Tintas e Revestimentos

Cadeia produtiva se prepara para demandas futuras

Antonio C. Santomauro
20 de dezembro de 2019
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    Aditivos – A Basf apresentou o antiespumante Foamaster 2159, desenvolvimento feito pela filial brasileira e indicado para tintas de alto conteúdo de sólidos (PVC), com alto desempenho, sendo formulado com óleo mineral, parafinas e outros insumos. “É um produto emulsionado, foi criado para tintas econômicas, mas está sendo usado também em linhas standard e premium, com bons resultados”, comentou Anderson Bonaldi, diretor de dispersões, resinas e aditivos para coatings e construção da Basf. Como informou, a novidade apresenta elevada estabilidade a qualquer temperatura, sem apresentar separação de fases.

    Bonaldi considera que o Brasil usa pouco os antiespumantes, até por usar pouca resina nas formulações de tintas, em especial nas econômicas, em relação ao mercado internacional. A companhia oferece outros antiespumantes ao mercado, considerados “mais nobres”, mas só este é voltado para alto PVC. Ele informa que a adoção pede ajustes na formulação do cliente, o que pode ser feito com auxílio técnico da Basf.

    Outra criação da filial brasileira é o Rheovis HS 1184, modificador reológico sintético de base acrílica e sem APEO (alquilfenóis etoxilados), indicado para massas e texturas, com alta aceitação de mercado desde o seu lançamento, feito no fim de 2018. “Ele tem alto poder de espessamento”, comentou Bonaldi.

    A companhia também apresentou as dispersões acrílicas monocomponente Acronal PRO 770 e Joncryl PRO 1524, ambas para tintas de aplicação direta a metais (DTM), exercendo função de primer e acabamento em tintas anticorrosivas. Elas disputam mercado com sistemas PU/alquídicos, oferecendo brilho superior. “São dispersões ideais para quem quer sair da base solvente”, disse o diretor.

    Bonaldi apontou que o mercado de tintas está crescendo lentamente, principalmente por causa das linhas imobiliárias, que não devem obter elevação de vendas superior a 1% neste ano. “A linha automotiva original e repintura crescerá de 5% a 6% em 2019, até o segmento industrial terá elevação de 2% a 3%”, avaliou, com base nas estimativas da Abrafati.

    Avanço nos acrílicos – A Basf, líder mundial em ácido acrílico e derivados, trouxe para a Abrafati 2019 como inovação global o acrilato de terc-butila, ou tBA. Trata-se de um produto especial, com características que o colocam em posição de substituir resinas estirênicas e de metacrilato de metila (MMA) em várias aplicações, especialmente nas tintas.

    Química e Derivados - Milani (esq.), Fleckenstein e Song comentam as vantagens do tBA

    Milani (esq.), Fleckenstein e Song comentam as vantagens do tBA

    “Embora tenha temperatura de transição vítrea (TG) muito próxima do MMA, que tem baixa resistência à agua, o tBA é hidrofóbico; ele também resiste à luz, ao contrário do estireno, que tende a amarelar”, comentou Christoph Fleckenstein, líder mundial de marketing técnico de monômeros acrílicos especiais da Basf. Ele foi trazido da Alemanha para apresentar um trabalho sobre o tBA no congresso internacional.

    A indicação de uso do tBA em tintas é como monômero principal, recebendo acréscimos de acrilato de butila, estireno ou vinil acetato. “O tBA é indicado para tintas para exteriores, mas sua resistência superior também é interessante para interiores, uma vez que resiste muito bem a riscos”, comentou Valter Milani, gerente sênior de vendas de petroquímicos da Basf na América do Sul. A resina pode substituir as alquídicas em tintas para portas e janelas, constituindo formulações base água.

    No Brasil, a Basf opera uma unidade de escala mundial de ácido acrílico, SAP e acrilato de butila (BA), em Camaçari-BA. Apesar da nomenclatura parecida, Fleckenstein explica que os processos de produção desses acetatos são muito diferentes e resultam em materiais diversos.

    “Temos duas plantas industriais de escala global para o tBA na Alemanha e estamos planejamento construir mais duas plantas para suprir o aumento de consumo que se verifica nos Estados Unidos, Europa e China”, afirmou Dschun Song, diretor de petroquímicos da Basf para América do Sul.

    Fleckenstein considera que as necessidades dos mercados europeu e norte-americano são muito diferentes das apresentadas pelos clientes da América do Sul. “Nós oferecemos suporte técnico, mas o cliente é o especialista no produto final e precisa ajustar suas formulações”, comentou.

    Segundo Milani, o foco dos negócios com o tBA recai nas linhas decorativas, mas ele pode ser aplicado em várias outras situações, a exemplo de tintas para demarcação viária e tintas que mimetizam o mármore, chegando aos papéis de embalagem hidrofóbicos. “Estamos entrando em algumas dessas aplicações”, salientou, afirmado ser o preço do tBA competitivo. “É um monômero especial, mas poderá ser uma futura commodity”, aduziu Fleckenstein.



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