Clarificação de água – Mananciais poluídos e uso racional incentivam melhorias tecnológicas

Com as duas aquisições, o interior de São Paulo, com a unidade da Nheel, em Rio Claro, e o Paraná e Santa Catarina, com as fábricas oriundas da Dalquim, ficam dentro do razoável na visão comercial da empresa também compartilhada pelos outros competidores. E aí só fi cariam faltando poucos mercados para a Kemira completar sua base nacional de atuação. Na esteira do plano estratégico, de acordo com Schuurman, cogita-se comprar ainda unidades no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, mercados em que não consegue participar competitivamente sem produção local.

Química e Derviados, Fred Schuurman, vice-presidente da Kemira para a América Latina, Clarificação da Aguá - Mananciais poluídos e uso racional incentivam melhorias tecnológicas
Fred Schuurman: limite de 300 km para vender os inorgânicos

Novas unidades? – Para a expansão da Kemira no Brasil, em vez de comprar fábricas, a outra alternativa, construir novas unidades, na avaliação da empresa não seria viável. Isso porque o mercado de coagulantes inorgânicos opera com ociosidade de até 30%. O consumo atual envolve cerca de 1 milhão de t/ano, entre sais férricos e de alumínio, e possíveis aumentos na demanda ainda contam com certa folga de oferta tendo-se em vista a capacidade instalada nacional. Mas nada impede que novas fábricas sejam erguidas no país, sobretudo ao se lembrar das boas perspectivas com o saneamento básico, que começa a ser levado para regiões mais distantes por meio de liberações de verbas públicas. Não por menos, nos últimos cinco anos várias empresas entraram no mercado de coagulantes, nas regiões Sudeste, Norte e Nordeste do país (Pluriquímica, em Teresina-PI; Reluz Nordeste, em Marechal Deodoro-AL; Süd- Chemie, em Jacareí-SP; Cloral, no Rio; e, por fim, a própria Nheel, adquirida pela Kemira).

Essa aparente contradição de o mercado operar ocioso, ao mesmo tempo em que novas empresas foram inauguradas recentemente, pode ser explicada pelo fato de a produção local não contar com boa distribuição geográfica, ou seja, dentro do limite de 300 km que torna competitiva a venda dos coagulantes. Daí o surgimento de novos competidores em locais como Alagoas e Piauí, por exemplo. Isso sem considerar o fato de não ser muito caro e difícil investir em uma unidade de coagulantes. Há a estimativa genérica de que uma fábrica multipropósito para 25 mil t/ano custe R$ 1 milhão e leve um ano para entrar em operação. Nada tão vultoso em se considerando investimentos industriais.

Cade aprova – Mas o perfil e as perspectivas do mercado brasileiro de saneamento ainda não foram suficientes para convencer a Kemira a deixar de lado sua estratégia mais pragmática de crescimento: comprar empresas e participações. Em primeiro lugar, por um motivo óbvio: a empresa tem recursos para tal, tratase de grupo global com faturamento bilionário (2,8 bilhões de euros em 2007, 10 mil funcionários e presença em 40 países). Depois, com as aquisições, o grupo evita esperar o tempo de maturação de uma fábrica nova e não corre o risco de sofrer com a atual ociosidade do mercado.

Por outro lado, essa estratégia de aquisições, com promessa de continuidade, trouxe também os holofotes para a empresa finlandesa e com eles alguns dissabores. O principal deles foi a denúncia de ato de concentração de mercado, levada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) depois da aquisição da Nheel. A denúncia foi feita pela companhia municipal de saneamento de Campinas-SP, a Sanasa, como parte interessada por ser consumidora dos coagulantes inorgânicos fornecidos pelas duas empresas.

Ocorre que o processo de aquisição foi analisado pelo conselho e aprovado sem restrições em julho. Isso porque o órgão chegou à conclusão de que a Sanasa pode recorrer a produtos substitutos, como sulfato de alumínio, mais abundante no mercado, caso sinta a necessidade de trocar coagulantes em sua ETA por problema de preço. Embora ainda não esteja definido se recorrerá da decisão, segundo a advogada da Sanasa, Sonia Marques Dobler, a companhia continua considerando que haverá concentração nos mercados de sulfato férrico, policloreto de alumínio e cloreto férrico. A insatisfação com o veredicto reforça sua alegação principal de que suas estações de tratamento de água foram concebidas para operar apenas com esses coagulantes. Mas segundo informações de Wanderley Ferreira, diretor de marketing e vendas da Kemira, a Sanasa antes de operar na atualidade com 80% de PAC e 20% de sulfato férrico, dosava no passado, na mesma estação, apenas sulfato de alumínio e, um pouco mais para frente, 50% de cloreto férrico e 50% de sulfato de alumínio.

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