Química

Celulose: Veracel finaliza megaprojeto na BA

Jose Valverde
26 de março de 2005
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    Ambiente tratado – Os licores resultantes das filtragens de cada estágio do branqueamento são prati-camente todos reciclados no sistema, diminuindo substancialmente o volume de descartes. Apenas 10 metros cúbicos por t de celulose seguirão para o sistema de tratamento, relação “igual à das mais modernas fábricas da Escan-dinávia”, assegura Renato Guéron. No Brasil, só é comparável ao alcançado pela Aracruz, em Barra do Riacho. O efluente líquido do processo segue o seguinte roteiro: inicialmente, passa pela clarificação primária, onde restos de fibra eventual-mente contidos são removidos; vai em seguida às torres de resfriamento; chega ao grande tanque de aeração para ser submetido ao processo dos lodos ativados, como é conhecida a ação das bactérias aeróbicas ali cultivadas; segue para dois clarificadores, onde o lodo biológico é retirado e enviado para o sistema de tratamento de efluentes sólidos e a parte líquida, limpa, percorre a tubovia de 6 km para ser lançada no Rio Jequitinhonha através de difusores. Um detalhe é apontado para ressaltar a confiança no projeto: a tomada da água destinada à fábrica fica à jusante do lugar onde o efluente tratado é lançado.

    Uma lagoa de capatação e monitoramento recebe a água de chuva coletada na área da Veracel e fábricas supridoras. Qualquer tipo de eventual contaminação é identificada e, se isso ocorrer, em vez de ser lançada direta-mente no rio, a água é balanceada para o sistema de tratamento, entrando no primeiro clarificador.

    A ordem é reciclar todos os resíduos sólidos: o lodo biológico procedente do tratamento do efluente líquido, será transformado em húmus, “a ser testado nos viveiros de mudas, na própria floresta e para venda ao público”; os “dregs” e “grits”, procedentes do processo de caustificação e ricos em carbonato de cálcio, serão processados e vendidos para correção de solo; as cinzas da caldeira de força, ricas em inorgânicos, usadas como fertilizantes; os restos de limpeza do pátio de madeira e o lixo de escritório também têm destinos previstos.

    A central de tratamento de sólidos será operada pela Vida, a empresa fundada pelo falecido ecologista e ministro do Meio Ambiente do governo Collor, José Lutzemberger. A Vida executa a mesma operação na fábrica da Aracruz, em Guaíba-RS.

    Para a proteção ambiental das caldeiras de recuperação, do forno de cal e da caldeira de força há precipitadores eletrostáticos, fornecidos pela Alstom, com eficiência de 99,7% na retenção de partículas. A caldeira de recuperação apresenta também equipamentos inter-nos para queimar os gases malcheirosos resultantes da evaporação dos licores e do próprio cozimento, livrando assim a atmosfera do odor desagradável das mercaptanas.

    Para barrar a emissão dos gases procedentes da evaporação e do digestor há um sistema completo de coleta, lavagem, secagem e queima na caldeira de recuperação. “Não há, conseqüente-mente, nenhuma emissão destes gases”, assegura o diretor do projeto O sistema de captação e tratamento, a ser operado pelo consórcio formado por Centro-projekt, Paranasa, Setal, e Fessag, inclui: a adutora de 6 km; os reservatórios de água bruta (400 mil m³) e de água tratada (20 mil m³); e a estação de tratamento (5,3 mil m³). Toda a água é decantada e filtrada, mas apenas a parcela destinada ao consumo humana é tratada. “O tratamento é à base de hipoclorito de sódio e não de cloro molecular”, valoriza Renato Guéron.

    Logística – De Eunapólis os fardos de celulose pesando duas toneladas serão enviados por 60 quilômetros até o vizinho município de Belmonte, onde foi construído o terminal privativo – um quebra mar e um píer de onde três barcaças, com capacidade de 6,5 mil toneladas, e um rebocador percorrerão em 24 horas as 280 milhas até porto da Aracruz Celulose (Portocel) no Espírito Santo.
    O rebocador vai e vem, sem parar: enquanto conduz uma barcaça carregada, outra começa a ser carregada e a terceira aguarda, já vazia, para ser rebocada de volta. A previsão é exportar toda a produção, avaliada em US$ 350 milhões, aos preços atuais. “O consumo interno está muito bem atendido, e não estão sendo feitos investimentos em fábricas de papel”, disse.

    Por causa da já cogitada construção da segunda fábrica da Veracel, serão feitos estudos sobre a viabilidade embarcar o produto pelo Porto de Ilhéus que, para tanto, requer investimentos do governo baiano, amarrados a um contrato de longo prazo. De balsa, para Ilhéus são 160 milhas a menos em relação ao percurso Belmonte a Portocel.



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