Cargas Minerais – Aditivos evoluem e ampliam funções nas tintas para além do simples enchimento

Nanotecnologia no Brasil – Há quem diga que a bola da vez no mercado brasileiro de aditivos minerais sejam as cargas nanométricas, tecnologia que manipula materiais em uma escala de tamanho muito pequena, geralmente da ordem de 1 a 100 nanômetros. Carlos Russo, diretor da Adexim-Comexim, diz que a sua empresa está aumentando as vendas de carbonatos de cálcio e sulfato de bário nanométricos, produtos que são importados prontos da Espanha e da China. “Para quase todas as cargas que vendemos hoje, temos também no mercado suas versões nanométricas”, afirma Russo.

Segundo o diretor da Adexim-Comexim, a utilização de produtos com partículas em dimensões nanométricas oferece maior produtividade para o fabricante de tinta, além de melhorar as características físicas do produto, como resistência, permeabilidade, aderência e recobrimento. “Paga-se mais por esse tipo de carga, mas em compensação, em vez de gastar sete, oito e até dez horas em processos de moagem, em alguns casos, não é preciso utilizar nem moinho, bastando apenas uma hora de dispersor”, ressalta Russo.

Segundo Russo, não há ainda no Brasil produtores de cargas nanométricas. “O produto mais fino produzido no país que eu conheço tem o tamanho de partículas de 1,6 micrômetro, enquanto as cargas importadas que oferecemos ao mercado possuem apenas 0,5 micrômetro”, comparou.

A Brasilminas não só aposta nas cargas nanométricas como também vislumbra produzi-las em breve em seu parque industrial de Guarulhos-SP. “Já estamos nos preparando para entrar na era dos nanominerais”, diz Marcelo Cunha, diretor-comercial da Brasilminas, sem revelar, porém, quando a empresa pretende ingressar comercialmente nesse mercado. “Estamos fazendo pesquisas e desenvolvimento em laboratórios”, afirma. Segundo o executivo, a companhia já possui alguns equipamentos para a produção de materiais próximos aos nanométricos. “Esperamos que o mercado e, principalmente, o segmento de tintas entenda a diferença em relação aos custos desta nova tecnologia em comparação ao dos materiais hoje existentes”, comentou.

Química e Derivados, Carlos Russo, diretor da Adexim-Comexim, Cargas Minerais - Aditivos evoluem e ampliam funções nas tintas para além do simples enchimento
Russo importa nanocargas da China e da Espanha

Na visão de Cunha, a produção de cargas minerais em escala nanométrica é viável no Brasil. “Nós temos o principal aqui, que são as matérias-primas. A tecnologia você importa e depois aprimora”, afirmou o diretor da Brasilminas, para quem o futuro dos aditivos minerais está na nanotecnologia. Enquanto não põe em prática esse projeto, a companhia concentra seus esforços na venda de seus aditivos existentes, como os carbonatos natural e precipitado, silicatos, sílicas, diatomita, barita, estearatos, areias e óxidos. “Temos uma linha de mais de 30 aditivos minerais, que se ramificam para cerca de 200 subprodutos em diferentes granulometrias”, afirma. “Também temos condições de blendar materiais e prestar serviços de moagem a terceiros”, acrescenta Cunha.

Apenas um sonho – Para muitas empresas que atuam no mercado brasileiro, o uso de carga em escalas nanométricas em tintas ainda é um sonho muito distante. “Fora do país, a Imerys já dispõe e vende essa tecnologia, mas acreditamos ser ainda inviável a sua aplicação comercial na América do Sul, ainda mais se for levado em conta o perfil da nossa empresa, que é o de vender grandes volumes”, afirma Leandro Bizarro da Rocha.

Mesmo as empresas que atuam com volumes menores e especialidades minerais descartam a aplicação da nanotecnologia no país. “Trata-se de uma tecnologia ainda muito cara para ser aplicada nos minerais utilizados pelas empresas brasileiras”, observa Bartholi, da Minérios Ouro Branco. Para ele, as cargas ultrafinas, que passam por etapas de micronização e outros processos, já são suficientes para satisfazer as necessidades atuais dos fabricantes de tintas. “Temos hoje produtos de alta performance, com preços bem mais acessíveis que os aditivos nanométricos e que, eventualmente, quando bem aplicados, podem dar resultados bem mais eficientes”, afirma.

Elaine Luciano, da J. Reminas, compartilha essa opinião. “Nós chegamos à conclusão de que ainda não há a necessidade de um produto tão nobre assim como é o caso dos nanométricos”, diz ela. Controlada pelo grupo inglês Wallis Kallium, a J. Reminas desenvolve cargas nanométricas na Europa e, por isso, chegou a estudar há dois anos a viabilidade de sua aplicação no Brasil. “Essa ideia foi arquivada depois de a empresa constatar que os fabricantes de tintas presentes no Brasil estavam satisfeitos com as tecnologias então disponíveis para as cargas minerais”, afirma a geoquímica.

Elaine Luciano disse que é possível oferecer ao mercado cargas bastante finas, que atendam plenamente às necessidades dos clientes, sem precisar partir para a nanotecnologia. “Basta micronizar a carga e depois passar o produto em um aeroseparador para conseguirmos um material com uma leveza tão grande, que chega a ser um produto amorfo”, explica. Ao micronizar os minerais, as partículas se quebram, mas não em partes iguais. Por isso, a necessidade de aeroseparadores, que também usam a força do vento para separar e colher as partículas finas conforme a necessidade dos formuladores. “Hoje é possível produzir cargas dez vezes mais finas do que as elaboradas no começo da década de 2000”, comparou.

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