Papel e Celulose

Celulose & Papel: Competitividade setorial pede reforço ao desenvolvimento de tecnologias inovadoras

Marcelo Fairbanks
6 de fevereiro de 2017
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    Esses são os mais novos projetos do setor, que também registra iniciativas recentes de vulto, como o projeto da Suzano em Imperatriz-MA, e a fábrica integrada da Eldorado Brasil (1,7 milhão de t/ano, com expansão prevista para 2019) em Três Lagoas-MS.

    Na produção de papel, a posição brasileira não é tão confortável quanto a de celulose. As 10 milhões de t/ano fabricadas no país o colocam em um modesto nono lugar no ranking mundial. “Em dez anos, chegaremos ao sexto lugar nesse item”, prognosticou Aguiar, com base nos projetos setoriais já anunciados.

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    O setor florestal brasileiro aproveita a excelente vantagem climática para ser competitivo no campo. “As pesquisas não param nunca, buscam sempre árvores mais produtivas, com mais fibras e maior resistência às pragas, variações climáticas e salinidade”, ressaltou o presidente do conselho do Ibá. A produção de materiais derivados de madeira também apresenta avanços, buscando oferecer alternativas mais leves e resistentes para diversos mercados, além de gerar matéria-prima para futuras biorrefinarias e para a produção de nanocelulose. “O setor florestal dá origem a mais de 5 mil produtos diferentes, mas exige novos processos para ser mais competitivo e sustentável”, alertou Aguiar.

    Do ponto de vista econômico, a produção de celulose e papel caminha para um novo ponto de equilíbrio mundial entre oferta e demanda. Cresce o consumo de papel no setor de embalagem e também na área de tissue (em especial, em produtos para higiene), enquanto surgem novos projetos para suprir a procura. “Além das grandes plantas em construção no Brasil, a Indonésia pretende inaugurar em 2017 uma unidade para 2,5 milhões de t/ano, isso vai dar um choque de oferta, acelerando o fechamento de fábricas menos eficientes ao redor do mundo”, comentou Aguiar.

    Os produtores brasileiros contaram com a ajuda da desvalorização do real em 2015, ano em que conseguiram obter bons resultados mesmo com a queda do preço da celulose no mercado mundial. “Em 2016, o real recuperou valor, mas as cotações internacionais da celulose saíram do fundo do poço e equilibraram os balanços das indústrias brasileiras”, avaliou Aguiar.

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    Tecnologia competitiva – Contar com alternativas inovadoras em produtos e aplicações permitirá ao setor florestal manter e ampliar sua rentabilidade, revertendo uma curva de tendência observada há alguns anos. Como explicou Carlos Alberto Farinha e Silva, vice-presidente da Pöyry e respeitado especialista nessa área, o consumo total de papel no mundo crescerá 1% ao ano por um prazo longo, sustentado pela demanda por embalagens (papel e papelão) e por tissue, neste caso puxado pelo enriquecimento das classes médias emergentes, a exemplo da Índia, mais do que compensando a queda do uso de papel para impressão gráfica.

    Nesse ambiente, no longo prazo, o setor tende a reduzir suas margens, mediante o acirramento da competição. “A indústria precisa se diversificar para não depender só do mercado de papel; nesse sentido, a biotecnologia e a nanotecnologia estão sendo estudadas para gerar alternativas”, comentou Farinha.

    Ao redor do mundo, o processo kraft de produção de celulose se estabeleceu como dominante. A seu favor, Farinha aponta a produção conjunta de celulose e energia, ambas com elevado valor de mercado. “Trata-se de um processo sobejamente conhecido e dominado, que consome madeira, água e insumos químicos, está bem dimensionado, com balanços de massa e energia satisfatórios; porém é um processo altamente complexo, com várias unidades internas e alta demanda de capital inicial”, salientou. Uma fábrica de porte internacional requer, no mínimo, US$ 2,5 bilhões para instalação, consumindo muito dinheiro, cujo financiamento é difícil.



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