Cargas Minerais – Aditivos evoluem e ampliam funções nas tintas para além do simples enchimento

Os anos 2000, porém, também ficaram marcados pelo “boom” dos produtos sintéticos, que são obtidos por meio da calcinação, hidratação e carbonatação dos minerais naturais. Em 2007, a J. Reminas se viu obrigada a investir também na produção de minérios sintéticos, atendendo às novas exigências do mercado de tintas, conta Elaine. “Iniciamos os processos de análise de matérias-primas que não existiam no Brasil e começamos a produzi-las em laboratório, de acordo com as necessidades dos nossos clientes”, acrescenta. A J. Reminas também passou a purificar os minérios existentes no país, como o sulfato de bário, hoje um dos carros-chefe da companhia. “Diferentemente de outros países, como a China e os Estados Unidos, não existem no Brasil jazidas de bário com 99% de pureza. Por isso, começamos a produzir em nossa fábrica grandes volumes de minério de bário-99%, para atender os clientes que antes tinham que importar, a custos mais altos”, explica.

Entre as várias parcerias da J. Reminas fechadas com empresas de tintas, Elaine destaca um recente acordo firmado com um fabricante (cujo nome ela não quis revelar) que envolve a nacionalização de uma tinta automotiva fabricada no Canadá, originalmente aplicada em aviões e produzida com carga de Wollastonita, minério inexistente no Brasil. “Essa indústria tinha a fórmula da tinta e estava disposta a importar a Wollastonita dos Estados Unidos. Porém, como já tínhamos outras parcerias com essa empresa, acabamos assumindo o projeto, produzindo, ainda em fase piloto, a Wollastonita em nosso laboratório”, afirma. Essa tinta de origem canadense tem como principal característica a sua grande resistência a extremos de temperaturas (calor e frio), sendo bem mais maleável que as tintas existentes no mercado brasileiro, descreve Elaine. “Trata-se de uma tinta com grande durabilidade e pouquíssima manutenção, que será aplicada no Brasil em veículos mais sofisticados.”

Pelo acordo com a fabricante de tintas, inicialmente a J. Reminas vai produzir em laboratório cerca de 300 quilos da carga Wollastonita, que serão testados em misturas com outros componentes da nova tinta. “Depois, pretendemos fabricar, em nossa unidade industrial, a Wollastonita em escala industrial, para um consumo inicial de 30 toneladas/mês”, revela a geoquímica. A J. Reminas pretende ainda inaugurar, em 2012, sua terceira fábrica de cargas minerais no país, em Barueri-SP. “Será uma unidade de calcinados para fundição, que irá atender, sobretudo, a Petrobras”, afirma Elaine, sem revelar o valor do investimento. “Mas também teremos nessa fábrica a produção de caulim calcinado, esse voltado para o setor de tintas”, acrescenta. Além dessa nova unidade, a empresa vai construir no mesmo local um moderno laboratório, com equipamentos importados da Inglaterra, com capacidade para fazer todo tipo de análise de minérios não-metálicos e não-ferrosos.

Apesar dos avanços tecnológicos, a carga mineral ainda é um produto barato em relação aos outros insumos utilizados pela indústria de tintas. O baixo retorno financeiro da atividade, na visão das companhias de aditivos, acaba inibindo novos investimentos na linha de produção e/ou em equipamentos. “É por isso que vendemos volumes muito grandes de cargas para poder ter alguma lucratividade”, afirma a geoquímica da J. Reminas. Só de carbonato de cálcio, a empresa fabrica 7 mil toneladas por mês, sendo que 5,5 mil t/mês são direcionadas para a indústria de tintas. No entanto, a empresa já produziu volumes maiores de carbonato de cálcio no passado – em meados dos anos 90, a oferta mensal alcançava 17 mil toneladas/mês –, mas o insumo foi perdendo espaço para outras cargas consideradas mais sofisticadas. “Hoje, o nosso carro-chefe é o sulfato de bário micronizado, que possui partículas mais lamelares, que conferem um acabamento superficial mais uniforme e boa cobertura”, afirma. Segundo Elaine, a empresa planeja aumentar a produção de sulfato de bário, que atualmente gira em torno de mil toneladas mês na planta de Cachoeiro de Itapemirim. “Nossa oferta atual é insuficiente para atender a todos os pedidos dos fabricantes de tintas, sobretudo nos três últimos meses do ano, quando aumenta o interesse por este tipo de carga”, afirmou, revelando a intenção de duplicar ainda neste ano a produção mensal de sulfato de bário, chegando a 2 mil toneladas.

Química e Derivados, Elaine Luciano, geoquímica da J. Reminas Mineração, Cargas Minerais - Aditivos evoluem e ampliam funções nas tintas para além do simples enchimento
Elaine: remoção de impurezas melhorou a qualidade das cargas

Sem tendência definida – A forte concorrência existente no setor de cargas minerais estimula as empresas a perseguir diferentes frentes de negócios dentro da mesma área de atuação, no caso, o setor de tintas. Não raro, as companhias seguem estratégias totalmente opostas umas das outras. É o caso da Imerys e da Itatex Especialidades Minerais, duas importantes fornecedoras de cargas minerais para a indústria brasileira de tintas. A Imerys tem um portfólio enxuto, com uma linha ativa de menos de 20 produtos, e trabalha principalmente com o fornecimento de cargas na modalidade slurry. A Itatex, por sua vez, exibe uma carteira de oferta com mais de 160 tipos diferentes de cargas secas e concentra seus esforços na busca de soluções personalizadas para os seus clientes.

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