Economia

4 de julho de 2014

Braskem: Ano começa com vendas em alta e desafios a superar

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Os resultados do primeiro trimestre de 2014 foram positivos para a Braskem, porém não muito animadores. A melhor notícia foi o aumento do Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ou seja, geração de caixa operacional) de janeiro a abril, em base recorrente (sem incluir a venda de ativos) de 9% em relação ao último trimestre de 2013, chegando a US$ 573 milhões.

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    Esse aumento da geração de caixa foi obtido sem que a companhia registrasse variação na venda física de resinas entre os períodos considerados, ficando estável em 901 mil toneladas. Quando se comparam os primeiros trimestres de 2014 e 2013, verifica-se que a demanda nacional por resinas termoplásticas (os principais produtos da Braskem) chegou a 1,3 t, com alta de 3% sobre os três primeiros meses do ano passado. Enquanto isso, as vendas da companhia caíram 2%. “Perdemos uma pequena participação no mercado, especialmente nos polietilenos e alguma coisa no polipropileno”, explicou Carlos Fadigas, presidente da Braskem. “No PVC, conseguimos acompanhar a evolução do mercado nacional, pois estamos com planta nova em operação plena em Alagoas.”

    A receita líquida trimestral alcançou R$ 11,8 bilhões, superando em 10% o dado do trimestre imediatamente anterior. Fadigas atribuiu esse aumento à desvalorização da moeda local em quase 4% no período, combinado ao aumento dos preços das resinas plásticas no mercado global, cuja demanda se mostra em recuperação. A variação cambial resultou em aumento de R$ 330 milhões nos custos operacionais do trimestre (compra de nafta e de gás natural, principalmente), mas foi superada pela elevação das receitas em R$ 438 milhões. “Essa diferença de R$ 108 milhões foi incorporada ao Ebitda”, explicou Fadigas.

    Além disso, a venda dos ativos da unidade de tratamento de água de Triunfo-RS para a Odebrecht Ambiental rendeu outros R$ 277 milhões, elevando o lucro líquido do trimestre para R$ 396 milhões. Com a inclusão da venda dos ativos, o Ebitda (não recorrente) sobe para R$ 1,6 bilhão, ou US$ 690 milhões.

    A parada programada de manutenção da linha principal de produção da companhia em Triunfo-RS transcorreu sem problemas entre os meses de março e abril. No entanto, algumas dificuldades operacionais imprevistas impactaram negativamente as áreas de produção de Santo André-SP e Duque de Caxias-RJ. Com isso, o índice de ocupação de capacidades no trimestre ficou em 85%, abaixo da média anual desejada pela companhia, de 89%.

    Fadigas informou que a unidade do ABC paulista, capaz de gerar 700 mil t/ano de eteno, encontrou uma falha no seu principal compressor, cujo desempenho se tornou instável. “Perdemos com isso quase 2% da capacidade paulista e isso ficará assim até a parada de manutenção da unidade, marcada para setembro”, informou.

    A unidade da Baixada Fluminense sofreu redução de suprimento de etano e propano por parte da Petrobras. A estatal, também acionista da Braskem (40%), prometeu resolver a questão, porém ela perdurava até a metade de maio.

    O cenário internacional para produtos petroquímicos tende a apresentar ligeira melhora. Segundo Fadigas, a China deve obter um crescimento de 7,5% em 2014, enquanto o produto mundial ficará 3,6% maior. As economias dos Estados Unidos e da Europa apresentam leve recuperação. “A demanda global por eteno deverá apresentar crescimento médio anual de 6 milhões de toneladas entre 2014 e 2017, mas a oferta só superará a demanda global a partir de meados de 2016, com a partida de alguns projetos produtivos”, comentou Fadigas. Esse número, no entanto, inclui algumas unidades chinesas a carvão, cujo prognóstico é ainda incerto.

    A nova sensação do mercado global de petroquímicos, os Estados Unidos e seu mar de shale gas, está ampliando e construindo novos crackers, mas a adição de capacidades significativas só é esperada para 2017 e 2018, como explicou o presidente. Passado o inverno no Hemisfério Norte, o preço do etano nos EUA começou a cair, mas a situação política da Ucrânia e seu relacionamento com a Rússia podem fazer disparar os preços do gás natural em todo o planeta.

    Investimentos – Com base nesse cenário e nos seus planos de longo prazo, a Braskem manteve o ritmo dos investimentos. No primeiro trimestre deste ano, a companhia alocou R$ 763 milhões, sendo a metade desse valor destinada à manutenção e melhoria de produtividade e confiabilidade dos ativos. Quase 45% do total foi aplicado no projeto Etileno XXI, no México, em associação com o grupo Idesa, este com 25% do capital. “O sistema tributário mexicano prevê o recolhimento prévio do imposto sobre valor agregado nos investimentos, para posterior devolução; os R$ 349 milhões investidos no trimestre devem retornar ao caixa da Braskem no futuro”, explicou.

    Até meados de maio, o projeto Etileno XXI já havia sacado US$ 2,465 bilhões dos recursos obtidos no plano de financiamento. O avanço físico dos trabalhos já passou de 66%, confirmando a expectativa de partir o complexo no segundo semestre de 2015. A planta mexicana tem contrato de suprimento de etano de gás natural com preço atrelado ao do mercado norte-americano, embora sua produção se destine ao mercado mexicano, hoje importador de polietilenos.


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      1. osvaldo alves da motta filho

        Foi ótimo,para a empresa pois com esta resposta ela vem a publico respaldando a sua
        credibilidade com todos aqueles que acreditam nela.



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