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Cervejaria de Santa Catarina adere ao ozônio de plasma frio

Quimica e Derivados
10 de Maio de 2018
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    Química e Derivados, Unidade geradora de ozônio por plasma frio ©QD Foto: Divulgação

    Unidade geradora de ozônio por plasma frio

    Uma solução nacional inovadora para sanitização e tratamento de efluentes à base de plasma (considerado o quarto estado da matéria), desenvolvida pela empresa Wier Tecnologia, de Florianópolis-SC, está sendo empregada em cinco etapas produtivas da cervejaria artesanal Al Fero, de Nova Trento, também no mesmo estado.

    Tecnologia agraciada no ano passado com o importante prêmio Kurt Politzer de Inovação Científica da Abiquim, trata-se de sistema que inclui rota para gerar o plasma frio, até então não aplicado no Brasil na área ambiental. Ao contrário do mais conhecido plasma térmico, que é formado em tocha por gás ou mistura de gases que sofrem grande intensidade de corrente elétrica e baixa tensão para mineralizar poluentes sob altíssima temperatura, o plasma frio (do inglês non thermal plasma) ocorre em reator com alta tensão e pouca corrente elétrica e se apresenta em temperatura ambiente. Embora incomum nessa área, o plasma frio está presente em lâmpadas fluorescentes, televisões de plasma, equipamentos médicos e de esterilização.

    De acordo com o diretor executivo da Wier, Bruno Cadorin, doutor em química pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e responsável pelo desenvolvimento, a partir da obtenção do plasma frio gera-se ozônio, o qual pode ser formado por inúmeras reações químicas a partir do seu alótropo oxigênio. Com um controle da formação do plasma para o direcionamento de determinadas reações químicas, pode-se obter maior eficiência energética na produção de ozônio em relação a outros métodos, a exemplo do uso de luz ultravioleta. E é com esse domínio tecnológico que a Wier projeta e constrói reatores que, entre outras empresas, está sendo aplicado na cervejaria catarinense.

    A cervejaria começou a optar pelos ozonizadores a plasma frio há cerca de um ano, quando comprou dois sistemas de sanitização de garrafas para substituir o uso de ácido peracético. Segundo explica o diretor da Wier, criador da tecnologia, com preço total de R$ 12,9 mil, os geradores de ozônio tiveram o investimento amortizado em quatro meses, pois a empresa gastava R$ 3 mil por mês com o oxidante químico, tradicionalmente aplicado nessa etapa em cervejarias. Na mesma época, a Al Fero também adquiriu máquina de ozônio da Wier para eliminar mofo, micro-organismos e odores na câmara frigorífica, por R$ 4.490,00.

    Os resultados na primeira experiência foram satisfatórios para a empresa, que aprovou tecnicamente a sanitização das garrafas e a eliminação de mofos e odores na câmara frigorífica. Além disso, o fato de não manipular mais o ácido peracético, que além de caro é altamente irritante, foi um ponto muito comemorado pelos cervejeiros. Isso fez a Al Fero expandir a experiência com o ozônio para outras áreas.

    Para começar, um outro sistema, de R$ 14,9 mil, foi instalado para sanitização dos tanques de fermentação, que também substituiu a desinfecção com ácido peracético necessária depois da limpeza para remoção de incrustações feita com soda cáustica, etapa que ainda precisa ser mantida. Também foi adquirida (R$ 19,9 mil) uma máquina de jateamento com água ozonizada, com mangueira especial, que descontamina, desodoriza e sanitiza o piso e outras áreas da fábrica, que por conta do processo cervejeiro demanda limpeza de alto padrão para evitar contaminação.

    Um quinto investimento, mais audacioso, está sendo entregue para a Al Fero e visa usar o ozônio como substituto do tratamento físico-químico dos efluentes da cervejaria. A oportunidade surgiu em razão da expansão da capacidade produtiva da empresa que, assim como todo o mercado de cerveja artesanal no país, passa por um momento de alta na demanda.

    Sem espaço para expandir sua atual estação de tratamento – com um tanque biológico e outro físico-químico e que recebe 88 mil litros por mês de efluentes – para atender sua nova produção (passou de 12 mil litros/mês para 60 mil l), a Al Fero precisou estudar outras rotas de tratamento. Com a proximidade tecnológica com a Wier, os testes com o ozônio comprovaram que seria possível expandir a solução também para essa etapa.

    O sistema compacto de tratamento por ozônio, depois de testes, demonstrou quebrar as moléculas dos efluentes pós-biológico rico em carboidratos e proteínas e proveniente da água da produção, da sanitização de tanques e garrafas, da pasteurização e da limpeza de linhas e equipamentos. Sob o valor de R$ 50 mil, a nova estação entregue no final de março reduz DBO, DQO, turbidez e cor do efluente, permitindo seu descarte em rio.

    O fornecimento na cervejaria é uma das estratégias de crescimento da Wier, uma start-up incubada no Parque Tecnológico da Fundação Certi em Florianópolis-SC, mas não é a única. Na verdade, qualquer tipo de efluentes, inclusive os recalcitrantes, podem ser tratados com o sistema. Já há aplicações em efluentes têxteis e muito provavelmente em breve a tecnologia poderá ser estendida para uso em poluentes mais persistentes, como organoclorados, quando a recomendação inclusive é de uso direto de reator de plasma frio.


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