CIP – Indústria de cosméticos obtém economia de água e energia com sistemas automáticos de limpeza

Química e Derivados, Cosméticos, CIP

A indústria brasileira de produtos cosméticos mantém um ritmo de crescimento de produção e de vendas invejável, de dois dígitos por ano, desde o Plano Real, de 1993. Porém isso não se refl ete diretamente nos investimentos em sistemas automáticos de limpeza para suas linhas produtivas, mais conhecidos pelas siglas CIP (cleaning in place), SIP (sterilising in place) e WIP (washing in place), referentes respectivamente à limpeza, esterilização e lavagem com água feitas sem o desmonte das linhas de produção.

Setores industriais com características próximas, como o farmacêutico e o de alimentos, são clientes muito mais atentos aos benefícios oferecidos pelos sistemas automáticos, tanto na qualidade do produto fi nal quanto na redução de custos operacionais, como informam os fornecedores de equipamentos e unidades completas para essas operações. “Os engenheiros de processo devem encarar o CIP como parte da produção, não como uma utilidade ou acessório de linha”, recomendou Ivan Lisboa, diretor da Stockval Tecno Comercial, fornecedora de equipamentos, acessórios e sistemas completos de limpeza automática.

Na visão corrente dos produtores de cosméticos, a limpeza é um “mal necessário”, uma parada de linha produtiva que fi gura na coluna dos custos. Uma visão mais detida aponta alguns itens a acrescentar na coluna dos créditos. Os sistemas automáticos foram criados para evitar o desmonte dos tubos e equipamentos de processo para sua limpeza, ou seja, permitem a redução do tempo de parada e o consequente aumento da disponibilidade da unidade produtiva. Além disso, quando bem projetados, esses sistemas diminuem o uso de mão-deobra, abatem o consumo de água, de soluções de limpeza e de energia. É preciso computar também o impacto dessa economia na menor geração de efl uentes e de resíduos, ambos a requerer tratamento adequado.

“Os sistemas CIP têm por princípios o uso de um agente químico de dissolução, que pode ser a água pura, a sua temperatura e o efeito mecânico proporcionado durante um intervalo de tempo nas superfícies a serem limpas”, explicou o consultor Rodolfo Cosentino, da Giltec Assessoria e Consultoria Industrial. Além de elaborar projetos, a Giltec pode coordenar consórcios de fornecedores e entregar sistemas completos para os clientes, assumindo a partida e a responsabilidade pelo seu funcionamento adequado.

Química e Derivados, Rodolfo Cosentino, consultor da Giltec Acessoria e Consultoria Industrial, CIP
Cosentino: parâmetros vêm da norma Asme BPE

A combinação desses princípios em maior ou menor intensidade decorre das necessidades de cada aplicação específi ca. Produtos mais solúveis e de baixa aderência às superfícies podem ser removidos com água quente. Já os materiais viscosos, com tendência a grudar nos equipamentos, como as massas de batons, exigem o uso de agentes químicos adequados e a indução de efeitos mecânicos mais severos.

“Quando o projeto inicial da fábrica foi feito com o conceito asséptico, chamado cleanable, há grandes chances de sucesso em implantar um sistema CIP”, comentou Cosentino. Isso envolve o desenho do processo, evitando curvas e conexões muito fechadas, reatores e tanques com geometrias complexas e com sistemas de descarga lentos.

O consultor salienta que o objetivo maior do sistema é garantir a qualidade do produto fi nal, impedindo a multiplicação de agentes microbianos indesejáveis e também a contaminação cruzada entre produtos diferentes. “Quando se processa um item com aroma muito forte, ou com pigmentos potentes, é preciso contar com um sistema de limpeza muito bom para evitar que o produto seguinte tenha a cor e o aroma alterados”, afirmou. Há casos de empresas que simplesmente descartam o produto que apresente essas alterações, arcando com um custo signifi cativo, nem sempre computado adequadamente. É possível que a eliminação dessas perdas seja sufi ciente para compensar o investimento em um sistema de CIP mais avançado.

Fábricas mais antigas de cosméticos podem se revelar impossíveis para adaptação a sistemas CIP centralizados. Nesses casos, recomenda-se colocar um sistema dedicado para cada linha de produto, ou usar um sistema móvel para tratar cada linha a seu tempo. “Às vezes só dá para implantar o WIP, uma limpeza com água, para depois fazer o acabamento com pistolas manuais, desmontando parte da linha”, comentou. A Giltec comemora a entrega do 17º sistema móvel de CIP, montado sobre carrinhos, atendendo a várias linhas de fábricas, uma de cada vez.

Nas fábricas mais novas do setor, o sistema de limpeza é projetado em paralelo com a produção. Isso permite adotar sistemas centralizados e totalmente automatizados, mediante controles eletrônicos. O cliente e o projetista podem escolher entre várias alternativas para o controle do sistema. Nesse caso, os sistemas CIP podem ser gerenciados por um controlador lógico programável (CLP), ou podem ser ligados diretamente na malha geral de controle do processo, com total interconexão. É possível deixar uma interface no painel para controle local pelo operador. Até a operação das válvulas pode ser totalmente feita pelo sistema, evitando erros.

Cosentino sente mais receptividade pelos sistemas automáticos nos setores de alimentos e farmacêutico do que nos cosméticos. Em parte, essa diferença pode ser atribuída à falta de uma regulamentação nacional uniforme nessa atividade, que também se refl ete nas atividades de fi scalização, a cargo da Anvisa. “Quando um cosmético contém ingredientes ativos com efeitos diretos sobre a pele (os cosmecêuticos), ele se aproxima das normas e procedimentos do setor farmacêutico, muito mais exigentes”, comentou.

 

Química e Derivados, CIP, Sistema CIP móvel
Sistema CIP móvel fabricado com projeto da Giltec

Na falta de normas atuais para cosméticos, os projetos seguem as de outros setores. É o caso da norma de Bioprocessing Equipment (BPE), editada pela Asme (American Society of Mechanical Engineers), de 2002. “É uma norma rigorosa, mas aponta as vazões, os materiais e as velocidades de escoamento para a elaboração de projetos”, explicou.

Vem da BPE, por exemplo, a recomendação de velocidade mínima para limpeza automática de tubos de 1 a 1,5 metro por segundo. Essa velocidade é sufi ciente para gerar o efeito mecânico necessário para a limpeza desejada. “Na prática, cada caso precisa ser estudado, pois há situações que exigem velocidades de 3 m/s”, disse. A norma também limita o comprimento do “pescoço” das conexões em “T” a 2,5 vezes o diâmetro do tubo.

“A norma BPE está sendo reestudada para verifi car a ocorrência de zonas mortas (sem circulação adequada) nas linhas e para verifi car se o regime turbulento criado por essas elocidades realmente garante a limpeza”, comentou Ivan Lisboa. A Stockval participa do comitê de estudos da BPE, ao lado de grandes fornecedoras mundiais de equipamentos e sistemas.

Lisboa entende que a velocidade de escoamento é um bom parâmetro, mas há a necessidade de acelerar o processo de limpeza, exigindo revisão. Da mesma forma, os limites das conexões poderão ser alterados. “As conexões estão mudando, não precisam mais de tanto espaço para a solda orbital”, afirmou. A ideia é aumentar a eficiência dos sistemas CIP.

Sem desperdícios – Entre todos os aspectos envolvidos nos sistemas automáticos de limpeza, um deles tem encontrado enorme receptividade por parte dos produtores de cosméticos. São os PIGs, dispositivos de limpeza de tubulações por arraste de material. Muito conhecidos na indústria de petróleo e petroquímica, esses equipamentos foram adaptados aos diâmetros e especifi cidades do setor cosmético. Grosso modo, um dispositivo é colocado dentro de um setor da tubulação e é impelido pneumaticamente a percorrer seu comprimento. Nessa passagem, ele empurra todo o material que restou dentro do cano, permitindo seu aproveitamento. Sem a passagem do PIG, difi cilmente esse produto poderia ser aproveitado, incorrendo em um novo custo.

“O setor de cosméticos gosta muito dos PIGs, até por perceber imediatamente seus resultados, mas eles precisam comprar equipamentos de qualidade para evitar dissabores”, comentou Ivan Lisboa, da Stockval. As estações de lançamento e recepção dos PIGs precisam ser adequadas, evitando impactos muito fortes, capazes de destruir os elementos de limpeza, por exemplo. O grupo alemão Neumo, representado pela empresa, produz um PIG capaz de acompanhar curvas de raio curto, sem travamento.

Química e Derivados, Guilherme Prelorentzou, especialista de desenvolvimento de negócios da GEA Process Engineering , CIP
Prelorentzou exibe válvula para retirar amostras assepticamente

A GEA Process Engineering fornece instalações completas, equipamentos isolados ou projetos de engenharia e reengenharia de plantas para vários setores industriais, entre eles a indústria de cosméticos. PIGs fazem parte do portfólio e oferecem o aproveitamento do produto acumulado nas tubulações de processo, bem como o encurtamento do ciclo de limpeza total, por removerem uma grande carga do sistema. “Podemos oferecer PIGs adequados para cada produto, porém as linhas do cliente precisam ser adequadas ao uso desses dispositivos, ou ‘pigáveis’, como dizemos”, explicou Guilherme Prelorentzou, especialista de desenvolvimento de negócios da companhia no Brasil.

Além de evitar curvas e conexões inadequadas, ele pede atenção para as válvulas da linha, que precisam oferecer passagem plena (mesmo diâmetro da tubulação, sem ressaltos) para o PIG. As válvulas de esfera contam com desenhos de passagem plena e são muito usadas no setor. “Mas elas não podem ser consideradas como sanitárias, por permitirem o acúmulo de materiais atrás da esfera”, explicou.

A GEA desenvolveu uma válvula de gaveta com haste ascendente, com simples ou dupla sede (para uma ou mais linhas simultâneas), à prova de misturas (mix proof). Seu desenho oferece passagem plena e com característica asséptica validada pelo European Hygienic Engineering & Design Group (EHEDG), órgão privado que associa vários fabricantes de equipamentos, contando com normas próprias e programas para difundir conhecimento em processos higiênicos.

Química e Derivados, CIP, Válvulas, lavadoras e conexões higiênicas da GEA
Válvulas, lavadoras e conexões higiênicas da GEA; no alto, a válvula dupla sede

Segundo Ivan Lisboa, seu fornecedor alemão está desenvolvendo uma válvula de duplo assento e pigável que deverá estar disponível a partir de meados de 2010. “Linhas de xampu usam esse tipo de equipamento”, comentou. Ele admite o uso de válvulas de esfera em linhas tratadas por vapor, nas quais o material acumulado nas costas da esfera pode ser purgado com facilidade. Ele mencionou ter esferas com preenchimento da cavidade posterior feito de PTFE.

 

Ele recomenda válvulas de diafragma com corpo forjado para CIP. “É uma válvula que traz benefícios também para a automação do sistema”, considerou. Os forjados superam os fundidos pela ausência de poros. As linhas farmacêuticas, por exemplo, são obrigadas a usá-los por força de norma.

Soluções de limpeza – O líquido de limpeza mais importante da indústria de cosméticos é a água, capaz de resolver grande parte dos problemas. Cosentino adverte para a necessidade de tratar a água ao nível adequado ao processo. E também para a possibilidade de recirculá-la, gerando economia. “Em geral, a água que sai da rinsagem (última lavagem) volta para o início do processo, ou vai para o tanque de detergente, pois ela está praticamente limpa”, informou.

 

Ele considera o suprimento de soluções químicas para sistemas automáticos de limpeza um problema já superado. “Os grandes fornecedores dessas soluções químicas já possuem linhas de prateleira que resolvem todos os problemas da indústria de cosméticos”, comentou. Isso dispensa os usuários do trabalho de elaborar suas formulações.

Química e Derivados, Ivan Lisboa, diretor da Stockval Tecno Comercial, CIP
Lisboa e alguns modelos de lavadores da AWH; no detalhe (abaixo), o menor da linha

O desenho do sistema considera o uso de produtos adequados para cada caso específi co. Há situações que exigem a passagem de um produto inicial alcalino, seguido de lavagem com água e posterior neutralização dos resíduos com uma solução ácida. Outros pedem a solução ácida antes. Outros usam apenas detergentes potentes.

O esquema de lavagem determina a configuração do sistema CIP, quantos tanques serão usados, quantas bombas, quantas válvulas etc.

A disponibilidade de controles automatizados favorece a  recirculação dessas soluções de limpeza, que podem ser aproveitadas durante toda a campanha produtiva, ou, pelo menos, até a sua saturação. Em geral, os sistemas automáticos controlam a concentração dessas soluções, e promovem a descarga parcial e a recomposição (make-up) continuamente.

“Recomendamos controlar a qualidade das soluções químicas por meio de um condutivímetro instalado nos tanques, em vez de contar apenas com sensores de nível”, explicou Prelorentzou, da GEA. A condutividade indica a hora de trocar toda a solução ou de promover a sua recomposição com mais precisão, evitando desperdícios. Além disso, esse tipo de sensor ajuda a compensar eventuais partidas de soluções químicas com baixa concentração de ingredientes, antes que isso redunde em problemas por falta de limpeza correta na linha. Ou de tempos mais longos de tratamento.

Química e Derivados, CIP, Lavador da AWH
Modelo de lavador, o menor da linha

Efeito mecânico – Nos sistemas manuais, a escovação das paredes de tanques e de tubos auxilia a remover resíduos. No caso dos sistemas automáticos que dispensam o desmonte das linhas, é o fl uxo das soluções de limpeza o responsável por desprender os resíduos das superfícies a serem limpas. Nesse ponto, é preciso separar a limpeza das tubulações do tratamento a ser conferido aos tanques e reatores.

No caso dos tubos e de vários equipamentos de processo, o fluxo das soluções químicas (ou da água) faz a limpeza, desde que mantida a velocidade adequada, indicada pela norma Asme BPE.

Tanques e reatores eram limpos inicialmente por inundação, mas isso representava um gasto excessivo de  soluções químicas e também de tempo. Foi preciso criar dispositivos capazes de molhar as superfícies internas desses vasos e, em alguns casos, de gerar um impacto sufi ciente para a remoção dos resíduos aderidos. “O que limpa um tubo é a velocidade de escoamento; o fator mais importante na limpeza de tanques é a pressão, que transforma a energia do fluxo em impacto contra as paredes dos recipientes”, explicou Cosentino. Por isso, a limpeza dos tubos é feita separadamente da dos vasos.

O mais difundido dispositivo de limpeza de tanques são as esferas (fi xas ou giratórias) perfuradas ou com rasgos, chamadas de spray balls. Há vários motivos para explicar o insucesso de sua aplicação: pressão incorreta, geometria inadequada do tanque, elementos internos que geram áreas de sombra dentro dos vasos, vazão inadequada, entre outros. “A abordagem mais fácil dos clientes do setor de cosméticos consiste em oferecer componentes mais efi cientes para substituir as esferas perfuradas”, comentou Lisboa. “As spray balls são tecnologia de mais de quinze anos atrás.”

Interessados em obter melhor limpeza e com menor tempo de parada, os clientes procuram os fornecedores em busca de dispositivos mais avançados, com ampla gama de alternativas. A sua troca é simples, quando dotados de sistemas de fixação rápida por clips. Animados com os resultados dos novos dispositivos, os clientes se mostram mais receptivos a rever todo o sistema CIP. “Muitas vezes a linha de produção sofreu alterações, incorporando novos produtos, mas o CIP não foi adaptado para isso”, explicou. A Stockval distribui com exclusividade os lavadores da alemã AWH, do grupo Neumo, mantendo estoque local.

Lisboa comenta que os produtos da AWH aplicam mais a pressão que a vazão, gerando economia de água. Conta com lavadores fi xos e rotativos, às vezes motorizados, quando se quer preservar a pressão original do bombeamento. Jet cleaners motorizados podem trabalhar a 15 bar de pressão, tratando tanques com até 12 metros de diâmetro e produtos de difícil remoção. “A complexidade dos tanques e de seus elementos internos determina a escolha do tipo de lavador. Em geral, o escorrimento das soluções pelas paredes e acessórios dá conta da limpeza”, disse.

Em relação à norma Asme BPE, ele salientou que apenas os lavadores fi xos são admitidos. A revisão da norma prevista para 2012 deve aceitar o uso de lavadores rotativos, atendendo às pressões dos fabricantes e dos clientes, interessados em economizar água e no aumento da disponibilidade das linhas de produção.

Considerada a mais conhecida empresa mundial na área de pulverização, a Spraying Systems atua na área de limpeza automática de linhas de produção oferecendo desde projetos de engenharia, incluindo avaliação de sistemas existentes, estudos de aplicação e aumento de efi ciência, até a venda de componentes ou mesmo de sistemas completos de CIP, WIP e SIP. “Só em lavadores para tanques, temos mais de cem tipos diferentes, a maior gama de produtos disponíveis”, afi rmou Milton Viveiros, representante do departamento técnico-comercial.

 

 

 

Química e Derivados, Milton Viveiros, Spraying Systems, CIP
Milton Viveiros: Lavador Rokon (abaixo) economiza a metade da água gasta por um spray ball

Em sua sede brasileira, em São Bernardo do Campo-SP, a Spraying Systems mantém um laboratório com equipamento capaz de medir o tamanho e a dispersão das gotas geradas por seus produtos, garantindo a precisão e a repetibilidade, oferecendo serviços para várias aplicações da indústria química, além da limpeza de linhas de produção. Também conta com um modelo computacional próprio (o CFD) que predetermina a reação das gotas do spray no ambiente onde serão lançadas, a exemplo da determinação do tempo de secagem das gotas lançadas em uma corrente gasosa.

Viveiros comenta que as spray balls oferecem jatos sólidos que atingem a parede dos tanques de forma estática, com resultados adequados em algumas aplicações. Lavadores rotativos, porém, proporcionam maior área de impacto no tanque. Ou seja, transferem melhor a energia produzida na bomba para a parede dos vasos. Com isso, oferecem melhor resultado final.

É o caso da família de lavadores Rokon, do tipo reacionário, ou seja, movimentados pela energia do próprio fl uxo de limpeza. Os Rokon apresentam velocidade constante de giro, mesmo com variações de pressão. Isso resulta em um tempo de residência e de impacto homogêneo em toda a área interna do vaso. “É preciso observar que o aumento da pressão não resulta em melhor lavagem”, disse Viveiros. “A pressão mais alta gera gotas menores, reduzindo a transferência de energia para as superfícies a serem limpas.” Gota menor, massa menor, que não é compensada pelo aumento da velocidade alcançada.

Química e Derivados, CIP, Lavador Rocon
Lavador Rokon

 

Segundo informou, em relação a uma spray ball fi xa, um lavador Rokon consegue reduzir o uso de água (ou solução química) da faixa de quatro a cinco metros cúbicos por ciclo de CIP para 1,5 a 2 m³/ciclo. “Sem mencionar a redução do tempo do ciclo, por operar com menor volume”, aduziu. A spray ball deve operar no máximo a 2 kgf/cm² (bar) para ser efi ciente, pois ela funciona por arremessar uma elevada massa de líquido. Um Rokon pode chegar a 16 kgf/cm², girando a 30 rpm.

Essa família de lavadores é fabricada na Alemanha, com aço inox 316, e tem aplicação sanitária, contando com certificado 3A (entidade ligada a processos higiênicos), sendo construídos segundo recomendações da agência FDA dos EUA. “Eles exigem o eletropolimento das superfícies dos lavadores, até mesmo nossas spray balls são eletropolidas interna e externamente”, explicou. Os Rokon são autolimpantes, ao contrário das spray balls.

Além dos produtos reacionários, a empresa também fornece lavadores motorizados, nos quais os giros nos eixos vertical e horizontal são acionados por motor elétrico ou por linha pneumática. Há lavadores motorizados que operam com 70 kgf/cm², podendo lavar adequadamente tanques com até 24 metros de diâmetro, incluindo carretas rodoviárias. “Garantimos que toda a área interna do tanque será atingida”, afirmou. Reatores de produção de cremes e pastas tendem a ser mais complicados para lavagem automática, em razão da presença de pás, rotores internos de recirculação e aletas controladoras do movimento interno do produto. Esses dispositivos podem criar áreas de sombra, locais onde os jatos dos lavadores não alcançam. Para esses casos, existem várias confi gurações de dispositivos e acessórios, como hastes retráteis, e automatização do deslocamento dos dispositivos. “Há casos tão complexos que exigem uma limpeza manual fi nal”, comentou. Para esses casos, a companhia oferece pistolas com um desenho especial, que permitem operar com água quente sem aquecer demais o gatilho, uma queixa frequente dos operadores.

Ele salienta que o trabalho da Spraying Systems está em proporcionar economia do fl uido aplicado no tratamento. Cabe ao cliente, em momento posterior, avaliar a possibilidade de mudar a “receita” do seu sistema.

A GEA também produz spray balls e outros desenhos de lavadores, inclusive os motorizados. “É preciso salientar que uma spray ball não é só uma esfera perfurada de qualquer jeito, há tecnologia na distribuição e no formato desses furos”, explicou Prelorentzou. Ele comenta que 70% da ação de uma spray ball é química (dissolução) e 30% mecânica. “Ela molha as partes altas dos tanques e o escorrimento limpa o resto”, disse. Já os lavadores de jatos orbitais têm efeito predominantemente (70%) mecânico, por impacto. Nas contas da GEA, um dispositivo de jato orbital pode consumir 30% menos água que uma spray ball, com encurtamento do tempo de ciclo. O jato orbital é quatro a cinco vezes mais caro que as esferas, mas os resultados justifi cam o investimento. “Há tecnologias intermediárias para todos os usos”, comentou.

Casos de tanques de geometria complexa ou com profusão de acessórios internos podem ser tratados com a colocação de vários dispositivos lavadores. “Temos acessórios para embutir os lavadores quando fora de uso, tubos telescópicos e outras soluções de engenharia”, disse.

Também os tubos de grande diâmetro podem contar com sistemas de lavagem capazes de reduzir o consumo de água. “Um lavador é acoplado a um tipo de carrinho que percorre o seu interior enquanto lava as paredes internas automaticamente”, comentou.

Bombeamento – Em geral, as bombas e acessórios de linha são limpos com as tubulações. É possível usar as bombas de processo nos sistemas de CIP, mas isso exige estudos para cada caso, além da colocação de fi ltros antes e depois dos equipamentos. A Stockval importa bombas centrífugas alemãs, da KPA, feitas de aço inox forjado e usinado.

“Só não usamos as bombas de lóbulos no CIP, porque essas bombas, adequadas para produtos viscosos, geram muita pressão e podem danifi car as instalações”, explicou Rodolfo Cosentino. A preferência recai nas bombas centrífugas, que podem ter vazão e pressão moduladas com o uso de inversores de frequência, dentro dos limites inerentes ao tipo de bomba. Isso permite operar o sistema CIP com grande flexibilidade.

As linhas de retorno dos líquidos do CIP são propulsadas por outras bombas, geralmente centrífugas autoescorvantes ou de diafragma. “Essas bombas devem ser capazes de operar a seco por alguns momentos, situações normais na linha de retorno”, explicou Cosentino.

 

 

Prelorentzou recomenda prestar muita atenção para os produtos que serão movimentados nas operações. As tubulações e conexões com equipamentos contam com juntas especiais, que admitem dilatações e incluem componentes de borrachas especiais. A especificação correta desses componentes depende da informação precisa sobre os líquidos a movimentar. “Caso o cliente decida fazer uma passivação química na entrega do sistema, isso poderá reduzir a vida útil das vedações de borracha”, explicou.

Sistemas de sanitização são pouco frequentes em cosméticos, mas podem ser feitos sem maiores dificuldades, bastando contar com os ingredientes químicos adequados, como o ácido peracético. Em alguns casos pode ser preciso injetar vapor saturado nas linhas. Ou produzir a secagem com ar. Os fornecedores de sistemas estão preparados para suprir essas demandas.

Atualmente, o mercado de componentes de sistemas CIP/WIP está sendo abastecido por importações. “Até os tubos, curvas e conexões de aço estão sendo preferencialmente importados por razões de custos e de qualidade”, afi rmou Lisboa. Ele ressaltou que, quando o dólar estava cotado a R$ 3,60, havia a necessidade de desenvolver fornecedores locais de tubos e conexões. Hoje, a maior parte de todos os componentes vem da Europa, dos Estados Unidos ou de Taiwan, nesse caso sob a supervisão dos licenciadores.

As linhas sanitárias da GEA são fabricadas fora do Brasil, em instalações adequadas e com escala de produção. “No grupo todo, só a Alemanha faz trocador de calor higiênico, por exemplo”, explicou. A unidade local importa componentes para compor seus sistemas completos, ou os vende para terceiros. Isso inclui produtos especiais, como uma válvula amostradora asséptica, capaz de retirar amostras da linha de produção sem a necessidade de retardar o fluxo. Desenhos de corpos de acessórios in-line permitem o acoplamento de válvulas e instrumentos às linhas produtivas sem a formação de pontos mortos, com a possibilidade de limpeza CIP.

A Spraying Systems desenvolveu um sistema para monitorar eletronicamente os ciclos de CIP para garantir que a lavagem automática esteja sendo bem feita. Lançado em 2008, o Spray Check prevê a colocação de um sensor acústico na parede externa do tanque a ser limpo e vai armazenando as leituras durante vários ciclos de limpeza considerados satisfatórios pelos usuários. “Esses dados são armazenados e tratados pelo software, que gera um padrão gráfi co para comparação com novas leituras”, explicou Viveiros. Caso os novos dados sejam muito discrepantes da curva-padrão, alarmes são acionados para a intervenção dos operadores.

Composto de um sensor acústico, uma caixa de conversão de sinal e um software, o Spray Check pode ser aplicado a todos os tipos de tanque ou de reator, equipados com sistemas de limpeza de qualquer fornecedor. O sistema facilita a validação dos processos e auxilia a verifi cação da efi cácia dos sistemas de limpeza. “Pelo ruído produzido, dá para saber se o lavador está girando ou não”, exemplificou.

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