Petroquímica

Braskem – Ano começa com vendas em alta e desafios a superar

Marcelo Fairbanks
4 de julho de 2014
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    Atualmente, o projeto está em fase de pré-marketing, usando resinas importadas das unidades da Braskem no Brasil, com suprimentos enviados pelos licenciadores das tecnologias de polimerização (Ineos e LyondellBasell) e também com material adquirido de distribuidores norte-americanos. “No México, nossa prioridade atual não é ampliar volume, mas de fortalecer laços e entender melhor o mercado, saber quais os grades consumidos, estabelecer limites de crédito e estruturar a assistência técnica”, comentou.

    Segundo Fadigas, o México ampliou a competitividade de sua indústria manufatureira, dispondo de mão de obra mais barata que a do Brasil, assim como energia e matérias-primas com preços baixos. A ligação favorecida com os EUA e o Canadá por meio do Nafta também traz bons negócios aos mexicanos. “Os Estados Unidos também reduziram o custo de mão de obra, porém pelo aumento brutal da produtividade, uma das que mais avançou no mundo”, considerou Fadigas.

    O modelo de investimento no projeto mexicano foi considerado tão bom que deverá ser replicado nos Estados Unidos, aproveitando a disponibilidade de etano de baixo custo. A Braskem estuda construir um cracker de porte idêntico ao mexicano, com downstream semelhante, pois já conta com as licenças e poderia usar a mesma engenharia básica, acelerando toda a operação.

    A companhia elegeu a região da Virgínia Ocidental (West Virginia) para o projeto, denominado Ascent, fora da área usual dos projetos petroquímicos americanos, geralmente alocados no Texas ou na Louisiana. “Ficaremos mais próximos do grande parque transformador de plásticos, situado nos estados mais ao Norte”, disse Fadigas. Ele também espera contar com etano a preços mais camaradas, por ser um dos poucos consumidores locais – a área fica próxima do grande reservatório Marcellus de shale gas.

    O projeto americano começa a ganhar corpo. A Braskem firmou em março um pré-contrato com a produtora de óleo e gás independente Antero para garantir o suprimento de 40% a 50% das necessidades de etano de Ascent, caso ele venha a ser efetivamente construído. “A responsabilidade é deles, não nos comprometemos a comprar nada caso a companhia decida não tocar adiante o projeto”, salientou. O preço acordado para o gás não foi revelado, mas seguirá os parâmetros do mercado norte-americano. A intenção da companhia é de contar com vários fornecedores, incentivando a competição entre eles.

    Por enquanto, a companhia não pretende usar o shale gas para a produção de propeno (via dimerização e metátese subsequente), necessário à produção de polipropileno. A Braskem possui grande participação em PP nos Estados Unidos, resultado da aquisição dos negócios da Dow nesse material. “Quase um terço de todo o PP consumido em aplicações automotivas nos Estados Unidos é produzido pela Braskem”, afirmou Fadigas.

    Como tem vários fornecedores de propeno naquele país, a situação de suprimento é tranquila. Apesar disso, possui um acordo para comprar o propeno a ser produzido pela Enterprise em sua futura linha de desidrogenação de propano, que deve iniciar a operação no segundo semestre de 2015.

    Preocupação local – A principal prioridade da companhia para o segundo trimestre de 2014 é a renovação do contrato de suprimento de nafta para os crackers de carga líquida instalados no Brasil (as centrais petroquímicas, no modelo setorial antigo). “O contrato firmado em 2009 foi prorrogado até junho, estamos em tratativas com a Petrobras e deveremos chegar a um acordo”, disse o presidente da Braskem. No entanto, ele salienta que a estatal (uma de suas acionistas, por sinal) precisa considerar o impacto do shale gas nos preços mundiais de insumos e de produtos do setor.

    O segundo ponto focal recai no relacionamento cada vez mais estreito com os clientes e os esforços empreendidos pela cadeia produtiva junto ao governo federal para melhorar a competitividade da indústria. “O ambiente de negócios está ruim no país”, avaliou. Os números preliminares de vendas em abril já indicam um desaquecimento da demanda local. A companhia também apoia esforços dos clientes para ganhar mercado internacional.

    Entre as grandes tarefas da companhia está a conclusão da compra da Solvay Indupa, em fase de avaliação pelos órgãos do governo argentino e de negociação com minoritários.

    A Braskem estuda participar do projeto petroquímico do Comperj, mas aguarda definições sobre a disponibilidade, composição e preço da matéria-prima, o gás natural. As tratativas se arrastam, mas o executivo acredita que cheguem a bom termo, diversificando a matriz de consumo da companhia, ainda muito dependente da nafta.



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    Um Comentário


    1. osvaldo alves da motta filho

      Foi ótimo,para a empresa pois com esta resposta ela vem a publico respaldando a sua
      credibilidade com todos aqueles que acreditam nela.



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