Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Oportunidades na cadeia dos aromáticos

Quimica e Derivados
14 de novembro de 2016
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    Os níveis de importações líquidas para o benzeno na Europa e nos EUA deverão aumentar nos próximos anos. O consumo nestas regiões espera-se aumentar, mas novas capacidades produtivas significativas são consideradas improváveis. Em vez disso, estes mercados maduros contarão com regiões emergentes, das quais se esperam fornecer as novas capacidades produtivas incrementais necessárias para coincidir com a crescente demanda global (ICIS, 2015).

    Conforme demonstra a Figura 4, verifica-se que o preço do benzeno nos EUA tem se valorizado em relação ao preço do petróleo cru, ao longo do período entre janeiro de 2015 e janeiro de 2016. Espera-se que a relação entre o preço do benzeno/petróleo cru que historicamente é de 1,8 e em 2015 teve seu valor médio aumentado para 2,0, se mantenha inalterada em 2016. Isto denota certa independência entre o mercado de benzeno e o mercado de petróleo cru, além de uma contínua e crescente demanda do mercado de benzeno norte-americano.

    Oportunidades a explorar no mercado brasileiro – O Brasil tem superávit no comércio internacional dos produtos petroquímicos de 1ª geração, pois exportamos butadieno, benzeno, p-xileno, propeno e tolueno, totalizando US$ 946 milhões em 696 mil toneladas em produtos, em 2012. Entretanto, neste mesmo ano, o déficit nos produtos de 2ª geração foi de 21,6 milhões de toneladas, alcançando um valor aproximado de US$ 15 bilhões. O Brasil importa os produtos finais e intermediários e exporta os básicos, deixando escapar a oportunidade de agregar valor localmente (BNDES (1), 2014).

    O Brasil possui um histórico excedente de produção de benzeno que é exportado, como mostrado na Figura 5. A expansão da planta de estireno da Unigel, prevista para 2017, deverá consumir anualmente 100 mil t/a de benzeno (BNDES (2), 2014).

    A agregação de valor através da conversão do benzeno ao seu derivado de maior consumo, o estireno, suprindo a demanda total interna e diminuindo suas importações, deve ser sempre buscada. Conforme demonstra a Figura 6, o país apresentou uma importação de estireno média nos últimos 7 anos de aproximadamente 180 kt. Este valor corresponderia a cerca de 140 kta de benzeno a serem consumidos internamente para evitar esta importação. Obviamente um aspecto complicador, para que esta agregação de valor se realize, é a disponibilidade de etileno. Tanto o mercado de destino do benzeno quanto de importação de estireno são preferencialmente os EUA. Estes fretes de ida e volta costumam ser bancados pelo mercado secundário.

    Vale lembrar que o crescimento previsto da demanda de estireno no mercado nacional e de aproximadamente 4% ao ano, para o período 2012-2030, puxados principalmente pelo EPS e ABS (BNDES (2), 2014)

    Outra oportunidade para o mercado de benzeno é a de ampliar suas exportações, a fim de suprir a demanda externa e aproveitar a valorização que o produto tem obtido no mercado exterior.

    Em relação ao para-xileno, sua demanda doméstica deixou de existir após o fechamento da planta de PTA da M&G, situada em Poços de Caldas, em 2007. Toda a produção brasileira de p-xileno, no período 2008 a 2012, de 130 – 150 mil t/a, passou então a ser exportada (BNDES (2), 2014). Por conseguinte a M&G passou a importar PTA do México, aproveitando a redução de imposto de importação deste produto, para suprir sua planta de fabricação de PET em Pernambuco.

    Em 2013, com o início das operações da planta de PTA da Petroquímica Suape, de capacidade nominal de 640 mil t/a, esta passou a atender grande parte da demanda nacional, que era suprida integralmente por importações (ABIPLAST, 2014). Com isso, a balança potencial de p-xileno ficou deficitária e o Brasil passou a importar o produto, como demonstrado na Figura 7.

    A M&G detinha a capacidade nominal de produção de PET de 550 mil t/a, em 2014, o que correspondente a uma demanda de 470 mil t/a de PTA. A capacidade produtiva nominal deste produto da Petroquímica Suape é de 640 mil t/a, sendo prevista originalmente uma venda externa de aproximadamente 100 mil t/a de PTA. Sabe-se que o projeto desta empresa não foi concretizado como inicialmente planejado, pois as unidades de produção de PET fibra e fabricação de fios, até então, não foram implantadas. Atualmente, o PTA produzido destina-se a sua unidade em operação de PET grau garrafa, de 450 mil t/a, e supre parcialmente a demanda da unidade da M&G, aproximadamente 120 mil t/a.

    Considerando-se as unidades de PET instaladas existentes no país, operando a plena carga, o consumo de para-xileno corresponderia a 550 mil t/a, ou caso no futuro o projeto Petroquímica Suape venha a se concretizar in totum, o consumo seria de aproximadamente 650 mil t/a. Com a produção brasileira é próxima a 150 mil t/a de para-xileno, a oferta deste produto estaria muito distante de suprir esta demanda.

    Este quadro tenderia a se agravar ao longo prazo, pois se prevê crescimento global de demanda de PTA/PET acima de 5% ao ano (UOP, 2014; BNDES(2), 2014). Atualmente há um excesso de capacidade produtiva destes produtos, principalmente na China, onde o fator operacional foi por volta de 65%, em 2014 (ICIS, 2014). Entretanto o crescimento do mercado deve retornar este parâmetro a um nível mais confortável, pois estes produtos deverão crescer a taxas bem acima do PIB mundial.



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