das atuais 30 mil t/ano para 70 mil t/ano, continuando a vender o restante no mercado interno.

    Com o cloro garantido no mercado de PVC brasileiro (a Solvay, por exemplo, vai aumentar sua capacidade em 2005 para 280 mil t), a possibilidade da nova fábrica também se garante na equação com a soda cáustica, cujo bom desempenho do mercado mundial também tem sido aproveitado pela Carbocloro. Prova disso é que, além de vender toda sua produção local, a empresa tem importado soda para atender a demanda crescente de seus clientes brasileiros. Há quatro anos nesse ramo, a empresa aumenta o lote importado: de 30 mil t em 2003, passou para 40 mil t em 2004 e, para o próximo ano, a previsão é chegar nas 50 mil t.

    Química e Derivados: Cloro: Simões - Brasken pode ampliar depois de 2005. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Simões – Brasken pode ampliar depois de 2005.

    Com déficit nacional representado pelas 600 mil t de soda cáustica importada em 2004, e cuja curva é de crescimento para os próximos anos em virtude da falta de investimentos internacionais já anunciados, a Carbocloro ganha em competitividade com a expansão também por causa do tipo de soda que produzirá.

    A tecnologia de membranas, obrigada por lei federal para novas unidades (por ser isenta de mercúrio e amianto), além de utilizar menos energia no processo também gera a chamada soda rayon (ver QD-391, pág. 12). Obtida também pelo processo de mercúrio, esta soda com baixa salinidade, considerada mais nobre e consumida pelas indústrias têxtil, química e de alimentos, é até US$ 20 por tonelada mais cara que a soda comum. “Temos foco de vender a rayon e de crescer junto com os clientes que já a utilizam”, afirma Aníbal do Vale. Por falar em crescer, a Carbocloro deve faturar R$ 680 milhões em 2004, 23% a mais do que o ano anterior.

    PVC puxa mercado – O descompasso no crescimento entre o consumo de soda e cloro no Brasil é também um dos fatores na protelação de investimentos. Tanto foi assim que, nem com o consumo aparente da soda crescendo 4,3% nos últimos anos, houve motivo para ampliações. Da mesma forma, se daqui para a frente projetos começarem a sair do papel, também não será pelo excesso da demanda de soda previsto pelos investimentos programados para o setor de alumínio no Brasil, seu maior cliente.

    Entre eles, os destaques são os projetos da Alcoa Alumínio de US$ 680 milhões, em 2007, para ampliar sua unidade no Maranhão; o da Alunorte, em Barcarena-PA, para dobrar a capacidade até 2007; a Vale do Rio Doce, que investirá US 1 bi na mesma cidade; e a CBA, que pretende construir nova fábrica em Cataguases-MG com US$ 750 milhões.

    Nada mal para o setor, ao se saber que 1 tonelada de alumina, matéria-prima do alumínio, consome 85 kg de soda cáustica na metalurgia.

    A importância do cloro está no valor agregado à síntese das resinas plásticas PVC e o poliuretano. No primeiro caso, reage com o eteno dando origem ao dicloroetano (DCE), composto intermediário do monômero cloreto de vinila (MVC) para posterior polimerização. No poliuretano, o cloro tem função dupla: pelo processo cloridrina, gera o óxido de propeno, base dos polióis que, em reação com o TDI, também obtido com o halogênio, produz a resina largamente utilizada.

    Química e Derivados: Cloro: soda_cloro21. ©QDNo Brasil, cerca de 40% da demanda de cloro se destina à cadeia do PVC, 35%, para a do poliuretano, e o restante para usos como tratamento de água, cloroderivados, metalurgia, entre outros. Com esse perfil de importância das duas resinas no mercado, empregadas em larga escala na indústria automobilística e de construção civil, os maiores consumidores, é fácil entender porque todos os investimentos em cloro-soda são para garantir esses fornecimentos. Apesar de o uso do cloro no Brasil ser considerado até baixo em comparação com países desenvolvidos, a verdade é que para sustentar o aumento de consumo de PVC e PU os produtores locais precisarão pensar em saídas que passam ou pela expansão ou pelo aumento de importação de intermediários e das próprias resinas. Só para se ter uma idéia, com a recente recuperação da indústria automobilística, o consumo de DCE no Brasil cresceu 8,4%, de 2003 a 2004, segundo dados da Abiclor.

    Química e Derivados: Cloro: soda_cloro22. ©QDAté o momento a maneira de atender o crescimento do mercado interno de intermediários plásticos tem sido com a redução de exportações. Mas essa estratégia, segundo os competidores do setor, não tem vida muito longa. Serve para atender as projeções de curto prazo e pode sugerir a necessidade de expansões para médio prazo. É o que deve ocorrer com a maior produtora local de cloro-soda, a Braskem, com unidade em Maceió-AL integrada à cadeia de MVC-PVC, onde produz 460 mil t/ano de soda (410 mil t de cloro), 600 mil t de DCE e 204 mil t de PVC.



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