Oportunidades na cadeia dos aromáticos

Petroquímica Brasileira – Oportunidades na cadeia dos aromáticos
O mercado petroquímico tem sofrido algumas mudanças nos últimos tempos, com fenômenos que alteram sua estrutura, como o aparecimento do shale gas, e outros de natureza mais conjuntural, como a recente queda dos preços do petróleo e seus derivados. Este trabalho analisa alterações no mercado de aromáticos, devido à migração dos crackers para matérias-primas mais leves, nos EUA e Europa, que reduzem a oferta desta classe de produtos, causando aumento de preço relativo, principalmente para o benzeno.
Apresentam-se o panorama do mercado nacional de aromáticos básicos e de alguns de seus principais derivados, onde se destacam o PET e estireno. São identificadas oportunidades no mercado brasileiro de aromáticos, que conta com petróleo de bom rendimento de reformado, visando o preenchimento de lacunas oferecidas no mercado externo e a redução das importações de derivados de aromáticos.

Estamos vivendo um momento de alta disponibilidade de matérias-primas para a petroquímica, a preços baixos, o que resulta em boas oportunidades e novos desafios para este setor. Em meados de 2008, inicia-se uma significativa queda no preço do gás natural no mercado americano, devido ao aumento da produção de shale gas, o que elevou a disponibilidade de hidrocarbonetos leves, resultando numa vantagem relevante para a petroquímica baseada em cargas gasosas. Isto se refletiu em mudança no perfil de carga dos Steam Cracking, pois, em 2005, 30% das unidades processavam nafta e 70% etano, já em 2012, o percentual de etano tinha aumentado para 88%, enquanto a nafta caído para 12% (Shut, 2013).

Apesar do gás natural sofrer fortes influências regionais, esta oferta abundante nos EUA contaminou globalmente o mercado, reduzindo posteriormente o preço desta commodity nos diferentes mercados, inclusive na modalidade de gás natural liquefeito (LNG). Por exemplo, o preço do LNG no mercado do Japão/Coréia do Sul passou de US$ 15,65/MMBtu, em novembro de 2013 para US$ 4,35/MMBtu em fevereiro de 2016 (FERC, 2016). Além disso outros países também buscam desenvolver seu mercado de shale gas, como no caso a nossa vizinha Argentina.

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    Num segundo momento houve também uma maior disponibilização de shale oil, tornando os EUA menos dependente do petróleo do Oriente Médio. Não foram colocadas em prática, pelos países membros da OPEP, políticas de congelamento ou corte de produção, o que resultou em forte queda do peço do petróleo, a partir de julho de 2014, chegando a atingir valores abaixo de 30 dólares por barril, no início de 2015, estando atualmente próximo a 50 dólares por barril.

    Esta segunda onda impactou positivamente os produtores baseados em nafta petroquímica, reduzindo significativamente a vantagem obtida pelos empresas processadoras de cargas gasosas. A Platts (2016) afirma que a queda do preço do petróleo derrubou o preço global da nafta permitindo aos produtores baseados nesta matéria-prima serem mais competitivos. Neste estudo a comparação teórica do custo de produção para uma unidade de Steam Cracking de 1 milhão de t/a de etileno para diferentes matérias-primas, indo do etano saudita a nafta da Europa Ocidental, variando este na faixa de US$ 200/t a US$ 400/t de eteno, para preço de petróleo próximos a 30 dólares por barril. Só para ter uma noção deste aumento de competitividade, o custo de produção para eteno a partir de nafta, na Europa Ocidental, era de aproximadamente US$ 1000/t, em 2013.

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    Por outro lado, a Europa também busca melhorar a sua competitividade, substituindo parte da nafta petroquímica por cargas mais leves como o GLP e iniciou recentemente a importação de gás americano liquefeito, que para suprir plantas na Escócia e Noruega.

    Como se comportará o preço do petróleo futuramente? Há uma série de consultorias fazendo previsões que vão de 20 a 120 dólares o barril, não se pretende discutir este aspecto. Entretanto os fundamentos do mercado de óleo & gás parecem ter sofrido uma mudança de cunho estrutural. A queda do preço do petróleo fez que os produtores de shale, nos EUA, procurassem reduzir significantemente seus custos de produção, por meio de inovações no processo de fraturamento hidráulico, de modo a estabelecer um tampão relativamente efetivo aos aumentos elevados de preço de petróleo. Ademais uma disponibilidade maior de hidrocarbonetos leves para a petroquímica parece ser uma tendência duradoura e diversos novos investimentos estão sendo realizados no mercado americano, tomando partido desta matéria-prima mais competitiva.

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    O aumento na utilização de gás natural como matéria-prima petroquímica deixa lacunas na produção de petroquímicos básicos mais pesados, que podem ser exploradas por países que, como o Brasil, que utilizam cargas líquidas mais pesadas, tendo um maior rendimento de produtos como: propileno, butadieno e aromáticos. Discute-se neste artigo principalmente o panorama do mercado dos aromáticos básicos: benzeno, tolueno e xilenos, e oportunidades que empresas brasileiras poderiam explorar, tirando proveito da tendência de aumento relativo dos preços destes produtos.

    Disponibilidade de matéria-prima no Brasil – Um dos desafios que a petroquímica brasileira convive é com a falta de matérias-primas adequadas em volume, qualidade e preço. A quantidade de gás natural e nafta disponível para a petroquímica é restrita, importamos um percentual significativo de nafta petroquímica e o produto doméstico dá um rendimento mais baixo quando o objetivo é a produção de etileno e propileno. A disponibilidade do gás natural é incerta e seu preço é mais elevado que em outros mercados. Esta situação perdura desestimulando investimentos no setor.

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    Por outro lado quando o foco é produção de aromáticos temos uma situação diversa, desconsiderando situações conjunturais advindas de políticas equivocadas, como aconteceu em 2013 e 2014, em que preço da gasolina foi contido para combater a inflação. Isto gerou uma demanda excessiva de gasolina e tornou o álcool pouco competitivo, restringindo o seu consumo, o que impactou a disponibilidade de correntes de nafta para outros destinos que não fosse o pool de gasolina. Recentemente a situação retornou a normalidade, pois a ANP anunciou que o consumo de gasolina teve uma queda de 9,2% e o consumo de etanol subiu 37,5 %, em 2015 (Globo.com, 2016).

    Quanto a qualidade da nafta também temos uma situação favorável. A principal área de produção de petróleo brasileiro, a bacia de Campos, por sua natureza naftênica gera correntes para a unidade de Reforma Catalítica que apresentam elevado rendimento de reformado (FARAH, 2012). Na Figura 1 é apresentado o efeito da composição da nafta na conversão desta unidade , sob condições de operação constantes, em que se pode observar que uma carga rica em hidrocarbonetos naftênicos produz um rendimento volumétrico maior de reformado do que uma carga pobre. Por outro lado, para um mesmo número de octano no reformado, uma carga pobre necessita de condições mais severas do que uma rica em hidrocarbonetos naftênicos. Com isso são geradas maiores perdas no processo, devido à transformação da carga em hidrocarbonetos gasosos leves (MEYERS, 2003).

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    Os aromáticos básicos – Benzeno, tolueno, e xileno são os principais compostos aromáticos para a produção de polímeros, outros produtos químicos, e numerosos produtos de consumo como: solventes, tintas, vernizes, têxteis, produtos farmacêuticos e defensivos agrícolas. Estes produtos básicos são as matérias-primas principais, por exemplo, de produção dos intermediários como estireno e PTA, advindos do benzeno e p-xileno respectivamente. Os principais produtores são os Estados Unidos, a Europa Ocidental e a Ásia Pacífico, sendo esta a principal região recebedora de investimentos em capacidade de produção nos dias de hoje em função de seu mercado em forte crescimento, principalmente na China. Outras regiões emergentes que atraem investimentos em menor proporção são as Américas Central e do Sul, além da Europa Oriental (SIMÃO, 2014).

    Benzeno:

    A produção mundial de benzeno foi de 45 milhões de t em 2014, sendo usado na produção de mais de 250 produtos diferentes. Suas principais aplicações são na produção de: estireno (55%); cumeno (17%); anilina (11%); ciclohexano (10%); e outros (7%) (PLATTS, 2015).

    O mercado de benzeno global deve apresentar, nos próximos cinco anos, um crescimento anual de cerca de 3,0%. O crescimento majoritariamente se dará na Ásia e vai exigir um volume significativo de novas capacidades de produção (ICIS, 2015).

    Já a Platts Petrochemical Analytics (2015) espera um crescimento na demanda de benzeno, para os próximos cinco anos, de 3,5% a.a., puxados principalmente pela demanda de cumeno, devido às resinas fenólicas e anilina, bem como devido ao aumento da produção de MDI para poliuretana, ambos usados na indústria de construção civil, principalmente no mercado asiático.

    Ocorreu um aumento da importação líquida de benzeno, no período de 2012 a 2014, no mercado norte americano e europeu e esta tendência deve continuar (ICIS, 2015)

    No Brasil, a capacidade de produção de benzeno é de 1 milhão de toneladas por ano, sendo 957 mil de toneladas fabricadas por ano pela Braskem, 35 mil toneladas por ano pela Petrobras (RPBC) e 12 mil toneladas por ano pela Gerdau (Carboquímica) (BNDES (1), 2014).

    Tolueno:

    O principal uso químico do tolueno é na produção de benzeno e xilenos em unidades do ciclo de aromáticos, para ajuste às demandas do mercado de aromáticos. Cerca de 50% da sua demanda se destina a este tipo de conversão e apenas 5% do tolueno é usado na fabricação de outros produtos químicos (ANDRÉ, 2010). Dentre estes produtos se destaca o tolueno diisocianato (TDI), cuja principal aplicação é na fabricação de espumas de poliuretano. Outros usos químicos menores para o tolueno incluem a fabricação de ácido benzóico, fenol, caprolactama, nitrobenzeno e cloreto de benzila. Em usos não químicos, tolueno é utilizado em grandes quantidades como um impulsionador de octanagem, adicionado ao pool de gasolina e é também usado como solvente.

    No Brasil, a capacidade de produção de tolueno é de 280 mil toneladas por ano, sendo 195 mil da Braskem, 7 mil da Unigel e 78 mil da Petrobras (RPBC), não incluindo o que é consumido na refinaria como booster de octanagem (BNDES (1), 2014).

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    Xilenos:

    Os xilenos mistos são uma mistura dos isômeros: orto- meta- e para-xileno e outros componentes, tais como etibenzeno, sendo que mais de 81% dos xilenos mistos foram utilizados para a produção de para-xileno, em 2015. A Ásia é disparada a maior região produtora com cerca de 74% da capacidade em 2015 (IHS, 2015). A outra porção de xilenos mistos é usada para misturar a gasolina, em tintas e revestimentos, e para a produção de orto e meta- xileno químicos (ANDRÉ, 2010). O orto-xileno é usado para fazer produtos intermediários que podem ser utilizados na produção de plastificantes e resinas de poliéster. O meta-xileno não apresenta uma grande utilização industrial, uma pequena parcela deste é utilizada na produção de ácido isoftálico, que é co-monômero para a produção de PET. O consumo de xilenos mistos teve um aumento anual médio de 3,5%, no período 2010-2015, e espera-se um crescimento de 4,5%, nos próximos cinco anos, 2015-2020 (IHS, 2015).

    O para-xileno é usado quase exclusivamente para a produção de PTA – ácido tereftálico purificado, pois o consumo destinado a produção de DMT – dimetil tereftalado, atualmente está próximo a somente 2%. O PTA e DMT por sua vez são usados na obtenção de PET – poli(tereftalato de etileno). O PET é um polímero termoplástico que permite obter fibras de poliéster, garrafas plásticas e filme de poliéster. Em 2013, a produção mundial de p-xileno foi de 36 milhões de t, de PTA 54 milhões de t e a de PET 61 milhões de t (UOP, 2014).

    A capacidade global de produção de PTA também está concentrada na Ásia, que representa cerca de 80% do mercado. O Brasil passa a produzir PTA com o início da operação da Petroquímica Suape. A planta desta empresa tem capacidade de 640 mil t/a. Segundo a NEXANT, o consumo de PTA continuará a ter a maior taxa de crescimento anual entre os produtos derivados de aromáticos, de em média 5% entre 2012 e 2030 (BNDES (1), 2014).

    No Brasil, o para-xileno é totalmente produzido pela Braskem, 203 mil t/a, no cracker de nafta UNIB1 da Bahia. O orto-xileno é produzido pela Braskem, no cracker de nafta UNIB1 da Bahia, 76 mil t/a, e na UNIB3 de São Paulo, 48 mil t/a, totalizando 124 mil t/a (BNDES (1), 2014).

    Impacto do shale gas & oil no mercado de aromáticos – A mudança em curso para o processamento de matérias-primas mais leves nos Steam Crakers tem um impacto negativo significativo sobre os coprodutos mais pesados, como propeno, butadieno e aromáticos, que tiveram rendimentos reduzidos em até 55%, segundo algumas estimativas. Rendimentos de benzeno, tendo nafta como matéria-prima, são estimados em cerca de 7%, mas uma mudança para etano ou uma mistura de etano / propano reduz a produção de benzeno para apenas 1%, pois a corrente de saída de gasolina de pirólise é reduzida significativamente (ALLEN, 2013).

    O mercado de aromáticos da América do Norte tem sido particularmente impactado, com a produção de benzeno, tolueno e xilenos (BTX) tendo uma notável queda nos anos recentes. A sua produção nas refinarias também foi reduzida, na PADD 1 (Petroleum Administration for Defense District: agregação geográfica dos 50 estados norte-americanos e do Distrito de Columbia, em cinco distritos, com a PADD 1 ainda dividida em três sub-distritos), que abrange o Nordeste dos EUA, foi atribuída, em parte, ao processamento de matérias-primas mais leves, especialmente das formações de shale de Bakken, na região de Montana / Dakota do Norte nos EUA. O valor médio do grau API do óleo processado pelos refinadores na PADD 1 em 2008 foi de 30,95, mas, desde então, subiu para 32,93 em 2012, cruzando o limiar entre óleo médio e óleo leve no processo (ALLEN, 2013). Na PADD 3, que abrange a região Sudeste e a Costa do Golfo dos EUA, também tem ocorrido desde 2007 uma tendência de menor produção, como apresentada na Figura 3.Os níveis de importações líquidas para o benzeno na Europa e nos EUA deverão aumentar nos próximos anos. O consumo nestas regiões espera-se aumentar, mas novas capacidades produtivas significativas são consideradas improváveis. Em vez disso, estes mercados maduros contarão com regiões emergentes, das quais se esperam fornecer as novas capacidades produtivas incrementais necessárias para coincidir com a crescente demanda global (ICIS, 2015).

    Conforme demonstra a Figura 4, verifica-se que o preço do benzeno nos EUA tem se valorizado em relação ao preço do petróleo cru, ao longo do período entre janeiro de 2015 e janeiro de 2016. Espera-se que a relação entre o preço do benzeno/petróleo cru que historicamente é de 1,8 e em 2015 teve seu valor médio aumentado para 2,0, se mantenha inalterada em 2016. Isto denota certa independência entre o mercado de benzeno e o mercado de petróleo cru, além de uma contínua e crescente demanda do mercado de benzeno norte-americano.

    Oportunidades a explorar no mercado brasileiro – O Brasil tem superávit no comércio internacional dos produtos petroquímicos de 1ª geração, pois exportamos butadieno, benzeno, p-xileno, propeno e tolueno, totalizando US$ 946 milhões em 696 mil toneladas em produtos, em 2012. Entretanto, neste mesmo ano, o déficit nos produtos de 2ª geração foi de 21,6 milhões de toneladas, alcançando um valor aproximado de US$ 15 bilhões. O Brasil importa os produtos finais e intermediários e exporta os básicos, deixando escapar a oportunidade de agregar valor localmente (BNDES (1), 2014).

    O Brasil possui um histórico excedente de produção de benzeno que é exportado, como mostrado na Figura 5. A expansão da planta de estireno da Unigel, prevista para 2017, deverá consumir anualmente 100 mil t/a de benzeno (BNDES (2), 2014).

    A agregação de valor através da conversão do benzeno ao seu derivado de maior consumo, o estireno, suprindo a demanda total interna e diminuindo suas importações, deve ser sempre buscada. Conforme demonstra a Figura 6, o país apresentou uma importação de estireno média nos últimos 7 anos de aproximadamente 180 kt. Este valor corresponderia a cerca de 140 kta de benzeno a serem consumidos internamente para evitar esta importação. Obviamente um aspecto complicador, para que esta agregação de valor se realize, é a disponibilidade de etileno. Tanto o mercado de destino do benzeno quanto de importação de estireno são preferencialmente os EUA. Estes fretes de ida e volta costumam ser bancados pelo mercado secundário.

    Vale lembrar que o crescimento previsto da demanda de estireno no mercado nacional e de aproximadamente 4% ao ano, para o período 2012-2030, puxados principalmente pelo EPS e ABS (BNDES (2), 2014)

    Outra oportunidade para o mercado de benzeno é a de ampliar suas exportações, a fim de suprir a demanda externa e aproveitar a valorização que o produto tem obtido no mercado exterior.

    Em relação ao para-xileno, sua demanda doméstica deixou de existir após o fechamento da planta de PTA da M&G, situada em Poços de Caldas, em 2007. Toda a produção brasileira de p-xileno, no período 2008 a 2012, de 130 – 150 mil t/a, passou então a ser exportada (BNDES (2), 2014). Por conseguinte a M&G passou a importar PTA do México, aproveitando a redução de imposto de importação deste produto, para suprir sua planta de fabricação de PET em Pernambuco.

    Em 2013, com o início das operações da planta de PTA da Petroquímica Suape, de capacidade nominal de 640 mil t/a, esta passou a atender grande parte da demanda nacional, que era suprida integralmente por importações (ABIPLAST, 2014). Com isso, a balança potencial de p-xileno ficou deficitária e o Brasil passou a importar o produto, como demonstrado na Figura 7.

    A M&G detinha a capacidade nominal de produção de PET de 550 mil t/a, em 2014, o que correspondente a uma demanda de 470 mil t/a de PTA. A capacidade produtiva nominal deste produto da Petroquímica Suape é de 640 mil t/a, sendo prevista originalmente uma venda externa de aproximadamente 100 mil t/a de PTA. Sabe-se que o projeto desta empresa não foi concretizado como inicialmente planejado, pois as unidades de produção de PET fibra e fabricação de fios, até então, não foram implantadas. Atualmente, o PTA produzido destina-se a sua unidade em operação de PET grau garrafa, de 450 mil t/a, e supre parcialmente a demanda da unidade da M&G, aproximadamente 120 mil t/a.

    Considerando-se as unidades de PET instaladas existentes no país, operando a plena carga, o consumo de para-xileno corresponderia a 550 mil t/a, ou caso no futuro o projeto Petroquímica Suape venha a se concretizar in totum, o consumo seria de aproximadamente 650 mil t/a. Com a produção brasileira é próxima a 150 mil t/a de para-xileno, a oferta deste produto estaria muito distante de suprir esta demanda.

    Este quadro tenderia a se agravar ao longo prazo, pois se prevê crescimento global de demanda de PTA/PET acima de 5% ao ano (UOP, 2014; BNDES(2), 2014). Atualmente há um excesso de capacidade produtiva destes produtos, principalmente na China, onde o fator operacional foi por volta de 65%, em 2014 (ICIS, 2014). Entretanto o crescimento do mercado deve retornar este parâmetro a um nível mais confortável, pois estes produtos deverão crescer a taxas bem acima do PIB mundial.
    Pelo exposto, a ampliação da produção nacional de aromáticos básicos, focadas no benzeno e para-xileno, é uma hipótese plausível a ser explorada, considerando que, neste caso, além de mercado, há disponibilidade de matéria-prima em quantidade e qualidade. A demanda brasileira de gasolina tem apresentado queda devido à atual crise econômica, por conseguinte ocorre uma menor necessidade de produção de reformado para constituição do pool de gasolina. Além do fato que a gasolina nacional também possui a adição de etanol em sua formulação, o qual apresenta elevada octanagem, a fim de atender a octanagem mínima da gasolina comum. Aliado a isso, a Petrobras investiu, na última década, na implantação de novas unidades de reforma catalítica em suas refinarias (totalizando cerca de 7 mil m3/d de carga), aumentando a produção da corrente de reformado, visando adequação da octanagem do pool de gasolina. Recentemente, devido a crise, estas unidades estão operado a baixa capacidade.

    Diante destes fatos, uma oportunidade a se explorar é a integração refino- petroquímica, onde a Petrobras poderia se utilizar das novas unidades de reforma catalítica para produção de aromáticos. Essa opção resultaria numa expressiva economia no investimento, cerca de aproximadamente 30%, na eventual construção de um Complexo de BTX de escala mundial (Cesário et al, 2015).

    Conclusões – A grande oferta de gás natural nos EUA, causada pela produção obtida dos campos de shale gas, seguida da queda dos preços do petróleo trazem alguma mudanças que impactam estruturalmente a petroquímica. A utilização cada vez maior de matérias-primas mais leves reduz a produção de alguns co-produtos gerados pelo craqueamento a vapor do gás natural, como a gasolina de pirólise. Na Europa ocorre, em menor proporção, uma redução na disponibilidade de produção de aromáticos devido a substituição da matéria-prima de alguns crackers de nafta para GLP. Ademais inicia-se a importação de GNL dos EUA.

    Frente a este panorama encontra-se o Brasil, que possui um petróleo de natureza mais pesada, com mais de 91% da produção apresentando menos de 31º API, que gera uma nafta mais naftênica, apropriada à produção de aromáticos, através do processo de reforma catalítica. Além disso, a indústria petroquímica brasileira utiliza majoritariamente a nafta como matéria-prima de suas unidades de steam cracking e, portanto, tem maior produção de correntes como gasolina de pirólise. Desta forma, o país encontra uma oportunidade de desenvolvimento do seu mercado interno de aromáticos, visando o crescimento e a maximização da produção de importantes aromáticos básicos, principalmente benzeno e p-xileno. Lembrando que estes são produtos precursores de importantes cadeias, sendo essencial a sua disponibilidade a preços competitivos para dar robustez ao segmento dos derivados.

    No caso do p-xileno é verificado que há um nítido desbalanceamento no mercado nacional, onde a produção local, em torno de 150 mil t/a, não atende sua demanda atual. Esta situação se agravará quando as plantas existentes de PTE estiverem produzindo em plena capacidade, o que consumiria no mínimo 550 mil t/a, ou com qualquer expansão futura pelo crescimento da demanda deste produto. Para o benzeno ficou constatado que existe a oportunidade de agregar valor localmente, onde a média de exportações brasileiras recentes seria suficiente para suprir a demanda interna total de estireno, seu principal derivado, evitando a importação. Além da possibilidade de ampliar sua exportação, de forma a aproveitar a valorização que este produto tem obtido no mercado externo, principalmente no mercado americano. Obviamente outros fatores de produção devem ser criteriosamente estudados com vista a se ter um empreendimento exitoso e se deve sempre buscar escala competitiva ao nível internacional.

    Referências:

    ABIPLAST, Associação Brasileira da Indústria do Plástico, Polo petroquímico de Suape fica R$ 3 bilhões mais caro, 2014, <http://www.abiplast.org.br/noticias/polo-petroquimicode-suape-fica-r-3-bilhoes-mais-caro/20140318130640_L_520>. Acessado em: 25/02/ 2016.

    ABIQUIM, Associação Brasileira da Indústria Química. Anuário da Indústria Química Brasileira, Edição 2014.

    ALICEWEB, Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, <http://aliceweb.mdic.gov.br/>. Acessado em 25 fev. 2016.

    ANDRÉ, M. M. S. M. Optimização do livro dos aromáticos e elaboração do Master Plan 2010-2015 para o departamento Aromatics Global Trade na Total Petrochemicals. Dissertação de Mestrado, FEUP, Universidade do Porto, Porto, 2010.

    BNDES (1), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Potencial de diversificação da indústria química Brasileira, Relatório 6 – Matéria-prima petroquímica, Rio de Janeiro, novembro de 2014.

    BNDES (2), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Potencial de diversificação da indústria química Brasileira, Relatório 4 – Derivados de aromáticos, Rio de Janeiro, novembro de 2014.

    CESÁRIO, W.; Antunes, A.M.; Leite, L. F.; Menezes, R. P. A cooperação entre as indústrias de produção de combustíveis do ciclo Otto e a indústria petroquímica com vistas à produção de aromáticos para fins petroquímicos, Petro & Química no. 365, pág 34-38, 2015

    FARAH, M. A., Petróleo e seus derivados: definição, constituição, aplicações, especificações, características de qualidade, LTC, Rio de Janeiro, 2012.
    FERC – Federal Energy Regulatory Commission, Market Oversight – World LNG Landed Prices, <http://www.ferc.gov/market-oversight/mkt-gas/overview/ngas-ovr-lng-wld-pr-est.pdf>, April 2016.

    GLOBO.COM, Venda de gasolina no país cai 9,2% e a de etanol sobe 37,5% em 2015, <http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/03/consumo-de-combustiveis-cai-19-em-2015-revela-anp.html>, 02/03/2016.

    ICIS, Global PET markets face overcapacity ‘crisis‘ – industry exec, Beacham, W., March 12, 2014, http://www.icis.com/resources/news/2014/03/12/9761827/global-pet-markets-face-overcapacity-crisis-industry-exec/. Acessado em 12/05/2016

    Química e Derivados, Cenários da petroquímica brasileira: oportunidades na cadeia dos aromáticos
    Luiz Fernando Leite

    ICIS, World Aromatics Industry Outlook, Rob Peacock, October 2015.

    IHS, Xylenes, Chemical Economics Handbook, outubro 2015, <https://www.ihs.com/products/xylenes-chemical-economics-handbook.html>. Acessado em: 04/01/2016.

    MEYERS, R.A. Handbook of petroleum refining process, 3rd ed., McGraw Hill, 2003

    PLATTS, Petrochemicals, The world is flat…at least for global ethylene producers while oil prices are low, <http://blogs.platts.com/2016/02/02/the-world-is-flat-ethylene-producers-oil-prices-low/, Feb 2, 2016. Acessado em: 06/05/2016

    PLATTS, The changing dynamics of global benzene supply, The Barrel. Platts McGraw Hill Financial, <http://blogs.platts.com/2015/07/14/changing-dynamics-globalbenzene-supply/>, Jul 14, 2015.

    SCHUT, J. How Shale Gas Is Changing Propylene, Plastics Engineering Blog, <http://plasticsengineeringblog.com/2013/02/20/how-shale-gas-is-changingpropylene/>, Fev 20, 2013. Acessado em: 29/08/2013

    SIMÃO, S. F. Oportunidades Para a Petroquímica Brasileira Face ao Fenômeno do Shale Gas, Dissertação de Mestrado, UFRJ, Rio de Janeiro, 2014.

    Química e Derivados, Cenários da petroquímica brasileira: oportunidades na cadeia dos aromáticos
    Geyson César de Oliveira Freitas

    UOP, Opportunities and Developments in para-Xylene Production, China PX Development Forum, Honeywell UOP, China, April 2014.
    Luiz Fernando Leite é engenheiro químico, pós-graduado em Gestão Estratégica do Conhecimento e Inteligência Empresarial pela PUC-PR, e doutorado na área de Gestão de Tecnologia e Inovação pela UFRJ. Executou e gerenciou vários projetos na Petrobras, na qual foi gerente da Divisão de Catalisadores e coordenador do Programa de Tecnologias Estratégicas do Refino. Atualmente é professor do Departamento de Processos Orgânicos da Escola de Química da UFRJ.

    Geyson César de Oliveira Freitas é graduado em Química Industrial pela Escola de Química da UFRJ e também técnico em Química Industrial pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro – IFRJ. Atualmente, atua como técnico em operação na Petrobras.

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