Tintas e revestimentos: Clientes querem solventes mais eficientes para atender exigências ambientais

Química e Derivados, Tintas e revestimentos: Clientes querem solventes mais eficientes para atender exigências ambientais
Pintura automotiva requer solventes de alto desempenho

Os fabricantes de solventes aceleram desenvolvimentos de produtos para atender às novas exigências das tintas e vernizes. Além de demandar insumos cada vez menos agressivos à saúde humana e ao meio ambiente, esse setor industrial também requer custos compatíveis com a difícil situação econômica nacional, que se reflete na queda de vendas de imóveis e automóveis, os principais segmentos de mercado consumidores desses revestimentos.

A indústria de tintas reportou ter registrado três anos consecutivos de queda de vendas, até 2016. Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tintas (Abrafati) Antonio Carlos Oliveira – que substituiu Dilson Ferreira, agora consultor da entidade – as vendas dos primeiros meses de 2017 ficaram no patamar do mesmo período do ano anterior. “Esperamos fechar 2017 com um crescimento de um ponto percentual acima da variação do PIB que é estimada pelos analistas de mercado em torno de 0,5%”, informou. “Crescer 1,5% não é maravilhoso, mas isso interrompe um longo período de queda de consumo de tintas no país”.

Dados da Abrafati apontam que o setor vendeu 1,5 bilhão de litros de tintas e vernizes em 2016, dos quais a linha decorativa e imobiliária representou 84,7% e a automotiva original (OEM), 1,9%. A repintura automotiva absorveu 4% do volume total, enquanto a indústria em geral ficou com 9,3%.

Apresentar essa divisão de mercado é importante porque o uso de solventes é menor nos produtos decorativos imobiliários, campo em que predominam as resinas de base água, como acrílicas, vinil-acrílicas e estireno-acrílicas, as mais consumidas para a pintura sobre alvenaria. A pintura sobre madeira e metais, usuária de vernizes ou dos chamados esmaltes sintéticos, ainda é uma importante consumidora de solventes, embora tenha aumentado a oferta de produtos de base aquosa. Como consolo, cabe lembrar que essa alternativa tecnológica não é totalmente isenta de solventes, mas ainda os consome no papel de coalescentes (insumos que colaboram para a formação adequada do filme sobre uma superfície), não mais como diluentes.

Historicamente, o uso de hidrocarbonetos alifáticos e aromáticos sempre teve um papel relevante na produção de tintas. Como os aromáticos foram colocados na berlinda por aspectos de saúde e segurança ocupacional, tendo alguns deles sido banidos ou severamente restringidos, a exemplo do tolueno, e aumentou a preocupação com a formação de ozônio em baixa camada (troposfera) para a qual contribuem os vapores orgânicos, esse grupo de solventes se tornou uma fonte de preocupação e segue sob intensas críticas.

Saliente-se que o Brasil ainda não dispõe de uma regulamentação consolidada sobre o uso de solventes na fabricação de produtos, nem mesmo no setor de tintas e vernizes. Europa, Japão e Estados Unidos possuem seus sistemas de controle e regulação, nem sempre coincidentes quanto a objetivos e limites. Mas servem como indicativos para a indústria nacional.

Química e Derivados, Leite: falta de regulamentação local atrapalha investimentos
Leite: falta de regulamentação local atrapalha investimentos

“Faz muita falta uma regulamentação nacional para os solventes, outros países têm as deles e isso os orienta a desenvolver novos produtos”, comentou Antonio Leite, vice-presidente global de marketing e estratégia do grupo Solvay Coatis (que atua no Brasil com a marca Rhodia). Ele citou como exemplos a norma dos Estados Unidos, que avalia as emissões voláteis orgânicas pelo grau de reatividade para a formação de ozônio, e a Europeia, que avalia os solventes pelo ponto de ebulição, vedando o uso de produtos abaixo de um limite. “Como nosso portfólio é muito amplo, temos produtos adequados para cada um desses mercados”, salientou. A linha Augeo, produzida em Paulínia-SP, que é formada a partir de acetona e glicerina, tem grande aceitação nos Estados Unidos, onde a demanda supera até mesmo a brasileira. “No conceito americano, a acetona é livre de VOC”, comentou.

