Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Oportunidades na cadeia dos aromáticos

Quimica e Derivados
14 de novembro de 2016
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    Química e Derivados, Cenários da petroquímica brasileira: oportunidades na cadeia dos aromáticos

    O aumento na utilização de gás natural como matéria-prima petroquímica deixa lacunas na produção de petroquímicos básicos mais pesados, que podem ser exploradas por países que, como o Brasil, que utilizam cargas líquidas mais pesadas, tendo um maior rendimento de produtos como: propileno, butadieno e aromáticos. Discute-se neste artigo principalmente o panorama do mercado dos aromáticos básicos: benzeno, tolueno e xilenos, e oportunidades que empresas brasileiras poderiam explorar, tirando proveito da tendência de aumento relativo dos preços destes produtos.

    Disponibilidade de matéria-prima no Brasil – Um dos desafios que a petroquímica brasileira convive é com a falta de matérias-primas adequadas em volume, qualidade e preço. A quantidade de gás natural e nafta disponível para a petroquímica é restrita, importamos um percentual significativo de nafta petroquímica e o produto doméstico dá um rendimento mais baixo quando o objetivo é a produção de etileno e propileno. A disponibilidade do gás natural é incerta e seu preço é mais elevado que em outros mercados. Esta situação perdura desestimulando investimentos no setor.

    Química e Derivados, Cenários da petroquímica brasileira: oportunidades na cadeia dos aromáticos

    Por outro lado quando o foco é produção de aromáticos temos uma situação diversa, desconsiderando situações conjunturais advindas de políticas equivocadas, como aconteceu em 2013 e 2014, em que preço da gasolina foi contido para combater a inflação. Isto gerou uma demanda excessiva de gasolina e tornou o álcool pouco competitivo, restringindo o seu consumo, o que impactou a disponibilidade de correntes de nafta para outros destinos que não fosse o pool de gasolina. Recentemente a situação retornou a normalidade, pois a ANP anunciou que o consumo de gasolina teve uma queda de 9,2% e o consumo de etanol subiu 37,5 %, em 2015 (Globo.com, 2016).

    Quanto a qualidade da nafta também temos uma situação favorável. A principal área de produção de petróleo brasileiro, a bacia de Campos, por sua natureza naftênica gera correntes para a unidade de Reforma Catalítica que apresentam elevado rendimento de reformado (FARAH, 2012). Na Figura 1 é apresentado o efeito da composição da nafta na conversão desta unidade , sob condições de operação constantes, em que se pode observar que uma carga rica em hidrocarbonetos naftênicos produz um rendimento volumétrico maior de reformado do que uma carga pobre. Por outro lado, para um mesmo número de octano no reformado, uma carga pobre necessita de condições mais severas do que uma rica em hidrocarbonetos naftênicos. Com isso são geradas maiores perdas no processo, devido à transformação da carga em hidrocarbonetos gasosos leves (MEYERS, 2003).

    Química e Derivados, Cenários da petroquímica brasileira: oportunidades na cadeia dos aromáticos

    Os aromáticos básicos – Benzeno, tolueno, e xileno são os principais compostos aromáticos para a produção de polímeros, outros produtos químicos, e numerosos produtos de consumo como: solventes, tintas, vernizes, têxteis, produtos farmacêuticos e defensivos agrícolas. Estes produtos básicos são as matérias-primas principais, por exemplo, de produção dos intermediários como estireno e PTA, advindos do benzeno e p-xileno respectivamente. Os principais produtores são os Estados Unidos, a Europa Ocidental e a Ásia Pacífico, sendo esta a principal região recebedora de investimentos em capacidade de produção nos dias de hoje em função de seu mercado em forte crescimento, principalmente na China. Outras regiões emergentes que atraem investimentos em menor proporção são as Américas Central e do Sul, além da Europa Oriental (SIMÃO, 2014).

    Benzeno:

    A produção mundial de benzeno foi de 45 milhões de t em 2014, sendo usado na produção de mais de 250 produtos diferentes. Suas principais aplicações são na produção de: estireno (55%); cumeno (17%); anilina (11%); ciclohexano (10%); e outros (7%) (PLATTS, 2015).

    O mercado de benzeno global deve apresentar, nos próximos cinco anos, um crescimento anual de cerca de 3,0%. O crescimento majoritariamente se dará na Ásia e vai exigir um volume significativo de novas capacidades de produção (ICIS, 2015).

    Já a Platts Petrochemical Analytics (2015) espera um crescimento na demanda de benzeno, para os próximos cinco anos, de 3,5% a.a., puxados principalmente pela demanda de cumeno, devido às resinas fenólicas e anilina, bem como devido ao aumento da produção de MDI para poliuretana, ambos usados na indústria de construção civil, principalmente no mercado asiático.



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