Clarificação de água – Mananciais poluídos e uso racional incentivam melhorias tecnológicas

A nova participação de mercado da Kemira, depois da aquisição da Nheel, passa de 9% para 29% no Sudeste e de 25% para 37% no Sul do país. Esse fato, embora não tenha sido suficiente para vetar a negociação, mereceu uma observação do Cade em seu relatório final sobre o julgamento, por meio do qual o órgão avisa que continuará a investigar o caso, tendo em vista a participação da Kemira ter ultrapassado os 20% nas duas regiões. Nas outras regiões, não há problema aparente: no Centro- Oeste, há uma elevação mínima, de 1%, elevando para 12% a participação nas vendas de coagulantes na região. Já no Norte e Nordeste, em virtude de a Nheel nunca ter atuado por lá, nada foi alterado (2% no Norte e 22% no Nordeste).

 Química e Derivados, Wanderley Ferreira, diretor de marketing e vendas da Kemira, Clarificação da Aguá - Mananciais poluídos e uso racional incentivam melhorias tecnológicas
Wanderley Ferreira: plano da Kemira ainda contempla unidades no RS e RJ

Essas diferenças regionais, reforçadas pelo fato de a logística cara tornar inviáveis as vendas distantes das unidades produtivas, fazem a Kemira não temer novas ações antitruste, que lhe custaram, além de honorários advocatícios, também muitas viagens a Brasília, segundo afirmou o diretor Wanderley Ferreira. “O Cade só avaliará novas acusações de concentrações por região e, nos locais para onde queremos ir no futuro [RJ e RS], partiremos do zero, apenas assumindo o controle de empresas da região”, explicou Ferreira. Nesses casos, não haverá sobreposição da participação da empresa nas regiões em que atua com mais força, com destaque para as regiões Sudeste e Nordeste.

Polímeros em ação – O interessante de usar o exemplo da Kemira para compreender o desempenho do mercado da clarificação é saber que a empresa também conta com uma nova aquisição, esta em nível mundial, voltada para aproveitar aplicações em crescimento na área. Desde 2006, o grupo finlandês adquiriu os negócios de polímeros da Cytec, assumindo o controle de duas fábricas da empresa norte-americana nos Estados Unidos e duas na Europa. Esse importante portfólio se soma à linha de coagulantes orgânicos e auxiliares de floculação da Kemira, que existe por meio da produção de unidade na Finlândia e de outras duas na Colômbia e no México.

Com a linha da Cytec, anteriormente vendida no Brasil por meio de escritório de representação local, a Kemira, segundo Wanderley Ferreira, cresceu mais de 400% nas vendas de polímeros. Trata-se de grades de auxiliares de floculação de poliacrilamidas (catiônicos, aniônicos e não-iônicos) e de coagulantes orgânicos de poliaminas e de polidadmac. “Por causa de nossa forte penetração no mercado de saneamento público, temos conseguido introduzir os polímeros em áreas onde eles até então eram desconhecidos”, explicou Ferreira. Um exemplo é o uso de poliaminas para controlar algas na água captada da represa de Guarapiranga, em São Paulo, pela Sabesp. “Elas são excelentes auxiliares de coagulação, que acabam com esse sério problema que causa um gosto muito ruim na água potabilizada”, disse. Para complementar esse novo tratamento, aliás, a Kemira ainda recomendou e forneceu o permanganato de potássio para substituir a pré-cloração.

Com esse portfólio ampliado, a empresa tenta promover nas companhias de saneamento brasileiras um conceito muito enraizado em países desenvolvidos. Segundo explicou Ferreira, é comum as estações de países como os Estados Unidos, por exemplo, contarem com vários tipos de tratamento estabelecidos para atender os casos de oscilações da qualidade da água. E para isso recorre-se com muita freqüência aos polímeros especiais. “Eles prevêem o uso de formulações mais simples, apenas com coagulantes inorgânicos, para momentos menos críticos, e determinam de forma também planejada o tratamento com auxiliares de coagulação e floculação mais sofisticados para os picos de piora da qualidade da água durante o ano”, disse. No Brasil, o mais comum é o cliente determinar apenas um tipo de tratamento para sua estação, o que pode colocar em risco a integridade do sistema ao longo do tempo. A intenção é explicar essa realidade estrangeira aos clientes nacionais e tentar não só vender os mais rentáveis polímeros como também melhorar o desempenho do tratamento de água do Brasil.

A confiança nas vendas dos polímeros para floculação também faz parte do humor dos outros competidores. A GE Water, segundo afirmou Alexandre Moreira, está padronizando globalmente sua linha constituída por 60 produtos, fruto de um trabalho de integração que envolveu todas as bases operacionais espalhadas pelo mundo. “Fizemos um kit com 27 novos polímeros para serem comercializados no Brasil e cujas informações já estão disponíveis no SAP da empresa”, explicou Moreira. Cada engenheiro da GE passará a ter o kit, com polímeros específicos para as principais aplicações noBrasil. “Dependendo do cliente, o técnico leva a amostra mais apropriada para fazer um jar test”, finalizou.

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