Equipamentos e Máquinas Industriais

Centrífugas: Clientes começam a se importar menos com o preço das máquinas

Marcelo Furtado
11 de junho de 2002
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    Serviços em alta – Outra demanda em desenvolvimento notada pelos fornecedores de centrífugas diz respeito à prestação de serviços. Esse mercado cresce desde que o real foi desvalorizado e se acentuou neste ano em virtude da disparada súbita do dólar. O motivo é simples: a grande maioria dos fornecedores depende de importações, se não do equipamento completo, pelo menos do rotor ou de forjados especiais de alta resistência. Dessa forma, com o repasse de preço inevitável, a opção para manter o faturamento aceitável é procurar nichos, como a da manutenção e a recuperação de máquinas.

    “Se antes da crise sobre o dólar, provocada pela expectativa das eleições os clientes já estavam cautelosos, quanto mais agora”, explicou o gerente de vendas da Westfalia Separator. Segundo Viola, a partir de junho o mercado deu um freio acentuado nos investimentos, interrompendo a retomada iniciada no ano passado por vários setores, como o sucroalcooleiro, de efluentes, fármacos, frigoríficos e naval. “Muitos projetos foram interrompidos e mantidos de sobreaviso até a questão cambial se normalizar.”

    O freio nas compras caiu como uma luva nos planos da Westfalia de eleger como meta estratégica a prestação de serviços. Comemorando 30 anos de Brasil neste ano, a empresa do grupo GEA investe na capacitação de pessoal e na compra de equipamentos para transformar sua sede em Campinas um centro de serviços para toda a América Latina. A intenção é prestar assistência técnica, manutenção e serviços de recondicionamento necessários a uma base instalada no País de cerca de 2.500 centrífugas Westfalia.

    Química e Derivados: Centrífuga: Fonte. - GEA.

    Fonte – GEA.

    Controle a distância – “Já estávamos investindo em serviços para compensar as margens cada vez menores nas vendas”, lembra Viola. Além do treinamento e contratação de pessoal especializado em manutenção, faz parte desses investimentos em serviços o lançamento no mercado nacional do monitoramento a distância de centrífugas chamado WeCare. Trata-se de controle operacional das máquinas por modem, realizado por meio de computador dedicado na sede da Westfalia. Com esse sistema, já sob teste em cliente industrial, é possível controlar as condições fundamentais para a operação da máquina: da vazão até a temperatura, o nível de vibração e de ruído.

    Para os especialistas do mercado, o monitoramento a distância significa elevar a prestação de serviços em centrífugas a seu ponto mais alto. Além de poder firmar com o cliente um contrato operacional, que se traduzirá em ganhos contínuos, e não um faturamento esporádico como o das vendas, esse conceito faz o usuário praticamente terceirizar sua separação industrial.

    A Alfa Laval já lançou sistema de monitoramento similar, o Cosmos, há cerca de três anos no Brasil, do qual quatro clientes já fazem uso. De acordo com a gerente Cibele David, nessa primeira fase os setores com maior tendência a utilizá-lo são aqueles onde o processo de separação é importante na produção. Um exemplo seria na indústria de óleo vegetal, na neutralização (refino) e degomagem do óleo, por sinal uma das aplicações em que o sistema Cosmos está instalado. “Todo o sistema mecânico das centrífugas de discos dessa fábrica se encontra sob nosso controle”, diz Cibele.

    A Alfa Laval possui uma divisão de serviços para concentrar toda sua oferta nessa área, que engloba ainda a linha de trocadores de calor. “Podemos oferecer, além do controle on-line, um serviço de manutenção preventiva e programada”, afirma a gerente. Para Cibele, quando os clientes passarem a contratar com mais freqüência os serviços dessa divisão estarão se igualando ao que há de mais moderno no mundo. Na Europa e EUA, diz ela, as compras de centrífugas na maior parte das vezes já prevêem os serviços de manutenção periódica e os controles a distância.

    Fé no álcool – Antes de as vendas de centrífugas terem entrado em compasso de espera em virtude da alta do dólar, encomendas de alguns setores mantinham os negócios em níveis satisfatórios. Além do já citado setor de efluentes industriais e domésticos, o mercado sucroalcooleiro merece destaque. Os fornecedores são unânimes em registrar boas vendas no período que antecedeu à última safra do Centro-Sul (realizada de abril a novembro), sobretudo no segundo semestre de 2001.

    Química e Derivados: Centrífuga: Fonte - GEA.

    Fonte – GEA.

    “Com a recuperação do preço do açúcar, iniciada em 2000, passamos por um período bastante positivo”, afirmou Eduardo Dedini, assessor de diretoria da Mausa, de Piracicaba-SP, tradicional fabricante de filtros, centrífugas e outros equipamentos para o setor sucroalcooleiro. Esse reavivamento de projetos fez a empresa vender em 2001 por volta de 80 centrífugas verticais, entre as automáticas para refino de açúcar A e contínuas para açúcares B e C.

    Embora neste ano as perspectivas sejam de vendas um pouco mais tímidas, visto que o preço do açúcar voltou a sofrer pequena queda, para Dedini o segmento continua a inspirar credibilidade. Não por menos, a Mausa concluiu projeto para nova fábrica, a ser construída no distrito industrial de Piracicaba nos próximos anos. “A nossa unidade, inaugurada em 1948, fica numa região central e muito habitada da cidade, o que dificulta o transporte de equipamentos pesados”, explica o assessor. Outro plano da Mausa, embora não detalhado, é lançar em breve uma nova linha de centrífugas.

    As outras empresas também lucraram com o mercado de açúcar e álcool. A Alfa Laval concentra no setor a venda das suas centrífugas de discos high-speed SX-512, empregadas na separação de células de levedura. Com a recuperação do setor, conseguiu ampliar para cerca de 800 centrífugas instaladas nesta aplicação. Da mesma forma, a Westfalia Separator também usufruiu a disposição em investir das usinas. Desde o ano passado, de acordo com o gerente Edilson Viola, houve não só aumento de vendas como de consultas para a renovação de maquinário.



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    Um Comentário


    1. um dos maiores problemas nas centrifugas, sãos as manutenções….sempre caríssima e de uma mão de obra cada vez mais escassa de profissionais na area….quanto mais moderna for a centrifuga e com menor intervenção possivel de mecanicos, melhor…talvez devido a isso que as empresas optem pagar mais no custo de aquisição, do que ter que arcar com as carissimas manutenções….ja trabalhei com manutenção de centrifugas, desde as antigas Sharpples tubular B26, quanto as Fristan, até as modernas Alfa laval com sistemas de pratos, sendo estas muito eficientes e de facil manutenção, porém caras… se levar em conta que apenas uma dessas Alfa Laval substituia 15 das B26, o preço passa a ser irrelevante neste caso. Cada B26 separava 1 tonelada de oleo vegetal por hora com um motor de 7,5 cv e uma da Alfa Laval separa 15 toneladas hora com 25 cv..daí e´so fazer as contas para ver a vantagem.



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