Leite apontou que as tintas e revestimentos consomem 32% do volume de solventes produzidos no mundo, seguidos pelos segmentos de agroquímicos (17%), farmacêuticos (9%) e adesivos (7%), segundo relatório da Markets and Markets, com dados de 2016. Verifica-se que o setor de tintas para impressão foi considerado à parte, mas agregaria outros 6% de volume consumido para a maior fatia do bolo, ampliando a participação setorial.
Como a indústria química nacional precisa de um balizamento para orientar seus investimentos, a Abiquim criou em 2016 a Comissão Setorial de Solventes de Uso Industrial, composta por players locais (Braskem, Oxiteno, Solvay, Elekeiroz e Eastman). “A indústria precisa ter uma proposta de consenso”, considerou. “É preciso ter uma regra do jogo, ainda que não seja perfeita, pois a falta de critérios definidos atrasa investimentos”. Segundo informou, a companhia estuda construir a próxima fábrica de Augeo fora do Brasil, cuja vantagem é a grande disponibilidade de glicerina.

Além desse tema, a comissão de solventes também se esforça para divulgar o uso correto e seguro desses produtos. “Queremos mostrar para a população em geral e para os consumidores de insumos que os solventes são seguros e eficientes quando são usados corretamente”, salientou a vice-líder da comissão da Abiquim, Fabiana Marra, líder global de negócios para tintas e revestimentos da Oxiteno. “É um esforço que precisa ser desenvolvido por toda a cadeia produtiva, cabe elogiar o trabalho da Abrafati que instituiu boas práticas e qualidade mínima para o setor de tintas, isso ajuda a profissionalizar todo o setor”, comentou.

A comissão setorial da Abiquim apresentará um seminário sobre o consumo e uso responsável de solventes durante a Abrafati 2017 (exposição e congresso internacional de tintas), de 3 a 5 de outubro, no São Paulo Expo, no Jabaquara.

Química e Derivados, Ana Paula: mercado regional de solventes permanece estável
Ana Paula: mercado regional de solventes permanece estável

Evolução tecnológica – A indústria química considera a produção de solventes sintéticos como um segmento de mercado relevante e interessante para pesquisa e desenvolvimento. Alguns setores se revelam mais interessados em buscar inovações tecnológicas, caso dos domissanitários e produtos de higiene pessoal. “No setor de tintas, as mudanças são lentas, mas existem”, considerou Ana Paula Freire, gerente de marketing de Industrial Solutions da Dow.

Embora seja desejável, a substituição dos hidrocarbonetos implica esforços consideráveis. “São solventes de baixo custo, com bom desempenho na aplicação, e sua substituição por oxigenados exige ajustes na formulação das tintas, não é um drop in”, avaliou. Alguns casos dependem de mudanças mais intensas. Como apontou Ana Paula, uma indústria automotiva só faz mudanças tão profundas quando instala ou renova a linha de pintura. “Em geral, no Brasil, as instalações existentes passam para tintas com altos sólidos, enquanto as fábricas novas adotam tintas base água”, comentou.

Mayara Correa, especialista de tintas da Dow, considera que a tendência atual do mercado de tintas é migrar para sistemas com altos sólidos, mais do que adotar as formulações base água. “Ainda está longe o fim do uso dos solventes, mas eles estão mudando”, comentou.

Química e Derivados, Mayara: versáteis e eficientes, propionatos atraem atenções
Mayara: versáteis e eficientes, propionatos atraem atenções

Fabiana Marra, da Oxiteno, concorda com a preferência pelos altos sólidos. “As formulações base água foram muito populares na década passada e tiveram um grande avanço, mas é preciso ressaltar que elas também usam solventes, em quantidade menor, como coalescentes”, disse. Segundo a especialista, análises de ciclo de vida mostraram que tintas base solvente, especialmente as de altos sólidos, não têm desempenho pior que as de base água. “Por isso, fica claro que o futuro dos solventes depende de alta eficiência técnica, baixo impacto ambiental e à saúde humana”.

