Calor Industrial

Calor – Demanda por equipamentos registra crescimento explosivo

Marcelo Fairbanks
19 de julho de 2007
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    Até há cinco anos, o setor de papel e celulose era o grande comprador, agora com projetos em fase de maturação, que podem desembocar em novo ciclo de investimentos, principalmente na Região Sul. Além da venda de equipamentos novos, a CBC possui um mercado de retrofitting e manutenção do parque instalado, com negócios estáveis todos os anos.

    O setor sucroalcooleiro não é um cliente habitual da CBC, por demandar caldeiras abaixo de 67 kgf/cm², fora do escopo da companhia. A sua faixa de atuação compreende equipamentos para mais de 300 t/hora de vapor, com pressão acima de 100 kgf/cm². “Caso o setor sucroalcooleiro venha a adotar caldeiras mais pesadas, talvez para ampliar a produção de eletricidade, ele poderá contar com nossa tecnologia”, disse.

    Caldeiras menores costumam ser fornecidas por outras empresas do setor, com um perfil diferente da CBC. “Nossa tecnologia é muito avançada e só trabalhamos com um padrão de qualidade e segurança muito elevado, que tem um custo compatível”, afirmou Samello. Nos últimos dois anos, o preço do aço subiu muito, sendo acompanhado pelos custos de eletricidade e mão-de-obra especializada, exigindo repasse para o preço dos equipamentos, todos fabricados sob encomenda. Como a taxa de câmbio passou a favorecer a importação de produtos, a CBC passou a sofrer concorrência mais forte de fornecedores instalados em outros países.

    As caldeiras da CBC são totalmente automatizadas e controladas, com elevado padrão de segurança, quase sempre interligadas aos sistemas centrais das fábricas. A companhia, porém, impõe que as operações mais críticas, como partida e desligamento, sejam feitas por operadores. “Exigimos que elas tenham um operador no campo e outro no painel de comando, caso contrário não aceitamos o pedido”, informou.

    Do ponto de vista ambiental, a legislação brasileira exige sistemas para controle de poluição desde os estudos preliminares, considerados para permitir a instalação das unidades. A CBC pode fornecer a caldeira com esses periféricos ou deixar que o cliente escolha o fornecedor e a tecnologia que mais lhe agradar. “Essa seleção varia conforme a região onde será instalado o equipamento, pois as exigências podem ser mais ou menos restritivas”, considerou.

    A escolha dos combustíveis em geral recai nos óleos ultraviscosos, preferidos há anos pelo seu baixo custo. Nos centros urbanos, o gás natural é preferido pela facilidade de operação e por ser mais limpo. “Como há menos problemas com o queimador e com a corrosão, o custo/benefício do gás pode até ser superior ao dos óleos pesados”, afirmou.

    A queima de biomassa não representa novidade para a CBC e está relacionada à disponibilidade de resíduos nas instalações dos clientes. “A mudança mais recente foi feita há uns dez anos, consistindo na substituição das antigas grelhas por sistemas de leito fluidizado, muito mais eficientes”, explicou Samello. Ele salientou que os leitos custam mais caro, mas com eles a queima é melhor, além de oferecer maior flexibilidade operacional e de adaptação a combustíveis.

    Química e Derivados, Marcelo José Salmazo, Gerente geral de assistência técnica industrial da Aalborg, Calor - Demanda por equipamentos registra crescimento explosivo e põe fornecedores a plena carga

    Salmazo: caldeira automatizada funciona melhor

    Outra linha de equipamentos da CBC é a de trocadores de calor para processos, construídos sob encomenda. São cascotubos feitos de aço ou ligas metálicas, com largo emprego em indústrias. “O mercado de trocadores é totalmente diferente do de caldeiras, pois são equipamentos menores, de valor mais baixo, porém vendidos em quantidades expressivas”, comentou. As vendas de trocadores, embora engenheirados, são mais constantes, abrangendo peças novas e reposições.

    Troca de trocador – Há dez anos, a GEA iniciou trabalhos com trocadores de calor a placas, inicialmente restritos a alguns setores, como a indústria farmacêutica e a de alimentos. Nesse período, as aplicações desse tipo foram multiplicadas. “Os casco-tubos vão predominar apenas nas linhas mais robustas, de altas pressões e temperaturas, muito comuns em refinarias e petroquímicas”, comentou Lívio Junqueira.

    A linha mais conhecida da GEA é a Ecofl ex, formada por cavaletes com jogos de placas destacáveis, com fácil limpeza e grande flexibilidade para configuração e operação. No entanto, a empresa reforçou sua atuação no segmento de alta pressão, chamada GEA Block, com a compra recente da Viex (Canadá), especializada em conjuntos modulares de placas soldadas.

    Com a negociação, há aproximadamente três meses, a empresa passou a oferecer produtos feitos com tecnologia da Viex no Brasil. “Eles aceitam pressão até 32 bar e 315ºC de temperatura, com uso indicado para plataformas de petróleo e gás”, afirmou Junqueira.

    Gerente de vendas para a área química da GEA do Brasil, Carlos Facirolli identifica uma tendência do setor químico de adquirir trocadores mais sofisticados, usando materiais nobres, como o titânio. “Havia alguma dificuldade em conseguir esse material, mas agora ele voltou a ficar disponível no mercado mundial”, comentou. Como se trata de insumo muito caro, há tentativas de desenvolver materiais de substituição, especialmente na Alemanha.

    A demanda por equipamentos térmicos é grande em todo o mundo. “Como esse crescimento foi muito rápido, registra-se a escassez de profissionais especializados, tanto na construção, quanto na área de engenharia”, afirmou Junqueira. Como reflexo, melhorou o relacionamento entre fornecedores e grandes clientes, incluindo as empreiteiras e escritórios de projetos. Segundo afirmou, atualmente é mais fácil elaborar soluções conjuntas para dificuldades tecnológicas e financeiras em projetos.



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