Equipamentos e Máquinas Industriais

Centrífugas: Clientes começam a se importar menos com o preço das máquinas

Marcelo Furtado
11 de junho de 2002
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    Um conceito que a Westfalia pretende vender para o mercado sucroalcooleiro é o de substituição de muitas centrífugas pequenas, para concentração de levedura, por máquina de maior capacidade. “Utilizar apenas uma centrífuga facilita o aparato necessário para manutenção”, afirma Viola.

    Química e Derivados: Centrífuga: Luz - laboratório sueco define tipo de centrífuga para nova aplicação.

    Luz – laboratório sueco define tipo de centrífuga para nova aplicação.

    Essa euforia provocada pelo álcool, aliás, não se limita ao mercado Brasileira. Com a perspectiva de exportação de álcool anidro para a Índia, para utilizá-lo como aditivo de gasolina, as usinas nacionais devem aumentar a produção. Esse panorama serve como incentivo de curto prazo, visto que as expectativas futuras são ainda melhores. A intenção indiana é ser auto-suficiente no álcool, o que deve gerar negócios para a indústria nacional de bens de capital, já bastante experiente no setor. “Recepcionei uma comitiva de indianos, em visita a usinas nacionais”, ressaltou a gerente da Alfa Laval, Cibele David.

    Diversificar é preciso – As vendas para açúcar e álcool ajudaram algumas empresas a variar um pouco o perfil da carteira de clientes. Foi o ocorrido com a Westfalia Separator, até então muito concentrada em alimentos, responsável tradicionalmente por cerca de 80% de suas vendas. Hoje, metade dos negócios são para setores industriais como o químico, farmacêutico, efluentes, entre outros.

    Essa busca por diversificar a clientela e não depender apenas de um setor faz parte da estratégia dos outros concorrentes. A Mausa, por exemplo, procura compensar o marasmo durante a safra sucroalcooleira com vendas para outros setores, como o de papel e celulose. Recentemente, firmou acordo comercial com empresa finlandesa, a Andrix, para vender filtros especiais para esse setor.

    Também a Alfa Laval, por ter pertencido a um grupo do setor de embalagens (Tetra Pak), era muito voltada para a venda de separadores para a indústria alimentícia. Para reverter a situação, começou a procurar novos nichos. Mais especificamente, a empresa vai atrás de novas aplicações para suas centrífugas de discos e decanters. “Há muitos usos em separação industrial sem especificação do tipo ideal de centrífuga a ser empregado”, explicou o engenheiro de vendas da Alfa Laval, Fernando Luz.

    Para descobrir qual a máquina recomendada, os técnicos locais remetem amostras e o histórico do processo para os laboratórios da empresa na Suécia. Lá são realizados testes de abrasão, de percentual sólido e de floculados do concentrado, para se definir a centrífuga e os complementos do

    Química e Derivados: Centrífuga: Oyanguren - nova representada espanhola.

    Oyanguren – nova representada espanhola.

    processo (por exemplo o uso de produtos químicos). “Desenvolver uma aplicação cria um vínculo com o cliente, que dificilmente será desfeito no futuro”, afirma Luz.

    Outros nichos – Já nas aplicações tradicionais, os competidores dificilmente deixam de cercar o mesmo cliente. Ocorre isso, por exemplo, no mercado de mineração e siderurgia, onde pelo menos quatro importadores se confrontam nas concorrências: além da Alfa Laval e da Westfalia, ainda a alemã Bird-KDH e representantes comerciais, como a HA, de São Paulo, responsável pela inglesa Broadbent.

    Dentro desses setores, um exemplo de aplicação em ascensão é o uso de decantadoras e centrífugas de discos para classificação de partículas de caulim. O mercado tem confrontado essas duas tecnologias de centrifugação: a Alfa Laval vende as de discos e a Westfalia e a Bird-KDH, as decanters. A Westfalia, aliás, entrou recentemente nessa briga vendendo um modelo com diâmetro de 630 mm para grande produtora.

    A atuação da HA, de São Paulo, representante no País das centrífugas da inglesa Broadbent, exemplifica essa disputa por nichos específicos, como o da siderurgia. Recentemente, segundo afirmou o diretor da HA, Agustin Oyanguren, foi vendida uma centrífuga decantadora de processo Broadbent, para 50 t/h de sólidos secos, para a Companhia Vale do Rio Doce desidratar cloreto de potássio.

    Química e Derivados: Centrífuga: Supercentrífuga vai até 16.000 rpm.

    Supercentrífuga vai até 16.000 rpm.

    Apesar dessa venda, essas mesmas centrífugas da Broadbent, para Oyanguren, não têm boa saída no Brasil justamente por serem para aplicações muito específicas, como a produção de PVC, DMT ou PTA, segmentos há muitos anos sem investimentos locais. Para compensar um pouco a sazonalidade extrema dessas vendas, a HA passou a representar a espanhola Riera Nadeu, fabricante de centrífugas decantadoras de eixo vertical de altíssima velocidade (até 16.000 rpm).

    Apesar dessas centrífugas espanholas também se voltarem para especialidades, Oyanguren está de olho em mercados com boas perspectivas, como o de biotecnologia, de tratamento de sangue (separação de plasma, hemoglobina) e até na indústria de urânio.

    Empregada apenas em pequenas vazões em virtude da alta velocidade, volta-se para separação em líquidos com baixo conteúdo de sólidos. Com preços a partir de US$ 30 mil, a chamada supercentrífuga deve ter sua primeira aplicação no Brasil na indústria de urânio.



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    Um Comentário


    1. um dos maiores problemas nas centrifugas, sãos as manutenções….sempre caríssima e de uma mão de obra cada vez mais escassa de profissionais na area….quanto mais moderna for a centrifuga e com menor intervenção possivel de mecanicos, melhor…talvez devido a isso que as empresas optem pagar mais no custo de aquisição, do que ter que arcar com as carissimas manutenções….ja trabalhei com manutenção de centrifugas, desde as antigas Sharpples tubular B26, quanto as Fristan, até as modernas Alfa laval com sistemas de pratos, sendo estas muito eficientes e de facil manutenção, porém caras… se levar em conta que apenas uma dessas Alfa Laval substituia 15 das B26, o preço passa a ser irrelevante neste caso. Cada B26 separava 1 tonelada de oleo vegetal por hora com um motor de 7,5 cv e uma da Alfa Laval separa 15 toneladas hora com 25 cv..daí e´so fazer as contas para ver a vantagem.



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