Nesse sentido, Fabiana apontou que a redução da quantidade de solvente por galão de tinta depende da seleção de produtos mais eficientes, com alto poder de solvência. “Não se trata apenas de mudar de solvente, mas também de usar resinas e ingredientes mais adequados a esse tipo de produto”, recomendou.

O avanço tecnológico, tanto nas resinas, como nos solventes, permitiu melhorar as formulações. Como explicou Fabiana, antigamente era preciso diluir a tinta com muito solvente. “As formulações atuais são mais concentradas”, observou. Os solventes rápidos (de baixo ponto de evaporação) geralmente eram hidrocarbonetos, hoje são oxigenados sintéticos, presentes em menor quantidade e com baixo odor. “Temos portfólio amplo, com variedade de funções químicas, como éteres, cetonas e álcoois, para fornecer um conjunto de ingredientes para formar uma solução isenta de aromáticos, tanto para tintas como para adesivos”, informou.

Química e Derivados, Fabiana: futuro dos solventes depende do seu desempenho
Fabiana: futuro dos solventes depende do seu desempenho

Para tanto, a Oxiteno conta com moderno laboratório de tintas, instalado no Brasil. Aliás, a companhia só produz solventes no país, embora atue em vários países, aos quais exporta. “A internacionalização da companhia exigiu reforçar o quartel-general, pois a prestação de serviços aos clientes faz a diferença”, comentou. A operação nos Estados Unidos também conta com um bem equipado laboratório, atuando em parceria com a Universidade de Mississipi.

A Dow conta com um software próprio, desenvolvido para simular e formular sistemas de solventes, facilitando a elaboração de respostas adequadas às solicitações dos clientes. “O software é a base do nosso atendimento, ele considera tanto os solventes disponíveis quanto a resina que será usada na produção da tinta, por isso é muito eficiente”, explicou Ana Paula. O software aponta as melhores combinações de solventes para uma aplicação e, em seguida, essa proposta é levada para ensaios para comprovação.

A companhia, como as demais entrevistadas, não vende misturas de solventes, apenas as substâncias isoladamente. Quando um cliente decide elaborar um blend próprio, ou alterar algum detalhe da composição atual, a companhia estuda e apoia as modificações, além de suprir eventuais novos ingredientes.

A gerente de marketing da Dow considera que os formuladores de tintas buscam substituir solventes aromáticos, adotar sistemas de altos sólidos, otimizar custos e, em alguns casos, usar base água. “Clientes interessados em exportar seus produtos podem solicitar adequação de emissões a alguma regulamentação específica, a exemplo da limitação dos hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP)”, afirmou.

Ela comentou que a Dow tem alguns de seus solventes na lista aprovada pelo programa Safer Choice Label, da EPA (agência de proteção ambiental dos EUA). Isso permite ao produto final apresentar no rótulo um selo que indica a presença de ingredientes menos tóxicos e que representam baixo risco ambiental. “O consumidor precisa identificar os produtos mais amigáveis para escolher melhor o que compra”, afirmou.

A linha de solventes inclui éteres de glicol (séries E e P, derivadas de etileno e propileno respectivamente), ésteres (acetatos), álcoois, cetonas e propionatos. Para a Abrafati 2017, a Dow apresentará três novidades, a começar por surfactantes livres de alquilfenóis etoxilados (APEO), seguida por novos coalescentes da linha Ucarfilm, com alto ponto de ebulição (HBP) e solventes de alquilpropionato para vários sistemas poliméricos.

Mayara Correa comentou que os novos alquipropionatos serão oferecidos em três diferentes taxas de evoporação e não são HAP. “O interesse do mercado pelos propionatos é crescente, explicado pelo aumento das formulações de altos sólidos, pois ele é um solvente eficiente e versátil, resolve vários problemas dos formuladores, dá uma secagem adequada à película e não é HAP”, salientou.

A especialista considerou que a adoção de propionatos nas formulações de tintas exige adequação, mas a produtividade alcançada por essa opção compensa o esforço. “Sempre que se quer migrar para altos sólidos é preciso reformular o sistema”, afirmou. Os propionatos apresentam elevada resistividade elétrica naturalmente e isso é vantajoso para pintura por spray eletrostático, usada na indústria automotiva, principalmente.

