Calor – Clientes exigem redução do consumo de combustíveis e da emissão de poluentes

Algumas alternativas, porém, estão limitadas pela qualidade dos combustíveis. O uso de economizadores, equipamentos que aproveitam o calor dos gases de exaustão das caldeiras, por exemplo, é indicado para caldeiras a gás natural e para os raros casos em que se queima óleo com baixíssimo teor de enxofre e pouca emissão de particulados (mesmo assim com algumas diferenças construtivas). “Caldeiras a gás natural podem ganhar 5% de eficiência com um economizador”, calculou Braga.

Química e Derivados, Caio Eboli, Calor - Clientes exigem redução do consumo de combustíveis e da emissão de poluentes
Eboli: compras globais trazem benefícios à fabricação local

Embora a Petrobras tenha prometido mudanças, ainda não foram sentidas melhorias na qualidade dos óleos combustíveis nacionais. Uma redução significativa do teor de enxofre permitiria aproveitar melhor os gases de exaustão, retirados dos equipamentos ainda muito quentes para evitar a formação do corrosivo ácido sulfúrico. Também seria possível evitar a passagem desses gases por lavadores especiais para abater os SOx. “Desenvolvemos um coletor de pó por via úmida que retém 93% dos particulados, mas não retira o enxofre do gás de saída”, disse Braga.

Em 2009 e 2010, 70% das vendas de caldeiras da Aalborg são referentes à linha Mission, alimentada a óleo combustível ou gás natural. Cerca de 30% pertencem à linha FAM, alimentada por biomassa. “Essa proporção é diferente da nossa média histórica no Brasil, de 60% para óleo/gás e 40% para biomassa”, comentou Caio Eboli. Ele explica a diferença pelo fato de o óleo ser encontrado em qualquer lugar, enquanto o gás natural fica restrito ao entorno dos dutos, regiões onde tem a preferência dos usuários. A biomassa, por sua vez, tem custos de transporte relativamente altos e, algumas vezes sofre com sazonalidades. O bagaço de cana, por exemplo, só é disponível durante a safra, de abril a novembro, na chamada região Centro-Sul.

Embora o uso de biomassa já seja considerável, Eboli comenta que ainda existe muito resíduo orgânico de aproveitamento economicamente viável no Brasil. “A possibilidade de venda de créditos de carbono é um estímulo adicional”, considerou. A Aalborg dá apoio para a obtenção desses créditos. Ele aponta um caso em que um cliente transporta biomassa do Paraná para ser queimada em caldeiras no Vale do Paraíba. “E ainda obteve uma economia de 20% em relação ao óleo combustível”, disse.

Eboli explicou que os preços dos óleos 1A e 2A têm oscilado muito, mas têm guardado uma equivalência com o custo de usar gás natural. “Continuamos recomendando a compra de queimador dual para clientes que tenham disponibilidade de gás”, salientou. A diferença de preço com um queimador monocombustível é muito pequena, sendo preferível contar com uma opção de suprimento.

A procura por equipamentos para queima de óleos pesados (ultraviscosos) se tornou muito reduzida. “Garantimos que os nossos queimadores podem queimar óleos na faixa de 1A a 4A sem precisar de nenhuma adaptação”, afirmou Braga. Ele salientou que seus queimadores foram desenvolvidos especificamente para operar nas fornalhas da Aalborg, com comprimento ideal de chama e excelente queima. “Há bons queimadores disponíveis no mercado, mas quem vai dar a garantia para o conjunto todo quando há mais de um fornecedor?”, indagou.

Mercado mantido – Líder no fornecimento de caldeiras flamotubulares e atuante na faixa de duas a 34 toneladas de vapor por hora, a Aalborg registrou em 2009 um período ruim de vendas, com uma sensível recuperação nos últimos meses. “Isso resultou da liberação de regras mais vantajosas do Finame, com prazo definido e depois prorrogado”, explicou Eboli. Mesmo assim, a queda nas vendas de 2009 chegou a 30%, considerando uma média de número de equipamentos e seu peso.

A chegada do incentivo agitou o mercado. A Aalborg teve um bom ano em 2008, que lhe deixou uma carteira de pedidos completa até abril de 2009, mesmo após a deflagração de crise mundial. Entre abril e setembro, a produção ficou um pouco ociosa, mas depois voltou à ativa. “Em 2010, estamos novamente no ritmo de 2008”, comemorou Eboli.

A demanda nacional por geradores de vapor flamotubulares está concentrada nos modelos de médio porte, entre dez e vinte t/h, com alguns negócios isolados com equipamentos de maior porte. Os setores ligados ao agronegócio (óleos vegetais, frigoríficos, laticínios, alimentos e bebidas) estão mais ativos. A indústria nacional supre adequadamente esse mercado, segundo Eboli, que ressalta o fato de os produtos importados não poderem contar com o apoio do Finame.

A Aalborg tem se beneficiado do processo de globalização mesmo sem aumentar suas importações. “Só estamos trazendo de fora alguns tubos de condução de água, mas não os de troca térmica”, disse Eboli. A empresa prefere nacionalizar equipamentos com a tecnologia corporativa, embora a fábrica chinesa do grupo tenha custos mais baixos. “Temos um sistema global de compras, pelo qual os descontos negociados com os fornecedores valem em qualquer parte do mundo, ou seja, nós compramos peças e componentes pelo mesmo preço da filial chinesa e isso nos dá uma boa vantagem competitiva”, explicou. Esse benefício se estende para a assistência técnica e atualização de equipamentos.

Como novidade, a filial brasileira da Aalborg está nacionalizando um tipo de caldeira aquatubular para queima de óleo ou gás natural desenvolvida inicialmente para a indústria naval, mas com uso em indústrias. “É um equipamento de desenho compacto, que pode ser transportado completo dentro de uma carreta, reduzindo o custo de montagem no campo”, comentou Braga. Em fase final de adaptação e componentes, essa nova linha de caldeiras é indicada para gerar de 25 a 80 t/h de vapor a 42 bar, pressão típica do setor naval, mas que pode ser ampliada, bem como a produção de vapor. Equipamentos maiores que essa faixa, porém, precisam ser montados no campo.

Página anterior 1 2 3 4 5 6Próxima página

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios