Tintas e Revestimentos

Cadeia produtiva se prepara para demandas futuras

Antonio C. Santomauro
20 de dezembro de 2019
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    Química e Derivados - Fabiana: coalescente de origem natural não dá cheiro à tinta

    Fabiana: coalescente de origem natural não dá cheiro à tinta

    Inovação brasileira – As empresas químicas brasileiras se mostraram muito ativas em inovação, apresentando vários lançamentos para os formuladores de tintas. A começar pela Oxiteno, com sede no Brasil, mas com fábricas também nos Estados Unidos e México. “Aumentamos o investimento em inovação em todos os segmentos de mercado atendidos, apesar das dificuldades econômicas do mercado brasileiro nos últimos quatro anos”, comentou João Benjamin Parolin, presidente da Oxiteno.

    Diretora global de marketing e inovação, Andrea Campos Soares explicou a orientação da companhia em aproveitar melhor o já extenso portfólio de produtos a partir de novas abordagens. “Colocamos em P&D pessoal qualificado e com experiência de mercado, isso nos permitiu avanços como o novo coalescente Ultrafilm 5000, que está sendo lançado na Abrafati 2019”, salientou.

    Fabiana Marra, líder global de negócios de tintas e revestimentos da Oxiteno, comentou que a companhia lançou seis novas moléculas de solventes e duas de surfactantes nos últimos 10 anos, um feito notável para a pesquisa e desenvolvimento no Brasil.

    Nesta Abrafati, a companhia apresentou o Ultrafilm 5000, um éster de origem totalmente renovável que oferece desempenho superior aos padrões do mercado local e internacional, ou seja, éteres e ésteres glicólicos. “O 5000 nasceu para ser coalescente, para ajudar os formuladores em escala global, tem baixo impacto ambiental e não deixa cheiro”, comentou Fabiana.

    Como explicou, o Ultrafilm 5000 é uma resposta às solicitações recebidas dos clientes fabricantes de tintas arquitetônicas de base água, embora possa ser usado com êxito em outras aplicações. “Após uma seleção inicial, identificamos dez moléculas com potencial para atender às solicitações e iniciamos uma pesquisa profunda sobre elas até encontrar a molécula ideal, usando modelagem computacional. Depois disso, começamos os estudos para produzir o protótipo que foi testado por universidades dos Estados Unidos, com as quais temos parceria, e iniciamos o pré-marketing no México”, comentou. O produto foi patenteado pela companhia.

    Aliás, o Ultrafilm 5000 é fabricado apenas na Oxiteno do México. Segundo Fabiana, o processo produtivo é tecnologicamente complexo e a unidade mexicana é que apresenta instalações e acesso às matérias-primas com mais competitividade.

    O papel de um coalescente é contribuir para formar um filme homogêneo e de qualidade, esta verificada pelos testes de ciclos de lavabilidade. “Verificamos que o 5000, embora tenha um ponto de ebulição superior ao do padrão de mercado, forma filme que não fica mole e apresenta excelente desempenho nos ensaios”, apontou. Ela também informou que não se trata de um substituto drop in, portanto exige alguma adaptação da formulação da tinta, porém considerada simples. O 5000 está sendo testado há alguns meses por clientes no Brasil e a companhia pretende ampliar sua oferta para outros parceiros no setor de tintas.

    A Braskem avançou na estratégia de valorização da linha de solventes, iniciada há dois anos, com aumento da precisão dos cortes de frações de hidrocarbonetos e aumento da qualidade. Neste ano, a companhia ampliou o escopo, introduzindo solventes de fontes renováveis ao portfólio.

    É o caso do HE 70S, que pode ser usado em tintas, tíneres e adesivos. “Esse é o primeiro fruto dos trabalhos do laboratório de aplicação de solventes que construímos nos últimos dois anos”, comentou Cláudia Madrid, responsável pelo negócio de solventes da Braskem. Fabricado no site de Camaçari-BA, o HE 70S é um éter etílico de terc-butila (ETBE) que passa por ajustes finos e patenteados pela companhia.

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    Por ser sintetizado com etanol de cana-de-açúcar, o solvente tem 36% de carbono renovável em sua composição, fato atestado por análises laboratoriais específicas segundo norma ASTM D-6866. “O HE 70S tem preço competitivo no mercado e conta com apelo de sustentabilidade, pois o álcool de cana é mais sustentável que o de outras fontes existentes”, considerou. Além do mercado local, a Braskem vai divulgar o solvente também na Europa.

    Gregory Jakociuk, especialista da área de solventes da Braskem, apontou que o HE 70S tem baixas densidade, tensão superficial e toxicidade, e não é controlado pela Polícia Federal, apresentando características que o colocam em uma posição intermediária entre os oxigenados e os aromáticos. “Isso faz dele um solvente muito flexível, com possibilidade de aplicação em muitos casos”, comentou. A baixa tensão superficial garante melhor nivelamento e também a umectação, sem provocar defeitos como casca de laranja. O HE 70S pode ser usado em tintas de base alquídica, poliéster, poliuretânica e de nitrocelulose.

    Além disso, a Braskem também apresentou o Hexano RC, uma contribuição aos propósitos de economia circular. “Trata-se de hexano recuperado do processo de produção de polietileno, conseguimos isolá-lo e purificá-lo para uso industrial, especialmente em adesivos, mas também para a produção de tíneres”, explicou Cláudia Madrid.

    O Hexano RC é obtido no site de Triunfo-RS e seu volume disponível para o mercado ainda é pequeno, da ordem de 2 mil t/ano, mas pode aumentar. “Trata-se de uma forma de valorizar um produto, com garantia de especificação, retornando-o para a atividade industrial, em vez de tratá-lo como simples resíduo”, disse.

    O grupo Solvay, que atua com o nome Rhodia no Brasil, onde está presente há 100 anos, também apresentou inovações produzidas pela pesquisa e desenvolvimento local. A linha Rhodapex BR APE free de tensoativos isentos de nonilfenol etoxilado é indicada para a polimerização e emulsão de base água de tintas, adesivos e auxiliares têxteis, entre outros, foi acrescida de dois novos componentes. A linha Rhodapex é produzida em Itatiba-SP.

    A empresa também destacou o Sipomer PAM 600, monômero desenvolvido para aumentar a adesão das tintas a substratos metálicos, vidro, concreto e cerâmica. Também melhora a resistência à corrosão e aumenta o brilho do revestimento.



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