O alto ponto de ebulição dos novos coalescentes garante que eles não sejam enquadrados como VOC pelos critérios dos EUA, sem que isso afete seu desempenho técnico.

A Oxiteno está definindo as novidades a apresentar na Abrafati 2017. “De dez anos para cá, a companhia se dedicou a vender soluções para seus clientes e não produtos, não vendemos número CAS”, salientou Fabiana Marra. Ela mencionou que a oferta de coalescentes precisa evoluir. “Lançamos o Ultrafilm 260 LV para atender clientes que desejam produzir tintas de baixo odor e VOC, trata-se de uma substância pura que funciona bem em toda a linha de decorativas imobiliárias”, comentou, ressaltando que o mercado é ávido por produtos especiais e isso norteia os investimentos.

Conteúdo renovável – O uso de insumos de origem natural e renovável tem sido incentivado nos últimos anos, em oposição aos derivados de petróleo. Fabiana Marra aponta que a opção por esse grupo de solventes precisa respeitar os três pilares do desenvolvimento sustentável: reduzir o impacto ambiental, oferecer desempenho técnico melhor ou igual ao existente, e ser comercialmente competitivo. “Quando um produto renovável apresenta essas características, ele é preferido”, afirmou, salientando que a Oxiteno também conta derivados de etanol em sua linha de solventes, como o álcool isoamílico e o acetato de isoamila.

A Solvay possui uma antiga relação com o etanol, origem do seu principal solvente, o acetato de etila. “Antes fazíamos o ácido acético no Brasil, a partir do etanol, mas atualmente estamos importando o ácido dos EUA, cujo custo de produção está muito baixo, favorecido pelo shale gas, e produzimos aqui o acetato, usando o álcool local”, explicou Antonio Leite.

O etanol segue sendo um insumo viável, tanto que a produção de acetato de etila em Paulínia abastece o mercado nacional e o argentino – a Atanor parou a produção no país vizinho, que também perdeu a fabricação local de isopropanol. “Estamos avaliando o aumento de capacidade desse álcool no Brasil”, disse.

Do etanol também são produzidos a diacetona álcool (DAA) e o hexileno glicol (HG), ambos com grande mercado no exterior, assim como a linha Augeo. “Os produtos Augeo encontraram demanda mais atrativa em fragrâncias e domissanitários do que nas tintas”, comentou. Os produtos com alto conteúdo de ingredientes naturais são referidos pela companhia como biosolventes e sua capacidade de produção no Brasil deverá ser duplicada até 2018.

Na sua avaliação, o mercado de coatings tende às formulações com altos sólidos e isso exige solventes mais poderosos. “Nós oferecemos solubilizantes oxigenados para essas aplicações”, informou. Para isso, conta com o Solsis, plataforma de desenvolvimento de produtos com pesquisa e desenvolvimento da companhia. Com ele, é possível formular soluções mais econômicas que atendam exigências de toxicidade e desempenho. “O setor de tintas evoluiu muito, não vejo sinais de regressão em termos de qualidade apesar da crise econômica”, salientou.

O etanol é apontado como um solvente rápido muito econômico, porém capaz de gerar alguns inconvenientes na formação da película seca. “Ele é muito rápido, pode ser usado como complemento de formulação de solventes, mas com cautela”, advertiu Mayara Correa, da Dow.

Mercado ativo – A crise econômica brasileira parece estar chegando ao fim, depois de três anos consecutivos de redução do PIB. O setor de solventes sintéticos, no entanto, reporta uma situação bem melhor. A fabricação de tintas é o mercado mais relevante para esses produtos, mas também há grandes consumos em adesivos, domissanitários, farmacêuticos e agroquímicos, cujos desempenhos compensaram, em parte, a retração das vendas de tintas.

“Mesmo no setor de tintas, a queda da linha decorativa imobiliária não impactou muito a venda de solventes, porque elas consomem pouco solvente, ao contrário da linha automobilística”, comentou Antonio Leite, da Solvay. Mesmo assim, a queda de vendas para as tintas automotivas originais não se verificou nos produtos para repintura.

Ao todo, ele estima ter havido uma queda de 15% no volume consumido de solventes sintéticos no Brasil nos últimos anos. Isso motivou A Solvay a exportar mais. “Estamos exportando perto de 30% da produção local para a América Latina, Europa, Estados Unidos e Ásia, regiões onde contamos com estrutura logística e pessoal para desenvolver mercados.”

No Brasil, a companhia vende seus solventes puros ou, em alguns casos, em misturas para grandes clientes – em geral, estes operam instalações próprias para isso. “Usamos a estrutura dos nossos distribuidores nacionais, a Bandeirante Brazmo e a MCassab para fazer essa blendagem, sob nossa orientação, em regime de tolling”, comentou. A rede de distribuidores inclui também empresas de alcance regional. Ao todo, a rede de distribuição da Solvay atende a 20% das vendas de seus solventes no Brasil.

Nos negócios da Oxiteno, os solventes oxigenados perderam importância nos últimos anos para os surfactantes, estes com evolução impressionante em vários mercados e aplicações. “Os solventes foram produtos pioneiros na companhia, temos um grande interesse por eles, mas só os fabricamos no Brasil”, comentou Fabiana Marra. A rede de distribuição da Oxiteno integra a estratégia de negócios da companhia e foi remodelada para melhor suprir os clientes. “Os distribuidores recebem treinamento e apoio, para que os pequenos clientes recebam as mesmas inovações e serviços que os grandes”, salientou.

O desempenho das vendas de solventes no país registrou queda em 2015, agravada em 2016. “Temos uma expectativa de melhora para 2017, mas as vendas estão variando muito mês a mês; de qualquer forma, já está melhor que 2016, registramos no primeiro semestre uma recuperação de negócios de 10%”, avaliou. As tintas são o maior mercado para os solventes da Oxiteno.

“Ainda sofremos com os efeitos da guerra dos portos, as diferenças entre impostos cobrados em estados diferentes para o desembaraço de produtos importados, isso atrapalha a competição”, apontou. Para ela, também é uma atribuição da comissão de solventes da Abiquim mostrar esse problema ao mercado e buscar uma solução.

Fabiana avalia como elevados os custos totais de produção no Brasil, em relação aos competidores internacionais. Com o advento do shale gas, nos Estados Unidos, os produtos lá obtidos com matéria-prima ficaram ainda mais competitivos. “Ter produção local é muito importante para as indústrias consumidoras e o serviço oferecido pelos produtores faz a diferença”, afirmou.

Química e Derivados, Tintas e revestimentos: Clientes querem solventes mais eficientes para atender exigências ambientais
MERCADO BRASILEIRO DE TINTAS – 2016

Em alguns casos, verificadas práticas de concorrência desleal, foi preciso pedir proteção antidumping. “O butilglicol, por exemplo, tem proteção antidumping há anos contra alguns players que praticam preços predatórios, mas essa proteção é muito fraca, melhor é oferecer vantagens técnicas aos clientes”, considerou. Dessa forma, o desenvolvimento de soluções técnicas agrega mais valor para os clientes e os fidelizam.

Como explicou a especialista, com ampla vivência no setor, o butilglicol é um solvente versátil e muito demandado em várias situações. Pertence à família dos éteres glicólicos, a mais extensa da companhia. Outra commodity importante para o setor é a metil etil cetona (MEK), produzida no Rio Grande do Sul e exportada em volumes significativos para a Europa e Estados Unidos. “O mercado pede solventes especiais e estamos investindo nisso, pois todas as tecnologias pedem produtos mais eficientes”, comentou.

Para a Dow, o mercado de solventes na América Latina se mostra estável. “As quedas de vendas em produtos para automotiva e decorativa foram compensadas pelo crescimento da demanda nas linhas de tintas para impressão e solventes de limpeza”, apontou Ana Paula Freire. Ela registrou vendas melhores em 2017, resultado da venda maior de carros e da reativação do Minha Casa Minha Vida.

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