Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

CIP – Indústria de cosméticos obtém economia de água e energia com sistemas automáticos de limpeza

Marcelo Fairbanks
15 de dezembro de 2009
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    Química e Derivados, CIP, Sistema CIP móvel

    Sistema CIP móvel fabricado com projeto da Giltec

    Na falta de normas atuais para cosméticos, os projetos seguem as de outros setores. É o caso da norma de Bioprocessing Equipment (BPE), editada pela Asme (American Society of Mechanical Engineers), de 2002. “É uma norma rigorosa, mas aponta as vazões, os materiais e as velocidades de escoamento para a elaboração de projetos”, explicou.

    Vem da BPE, por exemplo, a recomendação de velocidade mínima para limpeza automática de tubos de 1 a 1,5 metro por segundo. Essa velocidade é sufi ciente para gerar o efeito mecânico necessário para a limpeza desejada. “Na prática, cada caso precisa ser estudado, pois há situações que exigem velocidades de 3 m/s”, disse. A norma também limita o comprimento do “pescoço” das conexões em “T” a 2,5 vezes o diâmetro do tubo.

    “A norma BPE está sendo reestudada para verifi car a ocorrência de zonas mortas (sem circulação adequada) nas linhas e para verifi car se o regime turbulento criado por essas elocidades realmente garante a limpeza”, comentou Ivan Lisboa. A Stockval participa do comitê de estudos da BPE, ao lado de grandes fornecedoras mundiais de equipamentos e sistemas.

    Lisboa entende que a velocidade de escoamento é um bom parâmetro, mas há a necessidade de acelerar o processo de limpeza, exigindo revisão. Da mesma forma, os limites das conexões poderão ser alterados. “As conexões estão mudando, não precisam mais de tanto espaço para a solda orbital”, afirmou. A ideia é aumentar a eficiência dos sistemas CIP.

    Sem desperdícios – Entre todos os aspectos envolvidos nos sistemas automáticos de limpeza, um deles tem encontrado enorme receptividade por parte dos produtores de cosméticos. São os PIGs, dispositivos de limpeza de tubulações por arraste de material. Muito conhecidos na indústria de petróleo e petroquímica, esses equipamentos foram adaptados aos diâmetros e especifi cidades do setor cosmético. Grosso modo, um dispositivo é colocado dentro de um setor da tubulação e é impelido pneumaticamente a percorrer seu comprimento. Nessa passagem, ele empurra todo o material que restou dentro do cano, permitindo seu aproveitamento. Sem a passagem do PIG, difi cilmente esse produto poderia ser aproveitado, incorrendo em um novo custo.

    “O setor de cosméticos gosta muito dos PIGs, até por perceber imediatamente seus resultados, mas eles precisam comprar equipamentos de qualidade para evitar dissabores”, comentou Ivan Lisboa, da Stockval. As estações de lançamento e recepção dos PIGs precisam ser adequadas, evitando impactos muito fortes, capazes de destruir os elementos de limpeza, por exemplo. O grupo alemão Neumo, representado pela empresa, produz um PIG capaz de acompanhar curvas de raio curto, sem travamento.

    Química e Derivados, Guilherme Prelorentzou, especialista de desenvolvimento de negócios da GEA Process Engineering , CIP

    Prelorentzou exibe válvula para retirar amostras assepticamente

    A GEA Process Engineering fornece instalações completas, equipamentos isolados ou projetos de engenharia e reengenharia de plantas para vários setores industriais, entre eles a indústria de cosméticos. PIGs fazem parte do portfólio e oferecem o aproveitamento do produto acumulado nas tubulações de processo, bem como o encurtamento do ciclo de limpeza total, por removerem uma grande carga do sistema. “Podemos oferecer PIGs adequados para cada produto, porém as linhas do cliente precisam ser adequadas ao uso desses dispositivos, ou ‘pigáveis’, como dizemos”, explicou Guilherme Prelorentzou, especialista de desenvolvimento de negócios da companhia no Brasil.

    Além de evitar curvas e conexões inadequadas, ele pede atenção para as válvulas da linha, que precisam oferecer passagem plena (mesmo diâmetro da tubulação, sem ressaltos) para o PIG. As válvulas de esfera contam com desenhos de passagem plena e são muito usadas no setor. “Mas elas não podem ser consideradas como sanitárias, por permitirem o acúmulo de materiais atrás da esfera”, explicou.

    A GEA desenvolveu uma válvula de gaveta com haste ascendente, com simples ou dupla sede (para uma ou mais linhas simultâneas), à prova de misturas (mix proof). Seu desenho oferece passagem plena e com característica asséptica validada pelo European Hygienic Engineering & Design Group (EHEDG), órgão privado que associa vários fabricantes de equipamentos, contando com normas próprias e programas para difundir conhecimento em processos higiênicos.

    Química e Derivados, CIP, Válvulas, lavadoras e conexões higiênicas da GEA

    Válvulas, lavadoras e conexões higiênicas da GEA; no alto, a válvula dupla sede

    Segundo Ivan Lisboa, seu fornecedor alemão está desenvolvendo uma válvula de duplo assento e pigável que deverá estar disponível a partir de meados de 2010. “Linhas de xampu usam esse tipo de equipamento”, comentou. Ele admite o uso de válvulas de esfera em linhas tratadas por vapor, nas quais o material acumulado nas costas da esfera pode ser purgado com facilidade. Ele mencionou ter esferas com preenchimento da cavidade posterior feito de PTFE.

     

    Ele recomenda válvulas de diafragma com corpo forjado para CIP. “É uma válvula que traz benefícios também para a automação do sistema”, considerou. Os forjados superam os fundidos pela ausência de poros. As linhas farmacêuticas, por exemplo, são obrigadas a usá-los por força de norma.

    Soluções de limpeza – O líquido de limpeza mais importante da indústria de cosméticos é a água, capaz de resolver grande parte dos problemas. Cosentino adverte para a necessidade de tratar a água ao nível adequado ao processo. E também para a possibilidade de recirculá-la, gerando economia. “Em geral, a água que sai da rinsagem (última lavagem) volta para o início do processo, ou vai para o tanque de detergente, pois ela está praticamente limpa”, informou.



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