Clarificação de água – Mananciais poluídos e uso racional incentivam melhorias tecnológicas

Embora a melhor indicação de tratamento só seja possível depois de um bem-feito jar test, há considerações genéricas sobre a escolha correta de coagulantes inorgânicos para cada tipo de água ou efluente/esgoto. O sulfato férrico e o cloreto férrico possuem capacidade de operar com uma faixa de pH mais ampla, de 5 a 11, sendo que o primeiro ainda conta com a vantagem de ter melhor desempenho em águas de cor elevada ou ácidas e o segundo normalmente tem boa aceitação para tratar esgotos. Por outro lado, o cloreto férrico, apesar de mais barato do que o sulfato de alumínio, apresenta como problema a alta corrosividade, o que dificulta sua manipulação. Há ainda a se considerar uma pequena vantagem do sulfato férrico com relação à sua maior capacidade de remoção de algas.

Química e Derivados, Antonio Ricardo Carvalho, líder da área técnica da Kurita, Clarificação da Aguá - Mananciais poluídos e uso racional incentivam melhorias tecnológicas
Antonio Ricardo Carvalho: blendas de coagulantes inorgânicos com os orgânicos

Em uma situação hipotética ideal tecnicamente, porém, há quem imagine a substituição completa dos coagulantes inorgânicos mais convencionais. É o caso de Alexandre Moreira, da GE Water. Para ele, há a possibilidade de se adotar sempre o PAC para a coagulação e, na fase seguinte da clarificação, depois deste estar 100% misturado ao efluente, optar-se por dosagem de pequeno percentual dos auxiliares de floculação catiônicos, aniônicos ou não-iônicos. “A economia com a dosagem de produtos e a menor geração de lodo, cuja destinação é cada vez mais cara, pagam o investimento rapidamente”, afirmou. Esse cenário idealizado pelo técnico, aliás, é por costume receitado pela Kurita quando recomenda o uso do PAC modificado. “Mesmo com esse coagulante mais eficaz ainda é necessário o auxiliar de floculação para completar o bom tratamento”, emendou Antonio Ricardo Carvalho.

Onda de aquisições – A despeito de idealizações, ocorre que o mercado de coagulantes inorgânicos, com os seus sais de ferro e alumínio, deve continuar a ser prevalente no país. Seu preço baixo e a funcionalidade técnica, tanto no mercado industrial como na sua grande aplicação em tratamento de água municipal, são motivos mais do que sufi cientes para crer no futuro desses insumos.

Mas uma prova mais concreta da perspectiva positiva do segmento é o fato de grupos estrangeiros demonstrarem firme interesse em investir nessa área no Brasil. Pelo menos dois concorrentes internacionais, a alemã Süd-Chemie e a fi nlandesa Kemira, se movimentam nos últimos anos com certa agressividade comercial no mercado de coagulantes inorgânicos e polímeros. A primeira, em um ritmo um pouco mais tímido, conta com fábrica com capacidade para 165 mil t/ano de coagulantes em Jacareí-SP e vem tentando adquirir outras unidades. Já a Kemira demonstra resultados mais práticos de um plano de expansão ambicioso que se baseia na aquisição de unidades produtivas de origem nacional.

Há dez anos no país, antes da onda de aquisições a empresa apenas contava com unidade em São Bernardo do Campo-SP, onde produz 100 mil t/ano de vários coagulantes inorgânicos (sulfatos férrico e de alumínio, cloreto férrico, PAC), e outra na Bahia, no site de dióxido de titânio da Millennium, em Camaçari, onde usa o subproduto sulfato ferroso para gerar 90 mil t/ano de sulfato férrico. Mas com a decisão estratégica de crescimento a aquisição de empresas nacionais começou a dar reforçada projeção ao competidor de origem finlandesa.

Em 2007, foi comprada a Dalquim, produtora de sulfato de alumínio com duas unidades em Santa Catarina e uma no Paraná, totalizando 100 mil t/ano de produção. Já em 2008 foi concluída a aquisição da Nheel, com unidade em Rio Claro-SP, a qual produz sulfato de alumínio, sulfato férrico, cloreto férrico e PAC, com capacidade instalada de 120 mil t/ano. O interessante é que a Nheel, antes dessa negociação, esteve para ser adquirida pela Süd-Chemie. Mas na última hora o acordo de compra foi desfeito.

A estratégia da Kemira, segundo explicou seu vice-presidente para a América Latina, Fred Schuurman, é conseguir se estabelecer com várias unidades produtivas, por todo o país, para poder colocar em prática o que considera ideal para viabilizar o fornecimento de coagulantes inorgânicos: estar com fábrica a no máximo 300 quilômetros do cliente. “Mais longe do que isso, o custo do frete, para um produto com preço médio de R$ 400 a tonelada, já torna a venda inviável”, afirmou. A única exceção, entre os produtos, seria a comercialização do PAC, cujo preço médio de R$ 800/t torna pouco mais interessante o transporte para regiões mais distantes. Mas não se deve esquecer ainda que boa parte dos coagulantes é vendida diluída, o que se traduz também por transporte de água.

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