Equipamentos e Máquinas Industriais

Centrífugas: Melhora da economia agita fabricantes de centrífugas

Jose P. Sant Anna
30 de julho de 2004
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    Possível retomada de investimentos de clientes anima fornecedores dos vários tipos de separadores por ação centrífuga

    Química e Derivados: Centrífugas: centrifugas_abre1. ©QD Foto - Cuca JorgeAs vendas de centrífugas são diretamente proporcionais aos investimentos dirigidos à expansão da capacidade produtiva da indústria. Dessa forma, as previsões otimistas sobre o atual momento da economia, que apontam para o início de um período de desenvolvimento do País, são vistas pelo setor com alento. Resta torcer para que o bom período não se transforme em mais um “vôo da galinha”, nome dado pelos especialistas às bolhas de crescimento da economia.

    “Desde o Plano Collor estamos vivendo momentos de muitas dificuldades. Com a sucessão de crises, muitos fabricantes nacionais deixaram de existir e, os que resistiram, ficaram brigando com os importadores. Só nos últimos meses é que as vendas começaram a dar alguns sinais de recuperação”, conta Antonio Ribeiro, diretor comercial da Pana American, empresa criada em 1972 e uma das raras nacionais que sobreviveram às dificuldades do mercado – a empresa conta com fábrica no município de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo.

    Uma das formas que a Pana American encontrou para enfrentar a sucessão de crises da década de 90 foi fazer um acordo operacional com a Grisanti, empresa brasileira criada em 1925 e com fábrica em Ribeirão Pires, também na Grande São Paulo. “Nós fabricamos exatamente os mesmos modelos e, nos momentos de dificuldade, nos socorremos”, conta o presidente Raul Grisanti, que mostra-se bem mais incrédulo em relação ao progresso do mercado nacional. “As vendas estão paradas, trabalhamos apenas para pagar impostos”, reclama.

    Química e Derivados: Centrífugas: Takano - economia na hora da compra pode custar caro. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Takano – economia na hora da compra pode custar caro.

    A Pana American e a Grisanti têm outra coisa em comum. As duas são representantes no Brasil da italiana Comi Condor, fabricante de centrífugas e de outros equipamentos. “Algumas máquinas que produzimos aqui têm tecnologia italiana. Também importamos equipamentos da Comi Condor sem similares no Brasil”, acrescenta Ribeiro. Entre os principais clientes das duas empresas encontram-se as indústrias químicas, farmacêuticas, têxtil, metalúrgica e alimentícia.

    Outra empresa que participa desse mercado com destaque é a Alfa Laval. Criada há 110 anos na Suécia e presente no Brasil há mais de 40, a multinacional arrecada, com a venda de centrífugas, cerca de 30% de seu faturamento. “Nosso crescimento na venda de centrífugas no ano passado foi de 5% a 8%. Em 2004, no mínimo, esperamos ultrapassar a casa dos 10%”, avalia o gerente comercial Ricardo Chade. O executivo não descarta obter índice de crescimento bem mais expressivo, caso as coisas caminhem de forma positiva na economia. O motivo do otimismo encontra-se na composição da carteira de clientes da empresa que atende diversos segmentos, entre os quais merecem destaque indústrias dos setores automobilístico, sucro-alcooleiro, de celulose e papel, e naval, esses em momento favorável a investimentos.

    No passado, a Alfa Laval produzia em sua fábrica localizada na capital paulista uma gama bastante ampla de equipamentos. Com a crise iniciada no início da década de 90, a fábrica nacional foi bastante desmobilizada. “Hoje produzimos apenas centrífugas de menor porte. Os demais modelos são todos importados”, revela Fabrício Navarro, engenheiro de vendas da empresa. Uma possível reversão desse quadro só ocorrerá no caso do País vir a apresentar índices de crescimento que permitam escala compensadora de produção das máquinas de maior porte.

    Química e Derivados: Centrífugas: grafico_centrifugas. ©QDVários modelos – Virtualmente, em todos os ramos industriais, em algum ponto de seus processos de fabricação, sempre há a necessidade de realizar a separação de dois líquidos não miscíveis ou de um líquido com um sólido nele insolúvel – sejam as substâncias aproveitadas ou não após a operação. O processo mais natural para se realizar essa separação é o da decantação, que ocorre a partir da força da gravidade. Por esse método, as partículas mais pesadas de uma das substâncias se depositam no fundo da mistura depois de um período de repouso.

    A decantação, no entanto, é um processo demorado, que raras vezes atende às necessidades da indústria. Para realizar essa operação com maior rapidez é que foram criadas as centrífugas, equipamentos já utilizados há muitas décadas. Com o auxílio de componentes mecânicos, elas imprimem às misturas acelerações milhares de vezes superiores à gravitacional, tornando mais rápido o processo. Os modelos de hoje são dotados de componentes mais modernos, mas a maior novidade dos equipamentos está presente em seus controles, fruto da automação industrial ocorrida graças à impressionante evolução da informática.

    A diversidade de aplicações faz com que os fabricantes do equipamento ofereçam ao mercado modelos bastante diferenciados, não só em termos de projeto das máquinas, mas também em relação às suas capacidades de separação. A diversidade é tão grande que algumas empresas fornecedoras de centrífugas não concorrem diretamente entre si. É o caso, por exemplo, da Pana American e da Grisanti, que não atuam nos mesmos nichos de mercado da Alfa Laval.


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