Química

Câncer de pele pode ser prevenido – Protetores solares

Renata Pachione
22 de julho de 2020
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    Em entrevista para Química e Derivados, o médico dermatologista Elimar Gomes, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) e do Grupo Brasileiro de Dermatologia, falou sobre o uso da proteção solar como eficiente arma contra o câncer. Segundo ele, estudos demonstram que a exposição à radiação ultravioleta seja ela crônica e diária ou intensa e intermitente está diretamente relacionada ao aumento do risco de desenvolvimento do câncer de pele.

    O câncer de pele é o de maior incidência no país e já corresponde a 30% dos tumores malignos. Uma pessoa morre de câncer de pele a cada três horas no Brasil, conforme o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Estes números fazem sentido para o senhor? Poderia comentá-los?

    Sim, esses números são assustadores e preocupantes. Para o Brasil, a estimativa do Inca para cada ano do triênio 2020-2022 aponta que ocorrerão 625 mil casos novos de câncer, sendo que o câncer de pele não melanoma representa 177 mil casos novos e o câncer de pele melanoma 8.450 casos novos. Quanto aos dados de mortalidade, no ano de 2018, foram registrados 2.329 óbitos por câncer de pele não melanoma e 1.791 óbitos pelo câncer de pele melanoma. A boa notícia é que podemos modificar esses dados, pois conhecemos a causa do câncer de pele, que é a exposição solar exagerada e desprotegida, e quando há um diagnóstico precoce, temos altos índices de cura.

    Na sua avaliação, qual a importância do uso do protetor solar?

    Mais de 90% dos casos de câncer de pele são causados pela exposição aos raios ultravioleta do sol. Trabalhos publicados pela pesquisadora Adele Chandler Green, da Universidade de Queensland, Austrália, demonstraram a redução da incidência de câncer de pele com o uso de protetor solar. No primeiro trabalho, publicado em 1999, foram acompanhados 1.383 adultos por 4,5 anos, sendo que o grupo de pacientes que fazia uso de um protetor solar FPS 15, diariamente, reduziu a incidência de Carcinoma Espinocelular (CEC) de pele de 1.832 para 1.115 casos por cem mil habitantes, uma redução de 39% no número total de tumores, em comparação ao grupo que não fazia uso de protetor solar.

    No segundo trabalho, publicado doze anos depois, os mesmos grupos de pacientes foram acompanhados por mais dez anos e observou-se uma redução de 50% no número de casos de melanoma, o câncer de pele de maior agressividade, no grupo que havia feito uso de protetor solar.

    Qual a melhor forma de proteção?

    É indispensável o uso diário de protetor solar FPS 30 ou maior, usar chapéu e óculos escuros, roupas com fator de proteção ultravioleta no tecido, evitar exposição ao sol no período entre 10 e 15 horas e permanecer na sombra sempre que possível.  Além disso, visitar o dermatologista pelo menos uma vez por ano.

    Em relação ao filtro solar, é importante ressaltar que para atingir a proteção solar descrita na embalagem do produto é necessário aplicar 2 g/cm2 do produto na superfície da pele. Outro ponto que deve ser ressaltado é que protetores solares com fatores de proteção mais altos  são significativamente mais eficientes contra os raios solares.

    Além da redução do risco de câncer de pele, é importante destacar que o protetor solar reduz o envelhecimento, manchas e reações (fotoalergia e fototoxicidade) provocadas na pele pela radiação solar.

    Houve algum fato que movimentou o setor de proteção solar recentemente?

    O setor de protetor solar está em constante evolução. Os conceitos mais novos são a personalização e a multifuncionalidade. Por exemplo, um protetor solar para pele oleosa deve ter uma textura mais fluida, livre de óleos e conter ativos que ajudem a controlar o brilho e a oleosidade excessiva, como efeito mate, toque seco ou sílicas antibrilho. Esses conceitos podem ser expandidos para protetores que atuem no tratamento da acne ou do melasma, auxiliem nos cuidados de pele sensível ou otimizem a hidratação de acordo com as necessidades de cada indivíduo.

    O médico Elimar Gomes é o atual coordenador nacional da Campanha Dezembro Laranja. Médico dermatologista e cirurgião dermatológico pela Unifesp/EPM, tem doutorado em oncologia pela FAP/AC Camargo Cancer Center – SP. Ele atua como coordenador do Grupo de Dermatologia do Centro Oncológico da Beneficiência Portuguesa de São Paulo e é membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica e do Grupo Brasileiro de Dermatologia.



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