Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Oportunidades na cadeia dos aromáticos

Quimica e Derivados
14 de novembro de 2016
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    Pelo exposto, a ampliação da produção nacional de aromáticos básicos, focadas no benzeno e para-xileno, é uma hipótese plausível a ser explorada, considerando que, neste caso, além de mercado, há disponibilidade de matéria-prima em quantidade e qualidade. A demanda brasileira de gasolina tem apresentado queda devido à atual crise econômica, por conseguinte ocorre uma menor necessidade de produção de reformado para constituição do pool de gasolina. Além do fato que a gasolina nacional também possui a adição de etanol em sua formulação, o qual apresenta elevada octanagem, a fim de atender a octanagem mínima da gasolina comum. Aliado a isso, a Petrobras investiu, na última década, na implantação de novas unidades de reforma catalítica em suas refinarias (totalizando cerca de 7 mil m3/d de carga), aumentando a produção da corrente de reformado, visando adequação da octanagem do pool de gasolina. Recentemente, devido a crise, estas unidades estão operado a baixa capacidade.

    Diante destes fatos, uma oportunidade a se explorar é a integração refino- petroquímica, onde a Petrobras poderia se utilizar das novas unidades de reforma catalítica para produção de aromáticos. Essa opção resultaria numa expressiva economia no investimento, cerca de aproximadamente 30%, na eventual construção de um Complexo de BTX de escala mundial (Cesário et al, 2015).

    Conclusões – A grande oferta de gás natural nos EUA, causada pela produção obtida dos campos de shale gas, seguida da queda dos preços do petróleo trazem alguma mudanças que impactam estruturalmente a petroquímica. A utilização cada vez maior de matérias-primas mais leves reduz a produção de alguns co-produtos gerados pelo craqueamento a vapor do gás natural, como a gasolina de pirólise. Na Europa ocorre, em menor proporção, uma redução na disponibilidade de produção de aromáticos devido a substituição da matéria-prima de alguns crackers de nafta para GLP. Ademais inicia-se a importação de GNL dos EUA.

    Frente a este panorama encontra-se o Brasil, que possui um petróleo de natureza mais pesada, com mais de 91% da produção apresentando menos de 31º API, que gera uma nafta mais naftênica, apropriada à produção de aromáticos, através do processo de reforma catalítica. Além disso, a indústria petroquímica brasileira utiliza majoritariamente a nafta como matéria-prima de suas unidades de steam cracking e, portanto, tem maior produção de correntes como gasolina de pirólise. Desta forma, o país encontra uma oportunidade de desenvolvimento do seu mercado interno de aromáticos, visando o crescimento e a maximização da produção de importantes aromáticos básicos, principalmente benzeno e p-xileno. Lembrando que estes são produtos precursores de importantes cadeias, sendo essencial a sua disponibilidade a preços competitivos para dar robustez ao segmento dos derivados.

    No caso do p-xileno é verificado que há um nítido desbalanceamento no mercado nacional, onde a produção local, em torno de 150 mil t/a, não atende sua demanda atual. Esta situação se agravará quando as plantas existentes de PTE estiverem produzindo em plena capacidade, o que consumiria no mínimo 550 mil t/a, ou com qualquer expansão futura pelo crescimento da demanda deste produto. Para o benzeno ficou constatado que existe a oportunidade de agregar valor localmente, onde a média de exportações brasileiras recentes seria suficiente para suprir a demanda interna total de estireno, seu principal derivado, evitando a importação. Além da possibilidade de ampliar sua exportação, de forma a aproveitar a valorização que este produto tem obtido no mercado externo, principalmente no mercado americano. Obviamente outros fatores de produção devem ser criteriosamente estudados com vista a se ter um empreendimento exitoso e se deve sempre buscar escala competitiva ao nível internacional.

    Referências:

    ABIPLAST, Associação Brasileira da Indústria do Plástico, Polo petroquímico de Suape fica R$ 3 bilhões mais caro, 2014, <http://www.abiplast.org.br/noticias/polo-petroquimicode-suape-fica-r-3-bilhoes-mais-caro/20140318130640_L_520>. Acessado em: 25/02/ 2016.

    ABIQUIM, Associação Brasileira da Indústria Química. Anuário da Indústria Química Brasileira, Edição 2014.

    ALICEWEB, Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, <http://aliceweb.mdic.gov.br/>. Acessado em 25 fev. 2016.

    ANDRÉ, M. M. S. M. Optimização do livro dos aromáticos e elaboração do Master Plan 2010-2015 para o departamento Aromatics Global Trade na Total Petrochemicals. Dissertação de Mestrado, FEUP, Universidade do Porto, Porto, 2010.

    BNDES (1), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Potencial de diversificação da indústria química Brasileira, Relatório 6 – Matéria-prima petroquímica, Rio de Janeiro, novembro de 2014.

    BNDES (2), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Potencial de diversificação da indústria química Brasileira, Relatório 4 – Derivados de aromáticos, Rio de Janeiro, novembro de 2014.

    CESÁRIO, W.; Antunes, A.M.; Leite, L. F.; Menezes, R. P. A cooperação entre as indústrias de produção de combustíveis do ciclo Otto e a indústria petroquímica com vistas à produção de aromáticos para fins petroquímicos, Petro & Química no. 365, pág 34-38, 2015

    FARAH, M. A., Petróleo e seus derivados: definição, constituição, aplicações, especificações, características de qualidade, LTC, Rio de Janeiro, 2012.



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