Cargas Minerais – Aditivos evoluem e ampliam funções nas tintas para além do simples enchimento

“Nós somos fundamentalmente uma empresa de slurry, que sobrevive de grandes contas, ou seja, vendemos grandes volumes de cargas minerais, principalmente para a indústria de papel e de tintas”, diz Leandro Bizarro da Rocha, gerente-técnico da Imerys, companhia de origem francesa, com quatro fábricas e quase dez jazidas espalhadas pelo Brasil. Fornecedora de cargas minerais para as principais empresas de tintas, a Imerys mantém um portfólio ativo com seis tipos slurries, além de algumas variedades de produtos secos, esses negociados em quantidades bem mais modestas.

Já a Itatex, com fábrica em Campinas e sem nenhuma única jazida em seu poder – a empresa se abastece comprando matérias-primas em todo o território nacional –, é reconhecida no mercado pelas suas especialidades minerais vendidas em sacos de 25 quilos, cujo objetivo maior é agregar valor aos seus produtos e satisfazer os anseios individuais de cada um dos seus clientes. “O mercado procura cada vez mais aditivos minerais que desempenhem funções importantes como extender do dióxido de titânio, ajuste do brilho, facilidade de limpeza, dureza e permeabilidade do filme, controle de porosidade, ajuste da viscosidade, aumento da resistência química e propriedades elétricas”, afirma o engenheiro Antonio Alonso Ribeiro, diretor da Itatex. Segundo ele, dentro dos mais de 160 produtos disponíveis na carteira da Itatex, os caulins modificados são os que representam a maior fatia. “Somos a única empresa da América Latina que domina as tecnologias de calcinação e tratamento superficial com organosilanos e ainda a delaminação controlada dos caulins.”

Química e Derivados, Victor Trevisani e Leandro Bizarro, gerente-comercial e gerente-técnico da Imerys respectivamente, Cargas Minerais - Aditivos evoluem e ampliam funções nas tintas para além do simples enchimento
Trevisani(esq.) e Bizarro: slurry é um caminho sem volta

Na Imerys, o campeão de vendas é o slurry de carbonato de cálcio natural micronizado, mas a empresa destaca também os bons desempenhos obtidos com a comercialização de slurries de carbonato de cálcio precipitado, de caulim natural, de caulim calcinado e de mica. “Somente para o setor de tintas, negociamos atualmente em torno de 7,5 mil t/mês de aditivos minerais na modalidade slurry, quase tudo para o setor imobiliário”, afirma Victor Trevisani, gerente-comercial da companhia. A empresa também fornece outras 12 mil t mensais de slurries para o segmento de papel. Segundo Trevisani, a adoção da modalidade slurry na fábrica de tintas é um caminho sem volta. “Nossos clientes que já possuem parte de sua indústria operando com esse sistema têm como meta conseguir trabalhar com 100% das cargas nessa modalidade”, garante.

No entanto, nem todas as operações envolvendo a modalidade slurry se mostram competitivas para os fabricantes de tintas. O alto custo do transporte desses aditivos minerais já dispersos em água, que precisam ser carregados em caminhões-tanques, é a principal barreira para o uso desse sistema. Também é preciso levar em conta os gastos com armazenagem própria, já que essas cargas necessitam de tanques exclusivos instalados dentro da unidade fabril. “No nosso caso, a entrega de carga na modalidade slurry é competitiva porque a maioria dos clientes está situada a um raio inferior a 100 quilômetros de distância da nossa fábrica, em Mogi das Cruzes-SP, o que reduz o gasto com frete”, afirma Trevisani. “Na Região Nordeste, por exemplo, a distribuição desse tipo de carga é inviável, porque as plantas de tintas estão muito longe dos fornecedores do insumo, com distâncias superiores a 400 quilômetros”, compara.

Segundo Leandro da Rocha, porém, o sucesso de sua empresa na venda de slurries não está só atrelado à questão da distância. “Nossa competitividade vem também do tamanho da nossa planta, o que nos permite trabalhar com grandes escalas e, assim, oferecer preços mais atrativos aos nossos clientes”, enfatiza o gerente-técnico. Segundo ele, o uso de slurries proporciona redução nos custos finais das tintas. “Se uma indústria resolve optar por esse tipo de carga é porque de alguma forma ela terá vantagens em relação ao sistema seco”, pondera Rocha, lembrando que a adoção da modalidade slurry reduz o tempo de fabricação das tintas, por eliminar a operação de dispersão das cargas. “O uso dessas cargas também ajuda a eliminar a sujeira de dentro das fábricas e contribui com o meio ambiente, pois evitam o despejo de materiais na atmosfera e de resíduos gerados pelas sacarias”, ressalta.

Química e Derivados, Antonio Alonso Ribeiro, engenheiro, Cargas Minerais - Aditivos evoluem e ampliam funções nas tintas para além do simples enchimento
Ribeiro: caulins delaminados para tintas de altos sólidos

Embora a Imerys concentre seus esforços em operações logísticas que envolvem grandes quantidades de cargas, a empresa afirma estar comprometida com a busca de inovações tecnológicas, seguindo a tendência de mercado de se trabalhar com produtos voltados para desempenhos específicos. “E o slurry é o melhor caminho para seguir esse conceito de performance, pois o sistema possibilita uma maior flexibilidade para se elaborar blendas multiminerais, processo no qual se busca aproveitar de cada minério o seu maior desempenho”, afirma Rocha.

Assim como a Itatex, a Brasclay tem como diferencial o desenvolvimento de produtos minerais de acordo com a necessidade do cliente. “Nosso laboratório trabalha sempre em conjunto com o laboratório dos nossos clientes”, afirma Ricardo Pereira da Silva, representante comercial da empresa, que tem escritório em São Caetano-SP, e fábrica e jazida em Tapiraí, interior paulista. Há mais de cinquenta anos no mercado, a Brasclay especializou-se na produção de vários tipos de caulins, que atendem os setores de tinta, plástico, agroquímicos e de borracha. Na área de tintas, a Brasclay mantém uma importante parceria com a Eucatex, com o fornecimento de caulins especiais que conferem maior resistência mecânica ao produto. “A cada dois meses, entregamos, de caminhão, as nossas cargas em pó na fábrica da Eucatex em Salto, que fica situada mais ou menos a 100 quilômetros de distância de Tapiraí”, conta Pereira da Silva.

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