Meio Ambiente (água, ar e solo)

Chile larga na frente – Meio Ambiente

Marcelo Furtado
26 de outubro de 2020
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    Química e Derivados - Chile larga na frente - Meio Ambiente ©QD Foto: iStockPhoto

    Antes do Brasil, o Chile já acordou para as possibilidades abertas com a demanda global pelo hidrogênio verde. Em junho, o governo do país vizinho anunciou um plano nacional para o H2 verde e afirmou que até o fim de 2021 terá as primeiras unidades produtoras do combustível.

    O plano faz parte da meta do país de se tornar neutro em carbono até 2050 através do aumento da participação de fontes renováveis na matriz energética para 70% previsto para 2040. Atualmente 48,3% da capacidade instalada é renovável (27% hídrica, 10,8% solar, 8,6% eólica, 1,8% biomassa e 0,2% geotérmica). Os restantes 51,7% são térmicas fósseis (21,2% carvão, 19,2% gás natural e 11,4% petróleo). Estas últimas terão muitas usinas desligadas ao longo dos anos.

    A ideia do Chile é utilizar as novas usinas solares e eólicas em construção e em projeto – o país tem bons ventos no litoral e radiação solar acima da média em áreas desérticas – para suprir de energia renovável barata plantas de hidrogênio verde, que seriam voltadas principalmente para exportação. O maior potencial está na geração solar que, segundo levantamento do governo, cresceu 750 vezes desde 2013. Já a eólica ficou sete vezes maior no mesmo período.

    Considerada estratégia de estado, o próprio governo chileno está contatando empresas da área de hidrogênio para fomentar a produção.

    O ministério da energia, ao divulgar o plano em junho, destacou ainda que há mais de 20 empresas chilenas desenvolvendo projetos de hidrogênio e que o governo está ajudando esses empreendedores com incentivos e processos desburocratizantes. Além disso, há um trabalho de busca por fundos internacionais para financiar os projetos.

    A meta é fazer o hidrogênio verde em 2050 significar para a economia do Chile o mesmo que a mineração representa hoje. A expectativa é a de que até 2030, com os investimentos puxados pela energia renovável barata, o hidrogênio verde chileno esteja competitivo em comparação com o cinza e possa ser principalmente exportado para a Ásia, via Pacífico.

    A euforia não é à toa. Uma projeção da consultoria MacKinsey estimou que, caso os produtores chilenos consigam ter 50% do mercado japonês e coreano de hidrogênio verde e 20% do chinês, isso significará em 2050 um volume de exportação de 25 milhões de t/ano de H2, com vendas anuais de US$ 30 bilhões, o equivalente a 5% da demanda global pelo hidrogênio. O principal fator para embasar a projeção é a perspectiva de o Chile se tornar uma potência na energia renovável, algo que o Brasil já é.



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