Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Cloro Soda: Chegou a hora de ampliar a produção nacional

Marcelo Furtado
5 de novembro de 2004
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    Química e Derivados: Cloro: Penna - tarifa energética ainda é um problema. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Penna – tarifa energética ainda é um problema.

    A questão energética no mercado de cloro-soda é fundamental, tendo em vista sua condição de atividade eletrointensiva. Para se ter uma idéia, no Brasil o insumo representa 40% do custo variável e chega a 75% do custo fixo de produção. Não é de se estranhar, portanto, que a energia seja o principal fator para promover o Oriente Médio a segundo candidato natural aos investimentos internacionais de cloro-soda. Ainda iniciante na atividade, os países árabes contam a seu favor para ingresso na geografia da indústria de álcalis e cloroderivados o fato de possuírem abundante e barata energia.

    Da mesma forma, só que pesando contra, a energia também é levada muito em conta nas análises de migração de investimentos para o Brasil. Apesar de já contar com um parque produtivo considerável, um mercado interno interessante e em recuperação, e de não correr no médio prazo mais risco de “apagão”, o País conta com tarifas de energia que podem ser impeditivas para novos investimentos de grupos internacionais. “Mais de 50% do preço total da energia são custos tributários, entre encargos, emolumentos e taxas”, lamenta o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados (Abiclor), Martim Afonso Penna. “Dessa forma, cada vez mais vamos exportar impostos e perder competitividade”, diz.

    A indignação setorial é pior ao se constatar que nos últimos anos a parcela do custo correspondente à energia tem se mantido estável. Apenas a referente a encargos subiu, e com risco de aumentar mais ainda, caso o projeto de lei que pretende criar subsídio ao gás natural com repasse na tarifa de energia for aprovado no Congresso. “Ou tomamos medidas para deixar de sobrecarregar a indústria ou então perderemos esses investimentos”, acrescenta Penna.

    O custo da tarifa também não é o único problema no longo prazo. Mesmo com o empenho das empresas do setor em reduzir ao máximo o custo da energia, e de estarem engajadas em alternativas de consumo livre (cujos leilões de energia são incentivados pelo governo federal), a previsão é que, depois de 2009, o Brasil poderá voltar a ter problemas de abastecimento. “Se não houver investimentos na área, e as demoradas licenças ambientais estão colaborando com isso, poderá ocorrer um colapso”, diz Penna.

    Química e Derivados: Cloro: soda_cloro1888. ©QDSegundo ele, vários investidores, cansados com a burocracia ambientalista do atual governo, já começam a desistir de consturir usinas, principalmente no Norte do País, onde o setor do alumínio terá necessidade de mais energia para ampliações e instalação das novas unidades programadas.

    Química e Derivados: Cloro: soda_clor199. ©QDAliás, o alerta relativo à energia vale também para toda a infra-estrutura brasileira. O caso da logística é o mais importante. Considerando que 67% da produção de cloro-soda se concentra no Nordeste, enquanto 70% da demanda se encontra no Sul e Sudeste, e ainda que, no caso da soda, 50% do transportado é água, fica fácil entender a preocupação. “O Brasil precisa aumentar a participação do transporte ferroviário, ter fretes competitivos e interligar os modais, caso contrário pode perder esses investimentos”, lembra Luiz Pimentel, da Dow.

    Química e Derivados: Cloro: Unidade de DCE da Carbocloro pode dobrar ocupação. ©QD Foto - Alan Nielsen

    Unidade de DCE da Carbocloro pode dobrar ocupação.

    Carbocloro deve investir – Mesmo que na competição entre as três regiões mais atraentes para investimentos o Brasil fique em desvantagem, dificilmente não haverá novas inversões em cloro-soda no país. Com ocupação da capacidade instalada nos primeiros dez meses do ano alçada a 87,4%, sendo que em junho e julho tenha ultrapassado os 90%, o setor dá todos os sinais de que precisa e pode começar a promover expansões. Praticamente todos os principais produtores locais, muitos deles operando a plena carga (entre 98% e 99%), reconhecem estudar a possibilidade. Embora ainda mantendo segredo, alguns deles chegam a dar um pouco mais de detalhes do que pretendem fazer.

    O caso mais famoso é o da Carbocloro, terceiro maior fabricante do Brasil, joint venture entre a nacional Unipar e a americana Occidental, com unidade em Cubatão-SP.

    Projeto cogitado há alguns anos, segundo informa o diretor comercial Aníbal do Vale, encontra-se na etapa de engenharia básica, onde serão definidos os detalhes do investimento: localização (dentro do site em Cubatão), infra-estrutura, quantidade e tipos de células (com tecnologia de membranas poliméricas, mas com fornecedor em escolha).

    Segundo o diretor, até maio ou junho de 2005 a engenharia básica, feita por técnicos da Occidental e da Carbocloro, estará pronta.

    A fase mercadológica do projeto, um pré-estudo para avaliar as necessidades da unidade, já está definida. Serão investidos por volta de US$ 100 milhões, com 40% dos recursos captados no BNDES e o restante como contrapartida da empresa. Isso significará mais um trunch de células eletrolíticas para produzir 112 mil t/ano de soda cáustica e 100 mil t de cloro, cuja entrada em operação se dará no início de 2008, caso realmente ao final do estudo se opte pela construção (o que Aníbal do Vale considera muito provável).

    Química e Derivados: Cloro: soda_cloro18. ©QDComo todo investimento da área, o da Carbocloro é guiado pelo mercado de cloro. Produtor em Cubatão também de dicloroetano (DCE), principal intermediário do PVC, o grupo confia no crescimento de 5% do mercado dessa resina, em 2004, a se repetir nos próximos anos, para dar o ok para as obras. “Ficamos quase 20 anos crescendo a uma média de 2,4% ao ano, o que não dava para fazer desembolsos no País com muita facilidade”, lembra Vale.

    Química e Derivados: Cloro: soda_cloro17. ©QD



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