Centrífugas: Automação e economia de energia abrem caminhos para novas aplicações

Transnacional de capital austríaco, a Andritz produz no país centrífugas em Pomerode-SC, em uma fábrica hoje dedicada aos equipamentos de menor porte (característica aliás comum às demais empresas internacionais do setor, que, embora estejam capacitadas para produzir aqui praticamente todos os tipos de centrífugas, por questões relacionadas à demanda, trazem de outros países os equipamentos de maior porte). “Investimos constantemente em P&D, e temos um sistema patenteado de acionamento direto que contribui para que, em comparação ao que havia nos anos 90, nossas atuais decanteres consumam cerca de 30% menos energia”, ressalta Brito.

Há também contínua pesquisa de materiais capazes de suportar condições ambientais e operacionais mais severas de corrosão e abrasividade. “Em alguns casos, desenvolvemos equipamentos feitos com aço duplex ou mesmo com níquel ou Monel”, especifica o profissional da Andritz.

Química e Derivados, Scheiber: Mac Master III (ao lado) incorpora descarregador flutuante, aumentando a produção
Scheiber: Mac Master incorpora descarregador flutuante, aumentando a produção

Cestos nacionais – Centrífugas de discos fazem parte do portfólio também da Mausa, uma das poucas empresas de capital nacional remanescentes nesse mercado. A Mausa tem presença forte no setor sucroalcooleiro, que, de acordo com Egon Scheiber, gerente comercial da empresa, solicita máquinas cada vez maiores: “Há cerca de dois anos lançamos uma linha com capacidade para processar 200 m3 por hora”, detalha.

A Mausa fabrica também centrífugas de cestos, em três formatos: contínuas com cesto cônico; automáticas de batelada, com descarregador – esses dois mais utilizados na produção de açúcar e álcool –; e as centrífugas do tipo pusher, que as indústrias química e farmacêutica empregam para separar vários gêneros de sais.

Química e Derivados,Mac Master III incorpora descarregador flutuante, aumentando a produção
Mac Master III incorpora descarregador flutuante, aumentando a produção

As centrífugas automáticas de batelada da Mausa, especificamente, estão já em sua terceira geração. Lançada no ano passado e denominada Mac Master III, essa nova geração incorpora um novo conceito de descarregador flutuante, que não realiza o convencional movimento vertical, pendulando com o próprio cesto. “Eliminando-se esse movimento vertical, reduz-se o tempo de descarga, e a nova geração de centrífugas Master III consegue, com a mesma potência, uma produção entre 15% e 20% superior, em relação à gerações anteriores”, explica Scheiber.

A também nacional Grisanti – cuja presença nesse mercado já superou a marca dos 120 anos –, produz diversas modalidades de centrífugas de cestos: automáticas ou com descarregamento manual, contínuas ou descontínuas, convencionais e dos tipos peeler e pusher. Diversos setores compram esses equipamentos, entre eles o químico, farmacêutico, alimentício, metal-mecânico e têxtil.

Silvio Costa Ribeiro, responsável técnico da Grisanti, comenta que as centrífugas de cestos evoluíram mais acentuadamente nas maneiras de descarregar os sólidos nas máquinas que operam por bateladas. “Temos hoje diversos sistemas de extração: manuais, automáticos, usuários de bags”, relata.

As centrífugas de cesto, complementa Ribeiro, também se tornaram mais compactas e eficientes, agregando mais recursos destinados a atender às atuais normas trabalhistas e se integram mais facilmente a plantas com níveis crescentes de automação. “Todas as novas centrífugas já são controladas por PLCs, mas há clientes que querem, além deles, também portas de conexão com suas redes de automação”, comenta.

Ampliando horizontes – Metade dos negócios da Mausa provém do setor sucroalcooleiro, hoje imerso em conjuntura pouco favorável, decorrente principalmente da política governamental que reduz a competitividade do etanol frente à gasolina. Para diversificar suas fontes de receita, essa empresa busca ampliar suas exportações, já responsáveis por mais de 15% de seu faturamento. “Estamos presentes em toda a América Latina, nomeando representantes na África, e buscando representantes na Ásia”, apontou Scheider. “Também estamos intensificando nossos esforços em mercados como a indústria química, óleo e gás e mineração, para os quais fornecemos também itens como filtros e caldeiraria”, acrescenta.

Química e Derivados, Centrífuga pusher fabricada pela Andritz, em Pomerode-SC
Centrífuga pusher fabricada pela Andritz, em Pomerode-SC

A Grisanti, como relata Ribeiro, deve neste ano registrar uma queda de aproximadamente 35% em seus negócios com centrífugas de cesto, em comparação com o ano anterior. Ele justifica o mau desempenho pela soma de demanda pouco aquecida com alguma concorrência de centrífugas importadas da China.

Mas Ribeiro observa uma expansão no fornecimento de equipamentos destinados à reciclagem de materiais – principalmente em atividades metalúrgicas –, nos quais há recuperação tanto dos líquidos refrigerantes utilizados na usinagem quando dos cavacos gerados nas operações. “Nesse segmento, temos apostados no fornecimento de pacotes com equipamentos auxiliares, como peneiras, elevadores, transportadores, roscas e balanças”, destaca. “Tivemos ainda um pico de solicitações na área têxtil, para a qual fornecemos a maior centrífuga no Brasil para processamento de algodão hidrófilo, com um cesto de 2.200 mm de diâmetro”, aponta Ribeiro.

Os serviços constituem componente fundamental para o desenvolvimento de negócios com centrífugas. A Grisanti investe nessa vertente: “temos atualmente a possibilidade de monitorar pela internet os equipamentos dos clientes e realizar remotamente os diagnósticos de possíveis problemas”, exemplifica.

Página anterior 1 2 3 4Próxima página
Mostrar mